“A Morte Te Dá Parabéns” promove uma boa mistura entre terror e comédia

Filme traz ainda diversas referências a produções das décadas 1980 e 1990
Antônio Pedro de Souza
Material publicado originalmente no site Feira Cultural em 19/10/2017

            O terror é um gênero que sempre chamou a atenção dos mais jovens, principalmente a partir dos anos 1980, com a chegada dos chamados slasher movies, aqueles filmes repletos de sangue e cenas de sexo – ou, pelo menos, insinuação sexual – são vários os exemplos clássicos dessa safra, sendo Sexta-Feira 13, A Hora do Pesadelo e Halloween os mais lembrados. Em meados da década de 1990 o gênero se reinventou com produções como Pânico, Lenda Urbana e Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado.

            Passados cerca de vinte anos da chegada desses “novos clássicos” do cinema de terror, o diretor Christopher B. Landon conseguiu dar um novo fôlego ao gênero, trazendo para as telonas o divertido e sinistro A Morte Te Dá Parabéns.

            A história gira em torno da estudante universitária Tree Gelbman (Jessica Rothe) em seu aniversário. A primeira parte do filme mostra a rotina da moça e nós podemos conhecer um pouco de seu caráter que, diga-se de passagem, não é lá muito bom.

A Morte Te Dá Parabéns - Foto 01
Jéssica Rothe dá vida – e morte – à protagonista Tree Gelbman – Todas as imagens e o vídeo são de divulgação da Universal Pictures

         Ela acorda em um dormitório da faculdade, onde passara a noite depois de uma bebedeira. Seu companheiro de quarto é o simpático Carter Davis (Israel Broussard), que faz de tudo para deixá-la “tranquila” pela manhã. Porém, a moça sai do quarto revoltada afinal, sua popularidade não pode ser abatida por uma “noitada com um mané qualquer”.   No caminho, ela encontra com uma ativista ambiental, com um casal que namora e é molhado pelos regadores automáticos do gramado, passa por um grupo de veteranos fazendo trote com calouros e esbarra em um rapaz com quem transara apenas uma vez. Ao chegar na fraternidade em que mora, recebe olhares enviesados da líder do lugar e despreza sua colega de quarto. O dia passa, ela esnoba o pai ao telefone e, à noite vai para mais uma festa. No caminho, porém, ela encontra-se com um estranho mascarado que a persegue por um beco e a mata com uma facada.

            Ela então acorda no quarto de e pensa que tudo foi um sonho. Até que as coisas começam a se repetir drasticamente e ela percebe que está revivendo o dia do seu aniversário que será, também, o dia do seu assassinato.

            A partir daí, Tree passa a criar diversas armadilhas e traçar diversos planos para descobrir quem é o seu algoz, contando com a ajuda de Carter. Mas há dois problemas: como não consegue descobrir logo quem é seu assassino, ela acaba morrendo no fim do dia e, ao retornar, tem que explicar tudo novamente ao rapaz, por quem começa a nutrir um carinho verdadeiro.

            A partir dos trinta minutos o filme fica bem mais ágil – não que ele tenha sido lento no começo – mostrando sucessivas mortes da personagem principal. A cada vez que ela falha em seu plano, morre de um jeito diferente. Eis aí uma boa referência às “mortes criativas” dos filmes produzidos nos anos 80 e 90. Além da facada, ela morre atropelada, incendiada, entre várias outras dolorosas maneiras.

A Morte Te Dá Parabéns - Foto 02           Surge, então, um terceiro problema: a protagonista está enfraquecendo. A cada morte, ela perde um pouco de energia e, se não conseguir acabar com a “maldição”, em pouco tempo morrerá e não conseguirá voltar.

            Quando o trailer foi lançado – praticamente simultâneo ao de O Culto de Chuky – circulou na internet uma teoria de que a máscara do assassino teria sido inspirado no boneco mais famoso do cinema. Pode até não ser verdade, mas que a foto do suposto assassino de Tree exibida na TV, em um determinado momento do filme, faz com que o ator fique muito parecido com Brad Dourif é um fato.

            Outra boa referência é ao filme Suspíria, de Dario Argento. A cena em que Tree está encurralada pelo assassino na torre lembra demais o filme de 1977. Neste momento, a jovem enfrenta um dilema: acabar com todo o problema de uma só vez ou salvar a vida de Carter, já alçado à categoria de namorado. Outro dado curioso que pode ter sido apenas coincidência, mas que merece nota: Carter é o sobrenome de Chris, um dos criadores da série Arquivo X e do filme Premonição (também o nome de um personagem deste filme)… macabro, não?

A Morte Te Dá Parabéns - Foto 03

 

          A sequência final é mais um dos pontos fortes do filme, onde a história dá uma reviravolta e a jovem tem que esclarecer um assunto que já parecia resolvido. É uma daquelas cenas de “quem matou?” que conseguem prender e agradar ao público. Nos minutos finais, o longa promove um alívio cômico dando referências explícitas a outro clássico do cinema: Feitiço do Tempo. Além das referências, há uma auto piada nos créditos iniciais, com o logo da Universal sendo “reiniciado” algumas vezes.

            Vale ressaltar que A Morte Te Dá Parabéns não é um filme bobo nem deve ser considerado um filme menor. Ele é engraçado e não se pretende levar a sério, o que é sua grande conquista. Não se engane, porém, achando que se trata de uma paródia. O filme sabe criar seu próprio universo, com suas regras e coerência. É assustador e divertido nos momentos certos. As mortes – principalmente da protagonista – têm os seus significados e são inseridas nos momentos oportunos.

            As tramas paralelas também são bem trabalhadas: questões como bullying, homossexualidade, popularidade acadêmica e infidelidade conjugal são abordadas de forma leva, mas consciente. Embora não levante bandeiras, o filme trata todos esses temas de um modo humano. Há ainda espaço para a boa e velha história de amor: embora não se lembre dos fatos do dia que se repete diversas vezes no decorrer do filme, Carter consegue conquistar o, aparentemente duro, coração de Tree. Se eles terão um merecido final feliz, só assistindo pra saber.

A Morte Te Dá Parabéns - Foto 04

            Merecem destaque no elenco, além dos protagonistas, Charles Aitken, como o introspectivo Gregory Butler; Rachel Matthews, como a paranoica Danielle Bouserman e Donna DuPlantier, como a enfermeira Deena, colega de quarto de Tree e que é esnobada pela amiga no começo do filme.

            Em suma, A Morte Te Dá Parabéns é um filme jovem, voltado para o público jovem, mas capaz de agradar também aos mais velhos. Quem está começando a se aventurar pelo gênero agora, terá uma boa oportunidade de ser fisgado para este  universo; para os veteranos, a nostalgia irá falar mais alto. Sugestivamente, o longa estreou nos EUA em 13/10, uma sexta-feira, no Brasil, como as estreias ocorrem às quintas, o filme chegou no dia 12. Crianças e terror: tudo a ver!

Clique aqui para assistir ao trailer do filme.

FICHA TÉCNICA:

Cartaz A Morte Te Dá Parabéns

 

 

 

 

TÍTULO ORIGINAL:

Happy Death Day

 

DIRETOR:

Christopher Landon

ROTEIRO:

Scott Lobdell

PRODUTOR:

Jason Blum

ELENCO:

Jessica Rothe – Tree Gelbman

Israel Broussard – Carter Davis

Charles Aitken – Gregory Butler

Jason Bayle – David Gelbman

Rachel Matthews – Danielle Bouseman

Billy Slaughter – Dr. Winter

Donna DuPlantier – Enfermeira Deena

 

ESTÚDIOS:

BLUMHOUSE PICTURES – Produção

UNIVERSAL PICTURES – Distribuição Internacional/Exportação/Lançamento e Distribuição no Brasil

 

GÊNERO:

Terro

EUA, 12/10/2017, Colorido, 96min, 14 anos

—-

Nota do Jornalista: 10

 

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