Lembranças do inferno: Uma longa análise de “Sexta-Feira 13” e “A Hora do Pesadelo”

LEIA AQUI A INTRODUÇÃO
Antônio Pedro de Souza
PARTE 1 – SEXTA-FEIRA 13
SEXTA-FEIRA 13
Ano de Lançamento: 1980

Demorei a assistir essa primeira parte de “Sexta-Feira 13”. Na verdade, li os textos do Felipe antes de vê-la, mas já sabia que Jason não era o grande assassino aqui.  No entanto, é um baita filme que merece ser visto e consegue dar uma certa apreensão. Hoje, passados 40 anos do lançamento original, fica bem claro o interesse dos produtores à época: imitar sucessos como “Halloween” e “A Profecia”. Explica-se: em 1976, a Fox lançou “A Profecia”, filme de terror que encheu os cofres da empresa. Em 1978, a Warner lançou o aclamadíssimo “Superman”, com o mesmo diretor de efeitos especiais do filme de terror da Fox. No mesmo ano, por uma pequena produtora, John Carpenter e Debra Hill apresentavam ao mundo seu filme de terror barato, “Halloween”, que fez um tremendo sucesso. A Paramount, então, decidiu que precisava de algo popular – que fizesse sucesso e desse dinheiro como “Superman” e “A Profecia”, mas que fosse barato como “Halloween”.

Eles tentaram, primeiro, um filme “familiar”, em 1979: algo sobre um time esportivo. O filme não decolou nas bilheterias. Então, os olhos voltaram para “Halloween” e outras produções em lançamento na mesma linha. Assim, Sean S. Cunninghan, pensou no nome e no logo: “Sexta-Feira 13”. Publicou um anúncio na revista “Variety” e correu para registar o nome. Na verdade, havia outro projeto com título parecido e um subtítulo, mas Sean conseguiu contornar a situação.

Começaram então as filmagens do que seria o primeiro de uma longa história cinematográfica. No elenco, apenas Betsy Palmer era realmente conhecida, mas sua contratação não foi imediata. Por isso, nas cenas em que “o assassino” é visto de longe ou somente as mãos e pés, não é ela realmente. No making-of do DVD, inclusive, os produtores afirmam que uma porção de gente deu vida à senhora Voorhees na primeira hora do filme: os câmeras, o diretor, o assistente, etc.

Adriene King, que vive a mocinha, e Kevin Bacon, uma das vítimas, ainda não eram conhecidos do grande público quando o filme foi lançado.

Enredo:
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A primeira vítima de “mamãe Voorhees” – Todas as imagens são de reprodução do DVD.

“Acampamento do Lago Cristal (Acampamento do Crystal Lake – dependendo da dublagem/adaptação aqui no Brasil), 1958”. Vários monitores cantam numa sala. Um casal se distancia e vai para o sótão. Lá, começam a fazer sexo. Quando alguém aparece, o rapaz ainda tenta se explicar: “Não estamos fazendo nada. Só estamos…” sua voz é cortada por uma facada que lhe acerta o estômago. A moça que o acompanha grita, joga alguns objetos na pessoa com a faca na mão, mas logo seu grito fica mais agudo.  A imagem congela, a tela embranquece, depois escurece, e o logo “Sexta-Feira 13” vem de encontro com o espectador, quebrando uma vidraça.

Entram os créditos iniciais e, quando a imagem ressurge, somos apresentados à pequena cidade que leva o nome do lago. Um letreiro indica a data: “Sexta-Feira, 13 de junho, tempo presente”. O “tempo presente” de então é 1980. Há uma incoerência de datas aqui: o filme foi, em parte, gravado em 1979 e lançado em maio de 1980. Inicialmente, se credita a data como a sexta-feira 13 de junho de 1980 mesmo. No entanto, alguns críticos e alguns produtores afirmam que a história se passa em 1979, isso é corroborado em uma das sequências da série, em que vemos o túmulo da mãe de Jason com a data de morte em 79. Porém, não houve sexta-feira 13 em junho daquele ano, mas sim, em 1980.

Aliás, cronologia em Sexta-Feira 13 (bem como em “A Hora do Pesadelo”), é algo totalmente aleatório. Muitas datas não batem, muitos eventos se chocam, mas tentando seguir uma linha, vamos deixar os acontecimentos deste primeiro filme como ocorridos em junho de 1980.

Pois bem, Annie chega à pequena cidade e entra em uma lanchonete. O engraçado é que a cidade parece pequena, mas nunca é a mesma lanchonete mostrada nos filmes. Nem mesmo neste primeiro filme…

Annie pergunta sobre o acampamento do Lago Cristal e os clientes olham desconfiados. Uma mulher desdenha: “Acampamento de Sangue? Vão reabrir aquele lugar?”. Annie insiste: “Tem algum ônibus pra lá?” ao qual a atendente responde: “Duvido muito.” E, virando-se para um caminhoneiro: “Enos, você vai passar lá perto. Poderia dar uma carona até a estrada? Já é meio caminho andado.” Enos concorda e eles seguem para o caminhão. É então que Ralph faz sua primeira aparição.

Quem é Ralph? O velho “louco” da cidade. É ele quem tenta avisar à Annie que ela corre perigo se aceitar o trabalho em Crystal Lake. Bem, ela não dá a mínima e pega carona com Enos. No caminho, o próprio Enos resume os eventos ocorridos no local: um garoto se afogou em 1957, um casal foi assassinado em 1958 e o local foi fechado. Anos depois, numa tentativa de reabri-lo, descobriu-se uma contaminação da água. Além de incêndios constantes. Pronto! O lugar é tido como amaldiçoado e Steve Christie nunca deveria pensar em reabrir aquilo! Esta cena, aliás, guarda uma curiosidade: grande parte dela foi filmada em duas vezes: primeiro com Annie, depois com Enos. As imagens de ambos foram alternadas, dando a sensação de diálogo dentro do caminhão.

Annie agradece as informações, mas segue firme na ideia de ser a cozinheira do acampamento. Enos a deixa na estrada, próximo ao cemitério da cidade. Neste momento, somos apresentados aos demais integrantes da equipe de Steve: um carro cruza a estrada levando Marcie, Ned e Jack. Eles chegam à Crystal Lake e conhecem Steve, dono do lugar, e Alice. Ela, por sua vez, nos leva a Bill e Brenda. Assim, conhecemos toda a equipe que deve pôr ordem no lugar.

Há três pontos interessantes aqui: o primeiro é o relacionamento confuso entre Alice e Steve. Ele tem idade para ser pai da moça, mas está evidentemente interessado nela. Ela, por sua vez, e esquiva dele e se sente atraída por Bill, rapaz de idade compatível à dela. Sabemos, nesse primeiro momento, que ela está disposta a deixar o acampamento (talvez, devido a um assédio de Steve?), mas ele a convence ficar, pelo menos, por mais uma semana. Ou seja, até a sexta-feira, 20 de junho. Inclusive, vale uma informação importante que nos ajudará a lidar com o filme 2: Alice diz que talvez deva voltar à Califórnia para resolver um assunto. Minutos depois, em conversa com Bill, este a pergunta se ela ficará até o fim do verão e ela responde: “Não sei se estarei aqui até a próxima semana!”. Realmente, sabemos agora que ela não ficaria nem até a semana acabar…

O segundo ponto é o suspense que esse primeiro filme consegue gerar no público: Quando Alice está conversando com Bill, alguém parece os observar por trás das árvores, perto do píer. Quando Alice diz que “a garota que devia cozinhar ainda não chegou”, a “câmera” se esconde atrás de uma árvore, enquanto Alice vai embora.

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O jovem Bill exibe seus músculos para a inocente e indecisa Alice.

Por fim, o terceiro ponto que vale a pena ser falado é sobre a diferença de como são mostrados – ao menos neste primeiro momento – os corpos dos personagens femininos e masculinos: em geral, nos filmes de terror slashers, o corpo feminino é exibido de maneira quase erótica – cenas de Halloween e Halloween II confirmam essa tendência, apesar da existência das “regras de filmes de terror”, lembradas em Pânico: ou seja, a protagonista – geralmente virgem – nunca vai mostrar os seios! Mas suas amigas se mostram o tempo todo. Curiosamente, nesses minutos iniciais de Sexta-Feira 13, são os homens os “exibicionistas”: No carro, Jack aparece com a camisa abaixada, enquanto Marcie lhe faz uma massagem. Ao se aproximar de Alice, Steve está sem camisa e, quando ela vai atrás de Bill, o rapaz traja um macacão, mas também está sem camisa. As moças, até esse momento, estão até com muita roupa: camisas de manga comprida e calças. Não dá pra ter certeza se a intenção inicial era tentar uma tática diferente com Sexta-Feira 13, talvez iniciando um novo tipo de slasher movie, onde o foco seria o público feminino ou tudo não passa de uma simples coincidência de edição mesmo.

O fato é que esse primeiro filme da série, embora tenha pegado carona no sucesso de Halloween, conseguiu criar muita coisa nova e passou a ser o ponto de referência para produções que foram feitas a partir daí. Tanto em relação ao roteiro, quanto em relação aos efeitos e maquiagem. Além, claro, de “mortes criativas”.

Voltando à história, Steve sai em seu jipe, dizendo que precisa ir à cidade resolver umas pendências. Annie segue “pela estrada afora” rumo ao acampamento. Um jipe passa por ela, para, e resolve lhe dar carona. No quesito “suspense”, esse primeiro filme da franquia é imbatível em criar o perturbador clima do “quem matou?”. Sabemos que Steve e Alice têm um relacionamento conturbado. Sabemos que a fama do lugar é maldita. Sabemos que um crime aconteceu no passado. Mas quem está fazendo isso e por quê? Steve, óbvio, é nosso primeiro suspeito. Ele parece amedrontar Alice nas poucas cenas em que os dois contracenam. E ele tem um jipe…

Bem, Annie pega carona com um jipe e fala pelos cotovelos sobre seu sonho de cuidar de crianças no acampamento. O carro passa pela entrada de Crystal Lake e… não para! Assustada, a moça começa a pedir para o motorista diminuir a velocidade, mas isso não acontece. Ela, então, salta do veículo em movimento.

Lembro-me da primeira vez que vi esse filme (já havia assistido a vários outros da franquia, mas não esse). Estava em casa com meu avô e levamos um susto quando a Annie pulou do carro! Meu avô disse: “Nossa! Ela pulou mesmo! Agora vai ter que correr.” E Annie corre, ou melhor, manca rumo ao meio da floresta, enquanto alguém a persegue. Essa cena deu trabalho para ser filmada: a atriz que deu vida à Annie estava no estúdio improvisado no acampamento que serviu de locação para Crystal Lake com a equipe de maquiagem a preparando para a cena. Enquanto isso, a equipe de filmagem montava o equipamento no meio do mato para filmar a morte da personagem. A equipe de filmagem precisava colar os apetrechos que fariam a “garganta cortada” de Annie em seu pescoço e leva-la para o local. Era um trabalho demorado. Então, a equipe de filmagem liga o rádio e diz que precisavam chegar logo ao local para gravar, pois o sol estava começando a se pôr. A atriz é colocada em uma moto e levada às pressas ao matagal onde seria “morta”.

Na tela, depois de pular do carro, Annie corre em direção à floresta e alguém a persegue. A pessoa desvia e segue um outro caminho. Annie continua correndo, tropeça e cai – clichê típico desse tipo de filme a partir daqui. Quando tenta se levantar, vê seu algoz se aproximando, tenta pedir clemência, encosta no troco de uma árvore – início de uma longa tradição nas vítimas do Crystal Lake – e tem a garganta cortada por uma faca. Somente.

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Annie é morta no matagal

De volta ao acampamento, os jovens monitores aproveitam o fim da manhã de sol para pegar um bronzeado no lago. Entra aí, outro clichê que se tornaria típico desses filmes – em especial, da própria Sexta-Feira 13 – o jovem bobão que sempre quer chamar a atenção, geralmente com brincadeiras que beiram o Ensino Fundamental I.

No caso deste filme, o jovem que preenche esta vaga é Ned. Enquanto todos se banham no lago e pegam um bronzeado no píer, Ned resolve que é legal simular um afogamento. Nesta cena, inclusive, temos a primeira aparição em trajes de banho do elenco feminino. As moças usam biquínis e os rapazes, que já haviam aparecido sem camisa nos primeiros minutos, continuam exibindo seus corpos, agora de sunga.

Enfim, Ned “se afoga” no lago apenas para ganhar uma respiração boca a boca de Brenda. Temos aqui, a formação dos três “casais prováveis” do filme: Marcie e Jack, Alice e Bill, Ned e Brenda. Embora esse último, não venha a se tornar, efetivamente, um casal.

Enquanto o rapaz faz essa brincadeira de gosto duvidoso, alguém os observa por trás das árvores. A cena, em si, é tão exagerada quanto a brincadeira do Ned: pra começar, ele finge o afogamento a uma distância pequena do píer, mas enquanto Jack e Brenda pulam na água para tentar salvá-lo, Bill e Marcie pegam uma canoa e começam a dar voltas em torno do local em que ele, supostamente, afundou. E Alice? Bem, ela surge correndo pelas tábuas do píer com uma boia na mão e a joga, aleatoriamente, a poucos centímetros da borda. Tão poucos centímetros, que a boia volta sozinha e se choca com a madeira. Neste momento, Ned e Brenda já acharam Ned e o levam “desmaiado” para o píer, onde a moça lhe aplica a respiração boca a boca, a qual ele responde com um beijo! Todos se irritam, mas logo começam a rir da “traquinagem” do cara. Vergonha alheia, hein?

Minutos depois, Alice está em sua cabana, se secando, quando uma cobra aparece. Ela grita e o animal se esconde embaixo da cama. Tem início outra cena bobinha, que serve apenas para mostrar que aqueles jovens não estão preparados para lidar com a complexidade de um acampamento de verão no meio do nada. Pra começar, todos entram afobadamente no recinto e fecham a porta (!). Sério? E se fosse o assassino misterioso ali? Ou se a tal cobra fosse bem venenosa? Bem, eles resolvem olhar embaixo da cama e Alice tem a brilhante ideia de dizer para Bill “chamar a cobra”. Depois de quebrarem alguns objetos, a cobra sai do esconderijo e Bill a acerta com o facão. Marcie, então, diz: “Pelo menos teremos alguma coisa para comer.” Por incrível que pareça, essa fala nem soa tão mal assim. Isso porque conseguiu simular bem a situação pretendida: ou seja, uma conversa juvenil, em meio a uma situação incomum: eles estão presos no meio do nada, já que Steve levou o jipe, e a moça que deveria cozinhar não apareceu ainda.

Por falar em Steve, onde ele está? Ninguém sabe. O que aumentam nossas suspeitas sobre ele. Afinal, ele foi o único a sair de carro e um carro interceptou Annie no meio do caminho, culminando com sua morte. Steve ia para a cidade, mas não o vemos lá. Vemos, no entanto, uma sombra espiando os garotos por trás das árvores do acampamento.

Em meio a esse pequeno caos de acontecimentos cotidianos, temos um suspense crescente em cena. Sabemos que o dia está correndo, há uma previsão de chuva nas próximas horas e fomos informados pelo rádio no começo do filme que se trata de uma sexta-feira 13… Logo, sabemos que algo acontecerá.

O interessante é que esses acontecimentos cotidianos, aparentemente bobos, vão nos dando esse clima de mistério que o filme precisa – e, mais uma vez, percebemos a influência de Halloween aqui.

Depois do susto da cobra, Marcie e Brenda discutem sobre a refeição quando um policial chega ao lugar. Temos outro momento de palhaçada gratuita de Ned: ele sai de cueca pelo acampamento imitando um índio e leva um “sabão” do policial. O oficial informa a eles que um tal de Ralph pode aparecer por aquelas regiões pregando o “fim do mundo”. Caso o virem, devem chamar a polícia.

Após a saída do guarda, Alice vai à despensa e bam! Descobre Ralph! O homem automaticamente diz que todos irão morrer. Temos nosso “suspeito 2”. Será? Os jovens, então, vão preparar as refeições e se descobrem sem energia elétrica. Jack diz que Steve o ensinou a ligar o gerador e parte para o local com Marcie e Bill. Brenda, Ned e Alice permanecem na cozinha. Os três que partiram ligam o motor e a luz é restabelecida. Passamos da marca dos trinta minutos neste ponto e o filme está extremamente calmo – com exceção dos assassinatos mostrados na introdução e da morte de Annie, na floresta. Há, claro, um clima crescente de tensão, mas nada é apressado, jogado na tela na cara do espectador sem um propósito. É como uma montagem delicada de um quebra-cabeças de mil peças ou, como os próprios produtores sugeriram na época do lançamento: um passeio de montanha-russa! Estamos na parte da subida: lenta, crescente, gostosa, mas que aumenta gradativamente o frio na barriga do que está por vir.

Se fôssemos dividir o filme em uma minissérie de três capítulos, o primeiro seguimento terminaria exatamente aqui, com a luz sendo restabelecida e Marcie e Jack andando pelas margens do lago. Ned está mais pra frente, equilibrando-se em algumas pedras. Marcie diz a Jack que o ama, mas tem o problema do Ned. Jack brinca: “Mas eu não amo o Ned.” Os dois sorriem e se beijam. Ned vê uma sombra perto de uma das cabanas e vai atrás.

Marcie e Jack veem a chuva se aproximar e ela narra um angustiante pesadelo recorrente: grossas gotas de chuva caem no chão e, de repente, se transformam em sangue. Pronto! Com a narração deste perturbador sonho acaba o clima calmo – e até bucólico – que o filme ainda preservava. A partir de agora temos o sobe e desce de uma montanha-russa!

A chuva começa a cair e Marcie e Jack se abrigam em uma cabana. Lá, começam a se beijar e vão para a cama. Na cabana principal, Brenda, Alice e Bill conversam. Brenda sugere que eles joguem “Banco Imobiliário” valendo “peças de roupa”. Os mais assanhadinhos ganham, aqui, mais uma sequência de corpos jovens seminus. O filme passa, então, a focar nas duas cabanas: a principal com o “Strip-Monopólio” e a secundária, com a cena de amor entre Jack e Marcie.

Temos, aqui, mais uma série de clichês que se tornariam padrão dos slasher-movies:  jovens bebendo, usando drogas, insinuações sexuais e nudez. Mas vale lembrar que há aquelas regras: Alice, por exemplo, não tira a roupa. Mas estou me adiantando um pouco. Voltemos para a cabana secundária, com Marcie e Jack. Eles estão transando numa beliche. A câmera sobre lentamente e pam! Vemos Ned degolado na cama de cima! Simples, assim. Sem rodeios. Apenas o personagem lá, morto.

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Na cama de baixo, Marcie e Jack continuam transando. Na cabana principal, os amigos continuam jogando. Depois do sexo – temos aqui um seio de Marcie à mostra – a moça se levanta e sai da cabana. Jack fica lá, deitado na cama. Veste a camiseta, pega um cigarro e… um gota de sangue cai em sua testa. Ao tentar limpar, sente uma mão lhe segurando a cabeça. Vai ao ar então uma das melhores cenas de assassinato do filme: o assassino misterioso fura com uma flecha de baixo para cima o pescoço de Jack, fazendo esguichar bastante sangue. De acordo com os produtores, a cena foi uma das mães trabalhosas para se filmar: primeiro, Kevin Bacon teve que ficar sentado embaixo da cama, com o pescoço virado para cima. Ao pescoço, foi incluído um molde do tórax do ator, por onde a flecha deveria passar. Na frente de Kevin, ainda embaixo da cama, um técnico bombeava a mangueira que levaria o sangue até o orifício causado pela flecha! Vários testes foram feitos até que o modo como o sangue saísse fosse satisfatório para o diretor. A cena acabou homenageada na parte 3.

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Enquanto isso, Marcie está no banheiro. Vale aí, outra curiosidade: a equipe de Sexta-Feira 13 usou como locação um acampamento de verdade. Alguns cenários eram do próprio acampamento, outros eram apenas fictícios. No caso do banheiro usado nas filmagens, ele foi montado pela produção. Conta-se que, num determinado fim de semana em que o acampamento seria usado por um grupo escolar, a produção do filme deixou o local montado para agilizar as gravações na semana seguinte. Eis que as crianças acharam de usar exatamente o banheiro falso. Resultado: muita sujeira a ser limpa na segunda-feira, antes da retomada das atividades.

Voltando ao filme, Marcie houve um barulho e vai investigar – outra situação típica desde, mais ou menos, 1974 com O Massacre da Serra Elétrica, né? E, assim como nos filmes anteriores, o resultado para Marcie não será dos melhores: ela é brutalmente assassinada com uma machadada no meio da testa! A cena remete um pouco à descoberta do assassino em Psicose: O machado acerta uma lâmpada e vemos a morte de Marcie em meio a um vai e vem de luz e sombra. Aliás, a trilha sonora de Sexta-Feira 13 possui alguns acordes que lembram, ainda que vagamente, a trilha do filme de Hitchcock…

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Enquanto isso, Brenda, Alice e Bill continuam jogando e perdendo suas roupas – com exceção de Alice, claro. Ela é a moça pura que não pode mostrar os seios. Essa regra é levada tão a sério que, no momento em que a moça perde uma rodada e começa a abrir a blusa, um vento forte abre a porta e estraga o jogo – e a nossa oportunidade de ver Alice sem roupa!

Brenda corre para sua cabana, pois acredita que deixou as janelas abertas, enquanto Alice e Bill arrumam a bagunça. E Steve? Bem, finalmente lembraram de mostrá-lo onde ele disse que iria cerca de meia hora atrás – isto é, meia hora no tempo de projeção do filme –: o centro da cidade.

A chuva cai pesada na região de Crystal Lake, o que retarda o retorno do dono do acampamento. Curiosamente, ele não está na mesma lanchonete em que Annie passa no começo do filme. Tudo bem, uma cidade, mesmo que pequena, não possui apenas uma lanchonete. Mas isso também mostra outra peculiaridade que se tornará comum ao longo da série: a falta de referência geográfica: O centro de Crystal Lake muda constantemente.

Bem, Steve conversa com a dona da lanchonete, eles paqueram e ele diz que precisa ir embora. Steve sai da lanchonete, pega seu jipe e segue seu caminho. No acampamento, Brenda vai ao banheiro, mas não percebe o que aconteceu com Marcie. Instantes depois, ela volta ao seu quarto e começa a ler um livro quando houve um pedido de socorro. Paralelo a isso, o jipe de Steve enguiça no meio do caminho. Ele desce e começa a andar. O xerife passa por ele e lhe dá uma carona. No acampamento, Brenda sai para investigar o pedido de socorro no meio da chuva. As luzes do local de treino com arco e flecha se acendem e Alice, na cabana principal, escuta um grito.

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Bill entra na sala e ela lhe diz que ouviu um grito. É o fim do segundo ato. A partir de agora, Alice assume de vez o protagonismo do filme. É dela a ideia de saírem para investigar e, a partir desse momento, ela e o assassino misterioso travarão uma batalha de perspicácia, cada um tentando adivinhar o próximo passo do outro. É claro que Alice começa em desvantagem, pois não tem nem noção do que está acontecendo a princípio. Mas quando percebe, usa de toda a sua esperteza pra conseguir se manter viva.

Sigamos então com a história: Alice diz a Bill que ouviu um grito e que as luzes do local de treino com arco e flecha estão acesas. Eles vão até a janela e ela diz: “Agora apagaram.” Os dois saem e começam a procurar por Brenda. Entram na cabana da amiga e descobrem um machado sujo de sangue sobre o colchão da moça. Os dois saem pelas dependências do acampamento, mas não encontram os amigos. Por fim, vão ao escritório tentar telefonar. A câmera acompanha os fios do telefone e descobrimos que eles foram cortados. O carro não funciona e Alice se desespera, sugerindo que eles saiam dali a pé em busca de socorro, mas é tranquilizada por Bill.

Na viatura, o xerife comenta com Steve sobre as estatísticas da sexta-feira 13: mais acidentes, mais homicídios, entre outros problemas. Uma chamada de rádio informa que o xerife deve se desviar para um determinado local da estrada, pois um acidente acaba de ocorrer. Steve desce, se despede do xerife e começa a andar rumo a acampamento. Na entrada, vê alguém e é atacado.

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No acampamento, alguém se aproxima da casa de força e desliga as luzes. Bill diz à Alice que vai verificar o gerador. Ele verifica o motor e Alice cochila no sofá. Ao acordar, prepara um café solúvel e percebe que já se passaram alguns minutos sem que Bill retorne. Ela pega uma capa de chuva e vai atrás do namorado. A cena marca o começo da correria típica desse tipo de filme. Para compararmos com Halloween, por exemplo, equivale ao momento em que Laurie Strode vê a amiga morta e dá de cara com Michael Myers, tendo que correr para se manter viva. Se compararmos com O Massacre da Serra Elétrica, é o momento em que Sally dá de cara com Leatherface pela primeira vez e se embrenha no meio do mato para escapar. Enfim, é a característica cena de perseguição nos minutos finais dos filmes de terror lançados a partir de meados dos anos 1970 e que, com algumas alterações, segue na ativa até hoje.

O que desencadeia a perseguição neste caso é que Alice entra na sala de força, cuja porta está aberta. Ela vê a capa de chuva do namorado no chão e sai chamando pelo seu nome. Ao cruzar a porta, esta se fecha lentamente revelando o corpo inerte de Bill pregada contra as tábuas!

De acordo com os produtores, a morte de Bill foi inspirada no martírio de São Sebastião: santo da Igreja Católica que, condenado à morte, foi amarrado em uma árvore e vítima de várias flechadas. Bill foi alvejado por quatro flechas: uma na região da virilha, uma no peito, uma no pescoço e outra no olho. A garganta também foi cortada. Embora tudo seja ficcional, o ator que interpreta Bill sofreu um bocado na cena: além de ter que ficar equilibrado em uma posição desconfortável para simular que estava “pregado à porta”, a haste colada sobre seu olho esquerdo fez com que a tinta usada para simular o sangue da flechada causasse uma reação alérgica no rapaz. Ele começou a sentir um forte ardor na vista e, assim que o diretor gritou “corta”, tiveram que correr com ele para o hospital mais próximo, onde ele ficou em observação pelo até o dia seguinte! É… nem só de glamour vive um artista!!!

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Voltando ao roteiro, após ver o namorado morto, Alice se desespera e volta para a cabana principal. A cena soa meio “desenho animado”, com a moça colocando vários objetos junto à porta – sem nem mesmo verificar se o assassino já estava no interior. Ela vai para a cozinha e o corpo de Brenda é lançado pela janela. Outra curiosidade: É Tom Savini, diretor de maquiagem, quem atravessa a vidraça! Quando o corpo cai no chão e a câmera foca seu rosto, volta a ser a atriz que interpretou Brenda. Prova, mais uma vez, da produção com poucos recursos que era Sexta-Feira 13. Afinal, sem dublês, a própria equipe técnica fez pontas como vítimas (ou o assassino) em momentos mais perigosos.

Desesperada, Alice foge, vê os faróis de um carro e dá de cara com Pamela Voorhees, que se apresenta como uma velha amiga da família de Steve. Ao ver o corpo de Brenda no chão, Pamela chora e começa a lembrar de seu filho, dizendo que Jason havia se afogado lá em 1957 quando os monitores não observaram as crianças como deviam. Ela, então, saca uma faca e passa a perseguir Alice.

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Basicamente, a lenda em torno de Jason e sua mãe nos é contada aí, nesses poucos segundos de projeção: Jason afogou-se em 1957, sua mãe, cozinheira do acampamento, vingou-se dos monitores em 1958 e, nos anos seguintes foi a responsável pelos incêndios e contaminação da água. Agora, em 1980, ela é a responsável pelos assassinatos. Tudo para se vingar da morte do filho – ou para ocultar um segredo, como veremos na parte 2.

Aliás, embora um pouco de ordem nos fatos nos ajude a entender melhor qualquer saga cinematográfica, quem procurar fazer isso a sério com os filmes de Sexta-Feira 13 e A Hora do Pesadelo, corre o sério risco de ficar louco! Os dados são alterados constantemente para atender a vontade dos mais diversos roteiristas, diretores e produtores ao longo das séries. Por exemplo: em nenhum momento durante os oito primeiros filmes de Sexta-Feira 13, é mencionada a existência de uma irmã de Jason. No entanto, ela existe na 9ª parte, tem uma filha e uma neta! Outras incoerências também vão aparecendo ao longo dos filmes, como a própria morte do Jason em 1957…

Enfim, Pamela persegue Alice por quase todo o acampamento, num jogo de gato e rato quase interminável. A sequência mais tensa, embora com um ar nonsense, é quando Alice entra em uma das cabanas no escuro. Pamela acende as luzes de todo o camping e a moça, instintivamente, apaga a do local em que está escondida! Ora, melhor sinal para a assassina não há! Ela vai direto ao “esconderijo” da moça. Alice se refugia em uma despensa e Pamela a descobre, quebrando as tábuas e invadindo o lugar. Esse artifício seria usado inúmeras vezes por Jason nos filmes seguintes.

Por fim, Alice acerta Pamela que cai desmaiada. A moça corre para a beira do lago e, quando pensa que escapou, surge o reflexo de Pamela na água, indicando que a assassina está atrás dela. As duas rolam no chão e Pamela tenta empalar a moça com um pedaço de remo. Alice consegue se levantar, pega o facão da assassina e, num dos momentos mais memoráveis do cinema de terror, arranca a cabeça de Pamela Voorhees com um único golpe! Ufa! Fim da carnificina… Pelo menos por enquanto.

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Alice pega uma canoa e, desesperada, vai para o meio do lago, onde adormece. No dia seguinte, dois policiais aparecem no acampamento. Ao vê-los, ela acena e, neste momento, Jason salta de dentro do lago e a agarra, virando a canoa. A cena, angustiante para quem vê pela primeira vez, foi outro momento desafiador para  a produção: o garoto que fez Jason deveria permanecer submerso, sem equipamentos de mergulho – que seriam facilmente detectados pelas câmeras – e já maquiado! Enfim, não dava para ensaiar muito ou tentar gravar várias vezes. Assim, o menino nadou até o meio do lago, a canoa foi posicionada, Alice entrou no barco, o menino mergulhou, prendeu a respiração, o diretor gritou “ação” e… a magia aconteceu! Bem melhor que a tela verde de hoje né, minha filha?

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Enfim, Alice acorda gritando no hospital com o xerife falando que os pais dela estão a caminho. Ela pergunta sobre os demais monitores e recebe a confirmação de que todos estão mortos. Então, Alice indaga sobre Jason, o garoto que estava no lago e a atacou. O policial informa que não acharam ninguém no lago, com exceção de Alice. A última frase dela é profética: “Então, ele ainda está lá.” A câmera corta para as águas calmas do lago e entram os créditos…

Analisando…

Embora tenha seguido a fórmula de Halloween, Sexta-Feira 13 consegue manter uma incrível vida própria e influenciar outras produções que se seguiram a ele. O enredo é extremamente simples: vingança por um suposto crime do passado. A vingança se estende, obviamente, a todos que se aproximem do lugar onde o crime ocorreu, independentemente da época. Os efeitos, em sua maioria mecânicos, deixam o ar do filme mais “caseiro” e, por isso, mais charmoso. É uma delícia assistir esse filme, por exemplo, numa tarde chuvosa, jogado no sofá da sala, tomando uma bebida quente. Também funciona muito bem numa sexta-feira à noite. Sozinho ou com amigos. É um típico filme de terror oitentista: corpos jovens, razoavelmente sarados – mas não em excesso, como veríamos posteriormente na mesma série – uma história central de fácil entendimento do grande público e, neste primeiro episódio, até personagens bem desenvolvidos: mesmo os primeiros a morrer, como Annie e Ned, possuem uma história. Nas partes seguintes, isso cai em desuso, infelizmente.

Outro ponto positivo é o já citado clima: Sexta-Feira 13 realmente funciona como um passeio de montanha-russa: até os 30 minutos, mesmo com as mortes do casal de monitores e da Annie, quase não há sangue nem sustos, tudo vai sendo criado aos poucos. É o período em que o carrinho sobre lentamente a montanha-russa. Entre os 30 e 60 minutos, começamos os vários “sobe e desce” do brinquedo: várias mortes, muitos sustos e qualquer um pode ser a próxima vítima! A partir dos 60 minutos temos a subida final, acompanhada do looping: é o momento em que a protagonista realmente descobre o que está acontecendo, dá de cara com a assassina, descobrindo sua identidade, e tem início sua batalha final pela sobrevivência!

A direção e a edição estão bem alinhadas, inclusive em relação à trilha sonora. O desempenho dos atores, mesmo os principiantes, também não decepciona. Realmente, passa a impressão de que todos queriam fazer um belo trabalho, independentemente do orçamento pequeno. Aliás, essa é uma das coisas boas nos primeiros filmes das séries O Massacre da Serra Elétrica, Halloween, Sexta-Feira 13 e A Hora do Pesadelo: com orçamento baixo, quem os fez – do diretor ao ator – o fez por querer, por gostar, por ter um objetivo que fosse levar um produto de qualidade ao público. Qualidade, aqui, não significa um orçamento astronômico, equipamentos de primeiríssima qualidade, elenco conhecido internacionalmente e efeitos especiais dignos de obras dantescas. Não, nesses primeiros filmes, qualidade significa apenas um roteiro bem escrito e profissionais empenhados em entregar uma boa história ao público. É disto que se trata e foi isso que se perdeu, infelizmente, ao longo dos filmes de todas essas séries.

Ironicamente, Sexta-Feira 13 foi recebido com desdém pela crítica especializada, mas conquistou o público, cumprindo sua intenção inicial: a de ser um filme barato, mas que obteve grande retorno financeiro e caiu na graça popular. Nos EUA, foi lançado pela Paramount Pictures e, internacionalmente, pela Warner Bros.

Ficha Técnica:
Título original: Friday the 13th
Elenco:
Betsy Palmer – Pamela Voorhees
Adrienne King – Alice
Jeannine Taylor – Marcie
Robbi Morgan – Annie
Kevin Bacon – Jack
Harry Crosby – Bill
Laurie Bartram – Brenda
Mark Nelson – Ned
Peter Brouwer – Steve Christy
Rex Everhart – Enos (motorista de caminhão)
Ronn Carroll – Sargento Tierney
Walt Gorney – Ralph (o louco)
Ari Lehman – Jason Voorhees
***
Responsável pela maquiagem e efeitos especiais: Tom Savini
Diretor de fotografia: Barry Abrams
Música de Harry Manfredini
Editor: Bill Freda
Escrito por Victor Miller
Produzido e dirigido por Sean S. Cunningham
Lançamento:
09/05/1980 (EUA)
01/12/1980 (BRA)
Orçamento: U$550.000
Renda: + de U$39 milhões
Duração: 95 minutos
***

Curiosidades:

-> Acostumada à rotina de peças teatrais, Betsy Palmer acabou esbofeteando de verdade Adrienne King na cena em que as duas brigam.

-> Um boneco foi montado, tendo como molde o rosto e o corpo de Betsy Palmer para a cena da decapitação.

-> O som que precede as aparições da senhora Voorhees (e, posteriormente, as aparições de Jason) é uma redução e repetição da fala “Kill mommy” (mate, mamãe) dita por Jason na mente de Pamela. O som, algo como “ki, ki, ki, ma, ma, ma” foi “descoberto” quase que por acidente, quando o diretor do filme testava algumas mixagens com a equipe de som. Um problema técnico ecoou a fala da personagem, fazendo repetir as sílabas, o que agradou a equipe. O efeito acabou se tornando uma marca da série.

-> Essa fala, aliás, foi parodiada pela atriz brasileira Tatá Werneck no filme Uma Quase Dupla.

-> Indicado a duas Framboesas de Ouro: Pior Filme e Pior Atriz Coadjuvante (Betsy Palmer).

-> Terceiro filme da franquia a ser exibido na TV aberta brasileira. Sua primeira exibição ocorreu na segunda-feira, 12 de junho de 1989 em Tela Quente (Rede Globo).

-> 10 personagens morrem no filme, incluindo a assassina, Pamela Voorhees.

Continua aqui.

2 comentários em “Lembranças do inferno: Uma longa análise de “Sexta-Feira 13” e “A Hora do Pesadelo”

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