Programa inclui obras de Beethoven, Mozart e Haydn no Teatro João Ceschiatti
A Orquestra Sinfônica de Minas Gerais se apresenta nesta quinta-feira, 23/4, às 20h, no Teatro João Ceschiatti (Palácio das Artes: Avenida Afonso Pena, 1537, Centro/BH) com o concerto “Entre Deuses e Suspiros: Beethoven, Mozart e Haydn”. A classificação é livre e a entrada é gratuita, sem necessidade de retirada prévia de ingressos (espaço sujeito à lotação). A regência será do maestro André Brant, que contará com a participação da soprano Melina Peixoto, do Coral Lírico de Minas Gerais.
“As Criaturas de Prometeu” (1801), de Ludwig van Beethoven (1770-1827), abre o concerto. Inspirada na figura mitológica de Prometeu, símbolo do conhecimento e da criação, a obra se organiza em dois momentos contrastantes: a “Abertura”, de caráter enérgico e dramático, e o “Adágio”, que sucede com delicadeza e lirismo. Na sequência, o concerto traz duas árias da ópera “As Bodas de Fígaro” (1786), de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) interpretadas pela soprano Melina Peixoto. Em “Giunse alfin il momento… Deh vieni, non tardar [O momento finalmente chegou… Venha, não demore]”, a personagem Susanna aparece de forma sensível e delicada; já “Venite inginocchiatevi [Venha se ajoelhar]” revela um lado mais leve e descontraído dela. Encerrando o programa, a “Sinfonia nº 94, ‘Surpresa’” (1791), de Franz Joseph Haydn (1732-1809), apresenta trechos de caráter mais suave e passagens de maior dinamismo, e ficou marcada pelo engenho e humor do compositor e por um elemento surpreendente em seu segundo movimento.
O maestro André Brant aponta algumas curiosidades do programa, e salienta que “As Criaturas de Prometeu” marca um momento singular na obra de Beethoven, sendo uma das raras ocasiões em que o compositor emprega a harpa na orquestra. O concerto contará ainda com a “Sinfonia nº 94”, de Haydn, que evidencia os contrastes e o efeito inesperado que justificam o título “Surpresa”. André Brant destaca também que o repertório foi originalmente concebido para espaços menores, como salões de corte e teatros de dimensões reduzidas. No Teatro João Ceschiatti, essa proposta é retomada, criando um ambiente mais intimista e aproximando o público da orquestra.
Melina Peixoto, solista convidada, destaca o entusiasmo para o concerto. Embora já tenha interpretado as árias, será a primeira vez que ela vai apresentá-las a partir de uma construção mais aprofundada da personagem Susanna, desenvolvida em parceria com o diretor de cena Mario Corradi – com quem vem trabalhando nos ensaios da ópera “As Bodas de Fígaro”, que será apresentada em maio no Palácio das Artes. “Tenho estudado toda a obra desde fevereiro, e isso ampliou minha compreensão dessas árias”, afirma. A soprano ressalta ainda a afinidade com a orquestra e a importância de atuar sob a direção de um maestro muito experiente no repertório operístico.

Saiba mais:
O chamado Classicismo vienense consolida-se na virada do século XVIII para o XIX, tendo Franz Joseph Haydn, Wolfgang Amadeus Mozart e Ludwig van Beethoven como seus autores representativos. Frequentemente reunidos sob a denominação de “Primeira Escola de Viena”, não como uma instituição formal, mas como um reconhecimento que se consolidou posteriormente, esses compositores representam o auge de um processo estético que buscava equilíbrio, clareza e proporção. Nesse contexto, afirma-se a música instrumental como linguagem autônoma, desvinculada de funções externas como a dança ou a liturgia, e dedicada principalmente à expressão abstrata e à apreciação estética.
Programa:
Ludwig van Beethoven
“As Criaturas de Prometeu”
I – Abertura
II – Adagio
Wolfgang Amadeus Mozart
“As Bodas de Fígaro”
I – “Giunse alfin il momento… Deh vieni, non tardar”
II – “Venite inginocchiatevi”
Franz Joseph Haydn
“Sinfonia 94, ‘Surpresa’”
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Serviço:
Concerto “Entre Deuses e Suspiros: Beethoven, Mozart e Haydn”
Data: 23 de abril de 2026 (quinta-feira)
Horário: 20h
Local: Teatro João Ceschiatti – Palácio das Artes
(Avenida Afonso Pena, 1537, Centro – Belo Horizonte)
Classificação Indicativa: Livre
A entrada é gratuita, e não há necessidade de retirar os ingressos previamente, mas o espaço está sujeito à lotação.
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Fotos:
Capa: Maestro André Brant – Foto de Nelson Almeida – Divulgação: Luz Comunicação
Miolo: Solista Melina Peixoto – Acervo Pessoal – Divulgação: Luz Comunicação
