“Marighella” expõe período sombrio pelo qual o Brasil passou

Filme estrelado por Seu Jorge e dirigido por Wagner Moura reconta um dos episódios mais intrigantes da história do país

Antônio Pedro de Souza

            Chega aos cinemas, depois de muito boicote por parte do governo e seus seguidores, o longa Marighella, estrelado por Seu Jorge e dirigido por Wagner Moura. O filme é um clássico instantâneo, bem feito em todos os sentidos: da escolha da trilha aos diálogos, das atuações à edição, tudo se encaixa perfeitamente no longa.

            A história gira em torno de Carlos Marighella, deputado e escritor brasileiro que perde seus direitos políticos e civis após o golpe militar de 1964. A trama se divide, então, em dois tempos: Segunda metade da década de 1960, com Carlos lutando para manter seu filho seguro e quatro anos depois, com seu filho já adolescente, entendendo melhor a posição política do pai.

            Na primeira parte, Carlos é preso em um cinema, baleado e torturado (a cena da tortura não é mostrada, o que aumenta a tensão no espectador).

            Anos depois, já fora da cadeia, Carlos é considerado um dos homens mais perigosos do Brasil, enquanto fora do país ele é visto como um exemplo da resistência pela democracia.

            Completam o time os atores Humberto Carrão, como o jovem revolucionário Humberto, que tem uma das cenas mais emblemáticas da projeção; Bella Camero como Bella, moça de classe média alta que entra na luta armada contra a ditadura; e ainda participações de Herson Capri, como Jorge Salles; Luiz Carlos Vasconcelos, como Almir; e Bruno Gagliasso como Lúcio, um delegado que faz de tudo para interromper a luta de Carlos Marighella.

            Uma das cenas mais fortes do filme é o momento em que um dos jovens que lutam contra a ditadura é eletrocutado, nu, enquanto policiais cantam e debocham dele. Outro momento que merece atenção é uma cena próxima do fim do filme, em que o personagem Lúcio presta um depoimento claramente mentiroso e, ao se levantar, a câmera foca numa placa na parede onde se lê: “Brasil: Verdade e Justiça”.

            Enfim, “Marighella” é um retrato bem feito de um dos períodos mais sombrios da história do Brasil. Período esse que precisa ser constantemente lembrado, para não ser repetido, por mais que a história queira ser cíclica…

***

Cotação por ossos:

10

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