19 filmes para assistir no fim de semana do Cinema Brasileiro

Data comemora as produções nacionais; Projeto Lumi destaca dezenove títulos de diversos gêneros e épocas
Antônio Pedro de Souza

            Dezenove de junho é o Dia do Cinema Brasileiro! Para comemorar data tão especial e ajudar a valorizar nossas produções, o Projeto Lumi resgata títulos, entre longas e curtas, que merecem ser vistos e revistos! De clássicos a contemporâneos, de pop a cult, embarque nessa maravilhosa jornada de descoberta dos nossos filmes!

19 – Candinho (1954)

            19 - CandinhoAproveitando o sucesso de outro produto nacional, a novela “Êta Mundo Bom!”, iniciamos nossa lista com o filme que inspirou a trama de Walcyr Carrasco. Em “Candinho”, filme de Abílio Pereira de Almeida, lançado em 1954, Amácio Mazzaropi dá vida ao protagonista Cândido Policarpo Fagundes, o Candinho, que foi encontrado em um ribeirão. Ele cresce como empregado na fazenda e, jovem, é flagrado beijando a filha do fazendeiro que o expulsa de lá. Acompanhado de seu burro de estimação, parte para São Paulo para buscar pistas do paradeiro de sua verdadeira família.

            Além de ser uma história divertida, emocionante e leve, “Candinho” merece estar nesta lista devido a importância de seu intérprete: Amácio Mazzaropi teve, nada menos que 32 filmes produzidos entre 1952 e 1980. O 33º título ficou inacabado por causa da morte do artista.

            “Candinho” foi a terceira e última produção de Mazzaropi na Companhia Cinematográfica Vera Cruz.

18 – Vidas Secas (1963)

            18 - Vidas SecasOutro ícone do cinema brasileiro, “Vidas Secas” é inspirado no livro homônimo de Graciliano Ramos e foi rodado dez anos após a morte do autor. O longa acompanha a família de Fabiano e Sinhá Vitória pelo sertão nordestino em plena seca. Pertencente ao movimento denominado “Cinema Novo”, que tratava de problemas sociais brasileiros, o filme dirigido por Nelson Pereira dos Santos ganhou repercussão internacional. Destaque ainda para a cachorra Baleia, grande companheira dos filhos de Fabiano e Vitória e responsável por um dos momentos mais emocionantes (e tristes) da produção. Indicado pelo British Film Institute como uma das 360 obras fundamentais em uma cinemateca. Foi premiado em Cannes em 1964.

17 – À Meia-Noite Noite Levarei Sua Alma (1964)

            17 - À Meia Noite Levarei Sua AlmaPara quem ainda acha que o Brasil não produz filmes de terror, vale a pena conferir a primeira parte da Trilogia do Zé do Caixão, lendário personagem criado por José Mojica Marins, que faleceu este ano. Neste longa de 1964, somos apresentados ao temido coveiro que, na busca incessante por encontrar uma mulher capaz de lhe dar o filho perfeito, comete as maiores atrocidades. O filme ganharia uma continuação em 1967: “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver” e a conclusão da trilogia chegaria em 2008: “Encarnação do Demônio”, mas Zé do Caixão virou sinônimo de José Mojica Marins e vários outros filmes produzidos por esse cineasta ajudaram a escrever a história do terror no cinema brasileiro. Em “À Meia Noite…” , conhecemos a genialidade do cineasta em nos contar uma trama assustadora, com enredo até então pouco explorado em nosso cinema. O filme venceu, ao menos, três prêmios internacionais.

16 – Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)

            16 - Deus e o Diabo Na Terra Do SolOutro marco do “Cinema Novo”, este drama de Glauber Rocha, mostra o embate dos sertanejos pobres contra os poderosos fazendeiros numa trama de traição e vingança. Manoel planeja usar o dinheiro da partilha de gado com o coronel para dar uma vida melhor à esposa, Rosa. No entanto, seu patrão se recusa a dividir o dinheiro, pois segundo ele, as cabeças de gado que morreram durante a viagem de venda, pertenceriam ao empregado, enquanto as que permaneceram vivas, pertenciam ao patrão. Revoltado, Manoel mata o patrão e foge, abrigando-se num grupo religioso que inicia uma sangrenta batalha contra latifundiários. No elenco, nomes como Othon Bastos, Yoná Magalhães e Geraldo Del Rey. Glauber sofreria perseguição política nos anos seguintes, tendo que se exilar. No exílio, filmou outro clássico: “O Leão de Sete Cabeças”.

15 – As Seis Mulheres de Adão (1981)

            15 - As Seis Mulheres de AdãoDavid Cardoso se tornou o “Rei da Pornochanchada” no Brasil, graças a filmes eróticos que estrelou nas décadas de 1970 e 1980. Sua carreira, porém, começou num filme do Mazzaropi: “O Lamparina” (1963), em que fez uma pequena ponta. Antes disso, ele trabalhou nos bastidores de outras produções da PAM Filmes (Produções Amácio Mazzaropi).

            O gênero pornochanchada, aliás, segurou a vida do cinema brasileiro durante a ditadura militar: enquanto cineastas como Glauber Rocha, que escancaravam as mazelas do país eram perseguidos, outros cineastas (não sem problemas, claro), conseguiam unir comédia e erotismo em produções muitas vezes baratas, mas que atraíam um público crescente e mantiveram a indústria cinematográfica funcionando.

            Em “As Seis Mulheres de Adão”, David vive o Adão do título, um homem que consegue todas as mulheres que deseja, mas que depois de algumas aventuras sexuais, as despreza. Elas, então, resolvem se unir e tramam um ardiloso plano de vingança: convidam Adão para um jantar, como para acertarem as contas e, no auge da noite, informam a ele que irão castrá-lo!

            Desesperado, ele tenta dissuadi-las do plano. Aos poucos, as próprias mulheres começam a pensar que não seria boa ideia “tirar os dotes” do malandro, mas pelo menos uma delas está disposta a levar a vingança até o fim!

14 – Os Heróis Trapalhões – Uma Aventura na Selva (1988)

            14 - Os Heróis TrapalhõesAssim como é impossível falar de cinema brasileiro sem citar Mazzaropi, também é impossível dissociar as produções brasileiras do grupo Os Trapalhões. Vindos de várias frentes artísticas, como TV, circo e música, Os Trapalhões tiveram seu auge entre meados dos anos 1970 e fim dos anos 1980, quando o grupo esteve com sua composição clássica: o quarteto Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. Foram vários filmes juntos e é quase impossível escolher um só, mas citamos “Os Heróis Trapalhões” por uma questão de coerência com a história do grupo: há no enredo questões ecológicas, trama fantástica, quadros musicais além, claro, da presença dos quatro humoristas. A história começa com Didi vendo a prisão de Dedé, Mussum e Zacarias (por motivos diversos). Ele rouba um tanque e destrói a delegacia recém-inaugurada para salvar os três prisioneiros. Perseguidos pela polícia, eles são salvos por um alto oficial das forças armadas, amigo antigo de Didi, que garante que os quatro serão inocentados se salvarem a filha de um ministro, que foi raptada e levada para algum lugar no meio da Floresta Amazônica.

            Os amigos partem para a floresta e se deparam com um lunático que pretende explodir o, então chamado “pulmão do mundo”, caso suas exigências não sejam atendidas. Ainda na selva, eles encontram um líder indígena que lhes oferece poderosas sementes capazes de dar super-poderes a quem for “o escolhido”. Eles iniciam, então, uma forte batalha entre o bem e o mal. No elenco, nomes como Angélica e o quarteto musical Dominó, também em sua formação clássica.

13 – Lua de Cristal (1990)

            13 - Lua de CristalAssim como Mazzaropi esteve em voga nos anos 1960 e 1970 e Os Trapalhões tiveram seu auge das décadas de 1970 e 1980, Xuxa Meneguel, eterna “Rainha dos Baixinhos” esteve no topo entre os anos 1980 e 1990. Além de contracenar em produções com o quarteto encabeçado por Didi, ela passou a protagonizar suas próprias aventuras voltadas para o público infantil em 1988 com “Super Xuxa Contra o Baixo-Astral”. Mas é de 1990, um dos seus maiores êxitos comerciais: o filme “Lua de Cristal”. Além de ser o auge do programa “Xou da Xuxa” (Globo) e lançamento do 5º LP do programa televisivo (que trazia a música-tema do filme), o longa teve uma forte ação de marketing e levou cerca de cinco milhões de espectadores aos cinemas, maior bilheteria nacional daquele ano.

            A história é simples e, hoje, pode até parecer bobinha, mas são inegáveis o sucesso e a competência de Tizuka Yamazaki na direção: Maria das Graças (Xuxa) é uma moça pobre, que sonha em ser cantora e viver um grande amor. Ela parte para uma cidade grande para dar continuidade aos estudos. Lá, torna-se vítima de sua tia e primas, numa releitura de “Cinderela” e outros contos de fadas… Em meio aos apuros de sua nova vida, conhece Bob (Sérgio Mallandro), que passa a ser seu “Príncipe Encantado”.

            Lançado três vezes em VHS e duas em DVD.

12 – A Princesa e o Robô (1983)

            12 - A Princesa e o RobôSegundo filme de animação da Turma da Mônica, “A Princesa e o Robô” é livremente inspirado na saga “Star Wars”, mas segue uma linha narrativa própria. No longa, os personagens criados por Maurício de Sousa viajam pelo espaço atrás de um coração para o Robozinho, criatura bondosa apaixonada pela Princesa Mimi. No caminho, as crianças terão que enfrentar o Lorde Coelhão, vilão que pretende dominar o espaço e que também é apaixonado por Mimi.

            Vale a pena assistir pela inovação narrativa e das técnicas de animação usadas na época. Vale lembrar que, assim como o terror, os desenhos animados não eram tão explorados pelo cinema brasileiro na ocasião.

            O filme ainda não teve um lançamento em DVD, mas está disponível no canal da Turma da Mônica no Youtube.

11 – Menino Maluquinho – O Filme (1995)

            11 - Menino MaluquinhoInspirado no livro clássico de Ziraldo, o filme teve projetos desenvolvidos desde os anos 1980, mas só saiu do papel no meio da década seguinte. Como disse o próprio Ziraldo, em uma entrevista que consta nos extras do DVD, “o filme saiu num momento muito oportuno: em meio às comemorações de cem anos do Cinema!”

            A história gira em torno de Maluquinho (Samuel Costa), garoto alegra que passa os dias brincando com os amigos e planejando as férias na fazendo do avô. Porém, os problemas da vida começam a perturbar a criança: seus pais se divorciam, seu avô adoece…

            Em meio a dores e descobertas, Maluquinho e seus amigos vivem intensamente todos os momentos da infância, regados a muito doce, brincadeiras e, claros, travessuras. Dirigido por Helvécio Ratton, o filme teve cenas gravados no bairro Santo Antônio e Aparecida, em Belo Horizonte e na cidade de Tiradentes. Em 1998 ganhou a sequência “Menino Maluquinho 2 – A Aventura”, dirigida por Fernando Meirelles e com cenas gravadas em São José das Três Ilhas/MG.

10 – Buena Sorte (1996)

            10 - Buena SorteEstrelado por Marcos Palmeira, esse longa traz uma “versão brasileira” do Zorro. Criado nos EUA pelo tio desde a morte dos pais, Edgar descobre o envolvimento do parente com uma quadrilha que mata cavalos para resgatar o dinheiro do seguro. Ele, então, resolve voltar ao Brasil para barrar os criminosos. Enquanto luta por justiça, conhece seu verdadeiro amor.

9 – O Que é Isso, Companheiro? (1997)

            09 - O que é isso companheiroIntenso filme de Bruno Barreto, o longa que concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro é parcialmente inspirado no livro homônimo de Fernando Gabeira. A história gira em torno do sequestro do embaixador dos EUA Charles Burke Elbrick em 1969 por guerrilheiros contrários ao regime militar brasileiro. Estrelado por Pedro Cardoso, Fernanda Torres, Selton Mello, Luiz Fernando Guimarães e Alan Arkin.

8 – Central do Brasil (1998)

            08 - Central do BrasilUm dos marcos da produção nacional da década de 1990, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e que valeu também uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz à Fernanda Montenegro, o filme conta o drama vivido por Dora (Montenegro) e Josué (Vinícius de Oliveira). Ela escreve cartas na estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Ele é um garoto que acompanha a mãe que escreve uma carta ao marido. Com a morte trágica da mãe, Josué fica sob os cuidados de Dora, mas a mulher não quer se responsabilizar pelo menino e o vende a um grupo que trafica crianças para o exterior. Arrependida, ela o salva dos traficantes e inicia uma longa viagem rumo ao nordeste brasileiro, em busca do pai do garoto. O filme contém momentos marcantes e divertidos, com um final emocionante.

7 – O Auto da Compadecida (2000)

            07 - O Auto da CompadecidaQuarta versão para o clássico de Ariano Suassuna, esta é, na verdade, a reedição da terceira adaptação da obra que, em 1999, havia sido uma minissérie da Rede Globo em 4 capítulos. Da minissérie, com cerca de 2h40min, foram aproveitados cerca de 1h40, mantendo-se a trama principal na versão para cinema. O filme gira em torno dos amigos João Grilo (Matheus Nachtergaele) e Chicó (Selton Melo), dois sertanejos do nordeste brasileiro que têm que usar a esperteza para enganar os poderosos da cidade. Entre suas “vítimas” estão o Padre João e o Bispo, dois sovinas que não sentem remorso em negociar os valores da Igreja em troca de lucro; o Padeiro Eurico, outro avarento e sua esposa Dora, uma adúltera; e o coronel Antônio Morais, poderoso fazendeiro que manda na cidade. O problema é que em meio a tantas armações, Chicó se apaixona por Rosinha, filha de Antônio Morais. Para viver seu amor, porém, ele terá que enfrentar o valentão Vicentão e o Cabo 70 além, claro, do próprio pai da noiva. Para ajuda-lo, João Grilo tem uma ideia que envolve um falso cangaceiro, mas para desespero dos amigos, Severino, cangaceiro temido na região, invade a cidade e põe a vida de todos em perigo. Se a peleja de Chicó será resolvida na Terra, o mesmo não acontece a João Grilo, ao padre, ao bispo, ao padeiro, à esposa e ao próprio Severino. Eles terão que se entender no além com Jesus Cristo e o Diabo. Para ajudá-los, entra em cena Nossa Senhora, a Compadecida, em mais uma atuação inquestionável de Fernanda Montenegro.

            Anteriormente, além da já citada minissérie, foram produzidas uma versão com Os Trapalhões (1987) e “A Compadecida” (1969), com Regina Duarte, Armando Bógus e Antônio Fagundes. Em 2020, comemorando os vinte anos desta quarta versão, a Rede Globo reprisou a minissérie de 1999 na íntegra.

6 – Dois Filhos de Francisco (2005)

           06 - Dois Filhos de Francisco Cinebiografia dos irmãos cantores Zezé di Camargo & Luciano, o filme traz um apanhado de fatos marcantes da vida da dupla e deu um novo gás ao cinema brasileiro na primeira metade da década de 2000. Da infância humilde, passando pela juventude repleta de dificuldades, os irmãos vão vencendo os obstáculos até se tornaram uma das principais duplas do cenário sertanejo, alcançando o mesmo patamar dos já consagrados ídolos da época: Leandro & Leonardo e Chitãozinho & Xororó.

5 – Maria, Mãe do Filho de Deus (2003)

            05 - Maria Mãe do Filho de DeusIndependentemente da questão religiosa, esse filme vale a pena ser visto por causa da inovação narrativa e, mais uma vez, de gênero. Afinal, filmes bíblicos eram um filão também pouco explorados no cinema brasileiro. Idealizado por Padre Marcelo Rossi, como parte de um projeto de evangelização multiplataforma (em uma época em que esse conceito também era pouco explorado no Brasil), o longa retrata a vida de Jesus Cristo sob o ponto de vista de sua mãe, Maria. Porém, dentro da imaginação de uma criança.

            São duas histórias em uma: na primeira, Maria (Giovana Antonelli), é uma mulher viúva que luta para criar a filha, que contém uma grave doença. Ela precisa pegar o resultado de um exame, mas tem medo de não segurar a emoção na frente da criança e, por isso, pede ao padre da vila em que moram para cuidar da menina. O padre (vivido pelo próprio padre Marcelo Rossi) resolve, então, contar para a menina a história de Cristo. Na imaginação dela, somos transportados para os tempos bíblicos e acompanhamos os acontecimentos que permeiam a vida de Jesus Cristo (Luigi Barricelli) e sua mãe Maria (também Giovana Antonelli).

            Com excelentes tomadas feitas no Rio Grande do Norte, o filme fez um enorme sucesso nos cinemas brasileiros. Quando foi lançado em DVD, Padre Marcelo Rossi levou, pessoalmente, uma cópia para o então Papa João Paulo II.

4 – Se Eu Fosse Você (2006)

           04 - Se Eu Fosse Você Da série “novo gás” do cinema brasileiro, “Se Eu Fosse Você” conta a divertida história do casal que troca de corpo. Interpretados por Tony Ramos e Glória Pires, Cláudio e Helena têm uma forte briga ao fim de uma premiação na qual foi, praticamente, ignorado pelos críticos. Além disso, a agência de publicidade que ele mantém com um sócio, está em uma péssima situação financeira. Após a briga, Cláudio e Helena vão dormir e, no dia seguinte, acordam em corpos opostos. Após se consultarem com alguns profissionais, percebem que terão que aceitar suas diferenças e aceitar os espaço um do outro, se quiserem voltar ao normal.  O filme teve uma sequência e deu origem a uma série de TV.

3 – Cidade de Deus (2002)

           03 - Cidade de Deus Esse filme icônico iniciou uma tradição do cinema brasileiro nos anos 2000 de mostrar os poderes paralelos nas grandes favelas do Brasil, bem como a corrupção policial. Após “Cidade de Deus”, foram feitos, dentro de uma temática parecida, “Cidade dos Homens” (que também virou série de TV), “Carandiru” (também ganhou seriado), “Tropa de Elite” e “Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro”. Embora ficcionais, todos os filmes tem inspirações em eventos reais, conjuntos ou isolados, em especial “Cidade de Deus” e “Carandiru”. Também podemos incluir nessa leva “Última Parada: 174”, dramatização inspirada no trágico caso de sequestro de um ônibus no Rio de Janeiro em 2000 e o documentário “Ônibus 174”, sobre o mesmo caso.

            Em relação à “Cidade de Deus”, a história gira em torno da formação da favela de mesmo nome no Rio de Janeiro, desde o começo dos anos 1960 até o fim da década de 1980. Criado pelo Governo para “empurrar” a população carente e os imigrantes nordestinos para longe das áreas nobres do Rio de Janeiro, o loteamento conhecido como Cidade de Deus começa a ter seus primeiros casos de criminalidade ainda nos primórdios de sua criação, graças ao chamado “Trio Ternura”, três bandidos que tentam, em vão, se dar bem no mundo do crime.

            Paralelo ao fim do grupo, começa a tradição das “bocas” do loteamento, que vai se transformando num dos maiores complexos de favelas do país! Vemos, também, a ascensão de Zé Pequeno, que se torna um dos maiores criminosos da região.

            O filme mostra a polarização entre Zé Pequeno e Cenoura, pelo controle do tráfico e termina com um embate épico entre os dois e a polícia, sob as lentes do repórter fotográfico Buscapé, que narra a história.

            Com cenas de extrema violência, nudez e um história eletrizante, Cidade de Deus, como já foi dito, abriu a porta para diversas produções do gênero.

2 – Até Que a Sorte nos Separe (2012)

            02 - Até que a sorte nos separeSe “Cidade de Deus” abriu a porta para filmes de ação brasileiros, repletos de violência explícita e muita crítica social, “Se Eu Fosse Você” abriu as portas para uma comédia familiar sem o excesso de palavrões visto no ótimo “Os Normais”, mas não infantilizada, como nos clássicos de “Os Trapalhões” e “Xuxa”. Ou seja: era um tipo de comédia tradicional, como já somos acostumados a ver do cinema americano, por exemplo. Neste filão, entra o ótimo “Até que a Sorte nos Separe”, que conta a história de um casal apaixonado e pobre que luta para pagar as dívidas. Eles ganham na loteria e, passados quase vinte anos, estão a ponto de perder tudo porque, simplesmente, não souberam cuidar da fortuna.

            Para piorar a situação, quando Tino (Leandro Hassum) descobre sobre a realidade da família, precisa poupar a esposa Jane (Danele Winits), que se descobre grávida pela terceira vez, mas devido à grande quantidade de cirurgias plásticas feitas nos últimos anos, terá uma gravidez de alto risco e, portanto, não pode sofrer abalos sentimentais.

            Na busca de salvar o pouco que resta das finanças da família, Tino luta contra o tempo e aprende, da pior maneira, a economizar e planejar seus gastos. O filme teve duas continuações, sempre mostrando os apuros financeiros da família.  Nelas, porém, Daniele Winits foi substituída por Camila Morgado.

1 – Bacurau (2019)

            01 - BacurauO cinema brasileiro pode ser analisado em ciclos: temos a Era Humberto Mauro, Era Mazzaroppi, Os Trapalhões, etc.

            No caso de Bacurau, ele pode ser incluído num momento bem específico do cinema: a crítica social e a luta de classes que teve uma profunda polarização, principalmente a partir do segundo mandato da presidente Dilma Roussef. São, dessa época, “Que Horas Ela Volta?”, drama que conta a história da filha de uma empregada doméstica que tenta entrar na mesma faculdade que o filho dos patrões; “Aquarius”, mais lembrado pelos atos de protesto de seu elenco e produtores contra o então presidente Michel Temer e, claro, “Bacurau”, que mostra um futuro distópico, mas não impossível, de um Brasil sob o controle de governos insanos (qualquer semelhança com a realidade, não é mera coincidência). A história começa quando os habitantes da pequena cidade de Bacurau descobrem que o município sumiu do mapa! Em seguida, mercenários estrangeiros invadem o lugar e começam uma sangrenta batalha com os moradores, trazendo um desfecho imprevisível e chocante.

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BÔNUS:

Curtas “Gorjetas” e “Café com Leite”:

            Bônus - GorjetasProduzido pelo cineasta brasiliense Thiago Cazado, “Gorjetas” (2016) é uma divertida e emocionante história de um rapaz que tem uma ideia original para conseguir dinheiro e quitar suas dívidas: fazer strip-tease em um fórum na internet. Enquanto a audiência cresce do outro lado da tela, um fato inusitado acomete o rapaz, fazendo com que os espectadores acreditem que se trata de uma parte do show. Ao ver que o interesse do público aumentou, o striper passa a usar aproveitar do fato em benefício próprio. O divertido curta pode ser conferido no canal do Youtube da Maca Filmes, produtora de Thiago Cazado.

            Já “Café com Leite” (2007) é de Daniel Ribeiro, mesmo diretor de “Hoje eu Quero Voltar Sozinho”(2014), filme que entrou na lista de filmes para o Dia dos Namorados aqui do Projeto Lumi.

            Bônus - Café com LeiteNo filme, dois rapazes estão prestes a morarem juntos, quando os pais de um deles morrem num acidente. Além de órfão, o rapaz passa a ser responsável pelo irmão mais novo, o que dificulta sua relação com o namorado. Numa das cenas mais memoráveis, ele e o irmão precisam aprender o tempo certo para esquentar o leite no micro-                 -ondas já que, até então, essa tinha sido uma tarefa da mãe.

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MENÇÕES HONROSAS:

            Impossível resumir a genialidade do cinema brasileiro em uma lista de apenas 19 títulos (ou um pouco mais como visto aqui). Por isso, valem indicações também Olga; Eu, Tu, Eles; Lisbela e o Prisioneiro; A Taça do Mundo é Nossa; Aparecida – O Milagre; A Próxima Vítima; Navalha na Carne; O Paciente; Bingo – O Rei das Manhãs; Turma da Mônica: Laços (bem como, Uma Aventura no Tempo); O Coronel e o Lobisomem; Mulher Objeto; Memórias Póstumas e muitos outros.

            Um viva ao cinema brasileiro!

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