[Análise] Missão: Impossível – Efeito Fallout

Yasmine Evaristo

Que elementos um filme precisa ter para ser um bom filme de ação? Mocinho carismático, uma boa equipe, vilões e/ou antagonistas, conflitos, disputa de egos, disputas pelo poder, sequências de ação memoráveis e uma trilha sonora que mantenha a atenção. Na sexta parte da franquia Missão Impossível existem todos esses elementos distribuídos em duas horas e meia  de projeção. Some essas característica citadas ao que já foi utilizado nos filmes anteriores – máscaras e dispositivos de vozes como disfarce, escaladas e saltos de prédios ou abismos, perseguições aceleradas em automóveis e muitos “planos infalíveis”. O resultado é um produto de máxima qualidade. Um filme daqueles que provoca tensão suor nas mãos e um aceleramento intenso no coração.

Partindo do filme anterior, “Missão Impossível – Nação Secreta”, nesse Ethan Hunt se encontra ainda no IMF, a frente de suas missões. Eis que surge a necessidade dele agir no resgate de uma carga de plutônio.  Este o gatilho para o início da aventura. Hunt e sua equipe preciso impedir que o plutônio chegue às mãos de um grupo extremista, intitulado de Apóstolos liderado por John Lake. Esses terroristas acreditam que o extermínio de parte da população mundial é a resolução para o problema do planeta. Seu lema é baseado na ideia de que para se ter paz é preciso provocar muita dor.

Nessa missão de resgate, os planos de Ethan dão errado e ele precisa optar entre salvar a vida de Luther ou a carga. Ele escolhe o amigo e, com isso, se envolve em problemas (e quando é que ele não se envolve em problemas?). Daí em diante o filme mergulha em ações para resgatar a arma biológica, mas também em testar a idoneidade de Hunt. Como no primeiro filme da série, o agente é suspeito de ser um infiltrado na própria instituição. A partir desse ponto o filme todo se desenvolverá entre relações de ética e amizade, vaidade e vingança, afirmações de poder e ambiguidades.

Mesmo sendo todo estruturado em clichês e mantendo a aura de bom moço do personagem de Cruise, o filme não decai. É engraçado dizer isso, pois em vários outros títulos eu espero uma reviravolta na qual o bom moço se transmute em um calhorda. Mas, não é o que eu sinto ao ver essa série. Em meu imaginário Hunt é o exemplo máximo de perseverança e bondade do cinema de ação atual.

Desde a mudança no perfil de Ethan, de vingador (“Missão Impossível”, 1996) e galanteador (“Missão Impossível 2”, 2000), para um homem apaixonado (“Missão Impossível 3”, 2006), os filmes que seguiram mantém essa personalidade que o agente foi adquirindo. A cada novo capítulo, ao seu senso de justiça é adicionado o amor por seus amigos/equipe. Nesse filme não poderia ser diferente e a narrativa apresenta em seu desenvolvimento, situações em que ele precisa decidir pelo bem estar do mundo ou de seus entes queridos. Sua bondade, acaba se tornando seu maior inimigo.

Com relação a ação do filme mais uma vez o diretor Christopher McQuarrie fez escolhas acertadas. Não há uma sequencia que não seja “de tirar o fôlego”. Mesmo diante de situações complexas que serão, obviamente, bem resolvidas somos levados a ter picos de adrenalina. O trabalho feito com relação a escolha de locações, edição, mixagem de som e fotografia são tão bem acertados que permitem ao espectador adentrar naquele “mundo” e – de certa maneira – correr os riscos das personagens.

Não há uma cena de ação que não te “arrepie”. Atentem para briga dentro do banheiro, em um ambiente que chega a “arder as vistas” de tão branco, tomado por uma espécie de silêncio (comparado ao ambiente externo, onde ocorre uma rave), que é muito mais intensa do que apresenta o trailer Amém!. Destaco também a perseguição pelas ruas de Paris e, claro, a sequência dos helicópteros nos céus da Caxemira, que são o clímax das resoluções da história.

“Missão Impossível: Efeito Fallout” comprova que cinema de ação não é mero entretenimento e sim uma oportunidade de apreciar a qualidade de um filme bem acabado, mesmo que ele não apresente situações reais. Aceite a missão e, assista ao filme no cinema.

Essa mensagem se autodestruirá em 5… 4… 3… 2… 1… BUUUUM!!!

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Este texto foi publicado originalmente pelo site “Entrando Numa Fria” em 31/07/2018, época de lançamento do filme nos cinemas. Sua republicação no blog Projeto Lumi se deu por conta de sua primeira exibição na TV aberta brasileira, em 18/01/2021, dentro da sessão “Tela Quente”, da Rede Globo.

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