Por dentro de “Éramos Seis” com Ângela Chaves

Autora da novela das seis da Globo conta detalhes sobre a produção
Antônio Pedro de Souza

            Éramos Seis é daquelas obras imortais que se permitem ser recontadas de tempos em tempos com o mesmo encanto e impacto das ocasiões anteriores. Lançado em 1943 por Maria José Dupré, o livro se tornou um clássico da literatura brasileira e já apareceu em nada menos que cinco ocasiões nas telinhas, prova de sua força. Na década de 1970, Sílvio de Abreu e Rubens Ewald Filho foram os responsáveis pela terceira adaptação televisiva da história, numa versão que se tornou referência de produção audiovisual no país e é lembrada até hoje pelos fãs mais saudosistas. Em 1994, o mesmo texto foi usado como base e encantou mais uma geração de telespectadores. Agora, a 5ª versão bebe da mesma fonte e mostra, mais uma vez, seu potencial para agradar público e crítica, algo cada vez mais difícil em se tratando de telenovelas.

            O Projeto Lumi conversou com a responsável por essa nova adaptação, a escritora Ângela Chaves, que revelou detalhes sobre a produção, escolha do elenco e da trilha e ainda fez mistério sobre o destino de um personagem. A seguir, a entrevista:

Projeto Lumi: “Éramos Seis” é uma obra consagrada tanto da literatura quanto da teledramaturgia nacional. Qual o maior desafio em colocar no ar uma nova versão de uma trama tão querida pelo público?

Ângela Chaves: Considero importante respeitar o texto e recriá-lo com responsabilidade. Esta é uma adaptação do texto da novela de 1994. O maior desafio é propor as modificações necessárias — como alterações de ritmo, perfil dos personagens e o tom — sem alterar a essência da obra.

PL: Como foi feita a escolha do elenco para compor os seis protagonistas?

ÂC: Esse é um trabalho feito em conjunto, fica mais a cargo do diretor artístico, Carlinhos Araújo, e da produtora de elenco, Daniela Pereira. Mas, assim como acontece em todas as outras questões que envolvem a novela, eu e Carlinhos conversamos bastante nesta etapa para identificar o elenco que mais se adequaria aos personagens.

PL: A trilha sonora é um elemento importante numa narrativa audiovisual, já que ajuda a contar a história. Um exemplo é o tema musical do casal Carlos e Inês, que tem tudo a ver com a trama deles. Como foi pensada a escolha das canções que compõem a trilha?

ÂC: Foram feitas várias reuniões com a equipe de produção musical, onde foram sugeridas canções, algumas que eu ouvia  quando comecei a pensar e escrever a novela para me ambientar. O Carlinhos teve a ideia de regravações das canções de época com novos cantores, pensamos em alguns intérpretes, ele definiu o conceito dos novos arranjos. A música é fundamental para mim, para o Carlinhos também, nos afinamos muito nesta questão.

PL: A novela acabou de entrar em uma nova fase. O que o público pode esperar para os próximos capítulos?

ÂC: O público pode esperar bastante emoção, momentos de alegria e, assim como na primeira fase, momentos também de muito afeto. A novela é um drama familiar, e traz afirmações importantes sobre solidariedade, laços afetivos e amor. É um texto emocionante e as pessoas vão torcer pela felicidade dos personagens.

PL: Sem entregar o roteiro para nossos leitores, você pode adiantar se o destino de Carlos será mais próximo ao que ocorre no livro ou mais próximo ao que ocorreu nas versões de 1994 e 1977?

ÂC: O remake é da novela, então, embora tenha um grande apreço pela obra de Maria José Dupré, trabalho em cima do texto do Silvio de Abreu e Rubens Ewald Filho. Modificações podem surgir, novela é uma obra aberta, é esperar pra ver.

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Imagem: Ângela Chaves, autora da nova versão de “Éramos Seis” – Foto de Paulo Belote/Globo 

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