Crítica: Belfast

O filme chega ao Oscar 2022 aclamado por público e critica disputando 7 categorias da premiação

Tatiane Barroso

Belfast poderia ser um filme dramático sobre o conflito entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte, período do qual ficou conhecido com The Troubles. Mas seu idealizador e diretor Kenneth Branagh optou em nos apresentar um drama de amadurecimento com contornos autobiográficos. Sem dúvida esse é trabalho mais intimista Kenneth, onde o próprio visita à sua infância no conturbado final da década de 60 em Belstast. Sobre a ótica do personagem principal Buddy (Jude Hill), um garotinho de 9 anos doce e gentil, acompanhamos a sua rotina infantil, bem com seu relacionamento familiar, o início do The Troubles e o impacto que esse ultimo terá em suas vidas.

O filme não se aprofunda nas questões sociopolíticos da época, e por uma escolha do diretor o conflito entre católicos e protestantes transita entre personagem e pano de fundo para o desenrolar da história. O diretor optou em focar no cotidiano familiar e como as pessoas dessa família lidaram com os acontecimentos a sua volta. Kenneth abre o filme com uma belíssima panorâmica da Belfast atual até chegar em um muro onde a transição do colorido para o preto e branco acontece e somos transportados para década de 60. Em alguns momentos específicos do filme o diretor volta a usar as cores como um indicativo de esperança em contraponto aos momentos de caos.

A proposta intimista e autobiográfica de Kenneth faz com seu filme seja comparado com Roma do diretor Alfonso Cuarón ganhador do Oscar de Melhor filme estrangeiro em 2019. Ambos são filmados em preto e branco e retratam um monte específico de suas vidas e seus respectivos países. Porém, a diferença do filme de Cuarón está na perspectiva de um olhar adulto aos fatos ocorrido em sua infância. Jà Kenneth escolhe olhar de sua criança para conduzir a sua narrativa. Tal escolha não prejudicaria o filme, contudo as ações dos personagens adultos às vezes são pautadas por ótica.

O núcleo familiar é composto por Will (Lewis McAskie) o irmão mais velho; Ma (Caitriona Balfe) uma mãe zelosa e amorosa que extremamente preocupa com as dívidas e a situação financeira da família; Pa(Jamie Dornan) amável pai que passa a semana trabalhando em Londres e mesmo diante da dificuldade financeira retorno nos finais de semana para casa. Já Granny (Judi Dinch) e Pop (Ciaran Hinds) são avós amorosos que enche o neto de carinho e bons conselhos. Mesmo a família, de Buddy sendo protestante, isso não é empecilho para bom relacionamento com os vizinhos católicos. É até divertido ver como o garoto se comporta dentro de uma Igreja e sua falta de entendimento sobre se confessar com um padre.

Kenneth ao longo das 139 minutos de filme vai nos dando pequenas pistas do que o influenciou e formou enquanto ator, diretor e roteirista bem como nos mostra o seu amor pelo cinema. Belfast chega ao Oscar 2022 aclamado por público e critica disputando 7 categorias da premiação sendo 2 de maior prestígio Melhor Filme e Melhor Diretor.

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