CRÍTICA: BATMAN

Novo longa do herói da DC resgata clima sombrio que o consagrou como “Cavaleiro das Trevas”

Antônio Pedro de Souza

            Um dos heróis mais populares do universo da DC Comics, ao lado de Superman, Batman ganha novo filme abordando um viés mais trágico e humano da vida dos moradores de Gotham City. Estrelado por Robert Pattinson (“Crepúsculo”, “Lembranças”), o novo longa resgata o clima sombrio visto em HQs e na adaptação de Tim Burton, que o consagrou nos cinemas na virada das décadas de 1980 para 1990. Melhor: corrige a Gotham ensolarada vista em boa parte de “Batman Begins”, de Christopher Nolan. Aqui, Gotham já está carcomida pelo crime e se apresenta de maneira decadente, sombria, como sempre pareceu ter sido.

            O filme é longo, talvez até demais: 2h55, mas não cansa tanto quanto algumas sequências vistas da filmografia do morcego até aqui. Desta vez, o roteiro ajuda a manter o ritmo ágil da narrativa e a edição é bem feita, dando um clima e um charme indispensáveis para a trama. Percebe-se também um uso maior de efeitos práticos, o que melhora e muito a visão de um Batman exageradamente computadorizado, como visto na trilogia do Cavaleiro das Trevas e nos recentes encontros com Superman e Liga da Justiça.

            Robert Pattinson se entrega de corpo e alma ao papel, mostrando o lado humano, mas não tão humanizado, do vigilante noturno de Gotham. O ator soube dosar a melancolia, a vingança e a busca por justiça. Ele está irretocável na pele de Bruce Wayne e sob a armadura de Batman.

            Destaque ainda para Zöe Kravitz, intérprete da não menos lendária Mulher-Gato. Ela busca vingança contra os maiores criminosos da região e, vez ou outra, uma de suas vidas se choca com a do homem morcego.

            O filme traz, ainda, outros dois personagens icônicos do universo dos quadrinhos: Charada e Pinguim, com origens mais humanas que as vistas nas versões dos anos 1990.

A trilha sonora é outro fator positivo: embalam as principais cenas, clássicos imortais e de fácil reconhecimento. O Batmóvel, conforme adiantado por produtores do longa, foi levemente inspirado em “Christine”, lendário carro assassino criado por Stephen King, e sua primeira aparição no filme é digna de uma sequência de John Carpenter.

            Entre uma referência e outra, o diretor Matt Reeves vai construindo o filme, dando a ele ritmo e despertando a atenção do espectador, chegando a um clímax favorável, sem precisar abrir mão de uma coerência narrativa e sem lançar mão de reviravoltas mirabolantes para favorecer este ou aquele personagem.

                        Vale ressaltar, porém, dois pontos negativos no filme: o primeiro é a já citada duração: dava pra ter contado tudo em apenas duas horas ou duas horas e meia. O segundo é a mudança drástica na história de Thomas Wayne. Algo que também aconteceu com o personagem Coringa, em seu filme solo. Essas mudanças em personagens já consagrados não acrescentam nada à mitologia e pode abrir precedentes perigosos em futuras continuações/refilmagens.

            Fora isso, “Batman” é uma grata surpresa da Warner/DC, que abre muitas possibilidades para o morcegão a partir de agora.

Cotação por ossos: 9,0

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Foto: Divulgação Warner Bros./UCI Cinemas/Palavra Comunicação

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