Crítica: O Último Duelo

O filme consegue entregar uma boa história e discutir questões importantes que já vem de séculos diferentes, mas ainda são presentes em nossa sociedade

Marcos Tadeu

            Assinado por Ridley Scott, mesmo diretor de “Gladiador” e “Cruzada”, o seu mais novo longa “O Último Duelo” consegue mostrar a luta de uma mulher que sofre abusos em uma sociedade totalmente machista e opressora. Baseado na obra homônima de Eric Jager.

            O pano de fundo da trama se passa no século XIV, na França no auge da Guerra dos Cem Anos e tem como ponto de partida dois amigos: o cavaleiro Jean de Carrouges (Matt Deamon) e Jacques Le Gris (Adam Driver), que por vários motivos são separados pela guerra. A questão do duelo aqui acontece de maneira interessante, depois de vários anos sem existir o duelo, somente quando Carrouges decide enfrentar a corte e clamar por um julgamento para provar a verdade dos fatos no caso de estupro e como isso deve acontecer, é ai que o filme fecha suas pontas soltas.

            O filme praticamente apresenta os personagens em capítulos, e isso é um grande acerto para a trama, assim conhecemos cada personagem e suas verdadeiras motivações. Ao explorar mais da vida de Carrouges, entendemos como ele sempre fez muito pelo país e sempre se mostrou disposto a fazer de tudo para o Rei, por mais que não concordasse com algumas posturas da autoridade. Do outro lado, conhecemos Jacuqes Le Gris, um cara mais boêmio e amigo do Conde Pierre d’Alençon que mantém uma índole questionável. Mas o que realmente chama atenção é o papel e o protagonismo de Marguerite (Jodie Comer) ao fazer o seu difícil e duro relato sobre ser estuprada e de lutar por uma causa em uma sociedade totalmente machista

            Destaco também a fotografia de Dariusz Wolski chama bastante atenção, ela funciona como o fato de comprovar as versões de todos os personagens, enquanto na versão de Marguerite é uma versão mais palpável e perto do real, isso ajuda a encarar a trama de outra forma.

            Sem sombra de dúvida, as atuações é um outro fator que faz com que o espectador fique engajado, mesmo aparecendo em cenas pontuais, o Conde Pierre, interpretado por Afleck, consegue trazer um personagem denso, cheio de camadas e que quer impor a sua vontade principalmente para as mulheres, me arrisco a dizer que foi uma atuação marcante e pode concorrer a prêmios, principalmente uma vaga no Oscar. Adan Driver e Matt Deamon também faz juz aos personagens, Le Griss e Carrouges conseguem mostrar a boa química desde o começo da amizade e até os motivos que levaram ambos se tornarem rivais. Claro que não poderia deixar de mencionar a incrível atuação de de Jodie Comer que da um show de atuação com  Marguerithe, desde o seu casamento arranjado, os dramas de seu casamento e o próprio ato do estrupo, mostra a força que essa mulher precisou para se posicionar em meio a uma sociedade que não se importava com mulheres.

            Agora vamos analisar a postura de Margueritte e como ela se faz presente, apesar de aparecer nas outras duas versões que conseguiram chamar atenção tanto de Le Griss, como de Carrouges, sua versão fala de uma mulher que decide falar sobre algo tão difícil e que muitas mulheres na época que também sofreram abuso, decidem se calar para continuar mantendo posses, Margueritte é uma personagem riquíssima que aborda isso de forma densa e crua, disposta até se sacrificar, caso o que falasse fosse uma mentira. Muito me chama a atenção também a dificuldade de engravidar e todo o processo para isso, mas quando ela realmente esta nessa espera de um filho que não sabemos se é do fruto do estupro ou de Carrouges, essa mulher muda totalmente, a sua fala, entonação e a forma como decide lutar por ela e principalmente pelo filho, que nem se sabe se irá cuidar ou não.

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Cotação por ossos: 8

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