CRÍTICA: Megan (M3gan)

Boneca-robô entra para o filão cinematográfico de brinquedos assassinos

Antônio Pedro de Souza

Megan (estilizado como M3gan) reutiliza o clichê do brinquedo que tem vontade própria e se torna uma ameaça aos humanos próximos. Neste campo, em geral, pode-se usar primordialmente dois caminhos: o da possessão (Chucky, Tiffany, Anabelle, Boneca Assassina, Christine, entre outros) ou o da inteligência artificial que se rebela contra a humanidade (T-101, o super-computador de “Superman 3”, o próprio Chucky da versão de 2018 de “Brinquedo Assassino”, etc.). Há, ainda, a possibilidade de mesclar a tecnologia com forças sobrenaturais, como visto em “Comboio do Terror”.

Megan, a boneca robótica do filme homônimo, entra no segundo grupo. Ela foi produzida para ser uma aliada aos pais na criação dos filhos, mas como já visto infinitamente em filmes do gênero, algo dá errado em sua programação e a criatura ganha  uma vida disposta a aniquilar os que a rodeiam.

O que há de novo em Megan, então? O jeito de narrar a história pode ser um dos fatores. O carisma das antagonistas também: tanto a menina órfã que precisa urgentemente de atenção e carinho, quanto a boneca monstrenga que precisa urgentemente “fazer justiça” com as próprias mãos robóticas.

Une-se às duas, a criadora de Megan e tia da menina. Uma mulher tão focada no trabalho que passa a se esquivar das suas tarefas mais primordiais, como dar afeto à sobrinha.

O filme flerta com o slasher oitentista, gênero que popularizou e consolidou vários dos personagens citados no começo deste texto e, pasmem, traz também uma pegada mais psicológica, dando profundidade a vários personagens, algo raro no gênero conhecido por fazer as pessoas aparecerem na tela apenas para morrerem minutos depois.

Temos uma construção excelente da protagonista Cady (Violet McGraw), mostrando um pouco da sua vida antes de ir morar com a tia. Entendemos várias nuances da personagem com as cenas iniciais do filme. O mesmo se pode dizer de Gemma (Alisson Williams), a idealizadora da boneca. A criatura, aliás, é defendida pelas atrizes Amie Donald e Jeena Davis, que trazem um realismo essencial aos efeitos animatrônicos/CGI.

O longa apresenta boas e sangrentas sequências de morte, além de subtramas com os personagens coadjuvantes que enriquecem a narrativa. Uma ou outra situação soa fora do lugar, mas nada que prejudique o conjunto da obra.

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COTAÇÃO POR OSSOS: 9,5

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