A busca por prazer e autoconfiança em “Boa sorte, Leo Grande” 

 Marcos Tadeu Magalhães Júnior

Boa sorte, Leo Grande” aborda de maneira madura e sensível a jornada de uma mulher madura em busca do seu prazer. O longa chega aos cinemas brasileiros no dia 28 de Julho de 2022, quinta feira.

Na história conhecemos Nancy, uma professor viúva aposentada que contrata um jovem garoto de programa Leo Grande, após viver uma vida de casada, sem graça e sem prazer. É com muita sensibilidade que o longa começa a mostrar os desafios de ser viúva e se mostrar aberta a novas relações. A protagonista sempre foi acostumada a fazer o sexo, apenas de uma forma que caisse na rotina e nem teve como inovar devido as tradições do seu falecido marido. É muito forte a forma que Nancy questiona o sentir prazer e  ao mesmo tempo por em cheque os motivos de contratar um garoto de progrma, para professora de religião que no primeiro momento julga isso como hipocrisia e amoralidade por ceder ao prazer e principalmente a forma que se discute com o garoto de programa seus empasses sobre o fazer sexo.

Leo Grande é um garoto de programa que esta mais interessado em saber mais da mulher por trás de Nancy e a trata com muito respeito. Essa relação é muito mais terapêutica para Nancy que para Leo mas mesmo em posicionamentos tão distintos, eles conseguem se complementar.

A obra busca mostrar também a questão de como a mulher percebe o seu próprio corpo e muita das vezes sente vergonha por ser mais madura, Leo Grande tem um papel fundamental em ser um instrumento não somente sexual mas emocional a respeito de Nancy. A professora precisa perceber que seu corpo pode e deve receber prazer por sí própria e ser desejada por alguém, mesmo que viveu uma relação casada, muitas vezes caiu na zona de conforto e entre quatro paredes isso acabou se perdendo

Sem dúvida, um grande diferencial do filme, são pouquíssimas locações, quarto e sala, mérito do designer de produção e um ótimo roteiro muito preciso de  Katy Brand que faz um texto realista, sútil, sensível. A fotografia de Bryan Mason também chama a atenção, em toda a sua condução, vemos tons claros e suaves m em cena além de ângulos close-ups que ajudam a expressar todo drama de Nancy

Destaco para a atuação incrível de Emma Thompson que consegue mostrar desde o seu lado forte até a sua fragilidade em descobrir o prazer e a forma de se encontrar confiante quando o assunto é sua própria sexualidade.Daryl McCormack não fica muito atrás, Leo é um personagem que tem que aprender a lidar com os dilemas de Nancy e mesmo confrontado faz isso com muita maestria e empatia.

Tudo é muito sutil em tela, principalmente as coreografias de sexo, existe um olhar inocente que faz com que o público olhe para os dois em tela com muito carinho e empatia.

Talvez o que deixe a desejar é a falta de flashbacks dos personagens, sabemos do seu passado mas só do que é falado, ver a relação de Nancy com o seu marido e o que deixou ela insegura em suas questões seria um ótimo complemento, isso acaba que fica só na subjetividade do público pensar cada um a sua forma.

“Boa sorte, Leo Grande” é um filme que discorre sobre a liberdade de entender os limites do seu corpo e do prazer que ele oferece, é uma obra que trata com muita maturidade a busca por um verdadeiro orgasmo que na maioria das vezes é colocado como falso somente para agradar o homem e aqui a protagonista aprende o prazer da beleza no amor próprio.–

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