[CINE BH] – Mostra começa hoje com homenagens à cineasta Paz Encina, à escritora Conceição Evaristo e com exibição do filme “Se eu fosse vivo… vivia”

Ingressos serão distribuídos gratuitamente a partir das 19h na bilheteria do Cine Brasil

Antônio Pedro de Souza

A edição especial de 20 anos do Cine BH começa hoje na capital mineira. Entre as atrações do primeiro dia, estão o Cinemundi Lab, o Brasil Cinemundi e a abertura oficial do evento, que homenageará Paz Encina e Conceição Evaristo. Confira a programação completa:

11h20 – Cinemundi Lab – Laboratório de Desenvolvimento

            Projetos Categoria Foco Minas

            Casa da Mostra: Rua de Maricá, 43, Serra

(Atividade exclusiva para os projetos selecionados)

16h30 – Brasil Cinemundi – Encontro de Projetos

            Categorias: Horizonte, Doc Brasil, Foco Minas e WIP

            Holiday Inn, Professor Moraes, 600, Savassi

(Atividade exclusiva para os projetos selecionados)

18h – Brasil Cinemundi – Welcome Drink

            Holiday Inn, Professor Moraes, 600, Savassi

(Atividade exclusiva para os projetos selecionados e convidados)

20h – Abertura Oficial

PERFORMANCE AUDIOVISUAL

Apresentação da temática central do evento:

CINEMA LATINO-AMERICANO: O QUE SERÁ?

Direção: Chico de Paula e Lira Ribas

Roteiro: Chico de Paula, Lira Ribas e Raquel Hallak

Participações musicais: Augusta Barna, Cubanito, Elekuê,

Evandro Canutto, Saulo Soul

Atriz: Marina Viana

Apresentadora: Lira Ribas

VJ: Carlos P4nic

Motion Design: Raquel Pinheiro

Som Direto e Iluminação Cênica: QR Soluções

Empresa Produtora: Universo Produção

HOMENAGENS

À CINEASTA PARAGUAIA PAZ ENCINA

À ESCRITORA E ATRIZ CONCEIÇÃO EVARISTO

Nascida em Assunção, em 1971, Paz Encina construiu uma trajetória em paralelo à reemergência internacional do cinema paraguaio nas primeiras décadas do século XXI. Ou, mais precisamente, ela foi agente direta desse fenômeno. Formada em Cinematografia pela Universidad del Cine, em Buenos Aires, começou a realizar curtas-metragens ainda nos anos 1990 e trabalhou também com vídeo, instalações e diferentes suportes cinematográficos. Fazia audiovisual num país de produção historicamente descontínua, marcado por isolamento geográfico, sucessivos períodos autoritários e pela ditadura de Alfredo Stroessner, que permaneceu no poder entre 1954 e 1989. Nesse contexto, Encina teve a façanha de uma circulação internacional inédita a uma realizadora paraguaia de sua geração e ainda se tornou figura essencial em questões de como a memória de seu país virou matéria central de seu cinema.

Essa projeção ganhou escala com “Hamaca Paraguaya” (2006), seu primeiro longa-metragem, apresentado na seção Un Certain Regard do Festival de Cannes e vencedor do prêmio FIPRESCI (Federação Internacional de Jornalistas de Cinema). Falado em guarani, o filme acompanha um casal de camponeses idosos que espera o retorno do filho enviado à Guerra do Chaco, conflito histórico que tomou o país entre 1932 e 1935. A situação dramática mínima (duas pessoas, uma rede, a espera, a chuva que não chega, um filho ausente) permite a Encina organizar uma concepção rigorosa de duração, espaço e escuta. 

Em “Se Eu Fosse Vivo… Vivia”, a escritora Conceição Evaristo estreia como atriz de cinema ao interpretar Jacira, mulher que compartilhou a vida inteira com Gilberto, vivido por Norberto Novais Oliveira. A presença da mineira diante da câmera amplia os sentidos do filme: Evaristo, aos 79 anos, é uma referência cultural incontornável no Brasil e os temas da passagem do tempo e da permanência dos vínculos presentes no trabalho de André Novais se interligam à própria obra literária da autora. Ela não faz uma participação especial: Conceição Evaristo é a essência, o ponto nevrálgico, a grande presença no filme e no universo afetivo construído por André em vários outros trabalhos. Assim como nas letras da autora, a ficção do cineasta nasce do encontro entre experiências vividas, memórias familiares e a fabulação possível do confronto entre esses processos.

Nascida em Belo Horizonte, Conceição Evaristo, em romances, contos, poemas e ensaios, como “Ponciá Vicêncio”, “Becos da memória”, “Olhos d’água” e “Insubmissas lágrimas de mulheres”, transformou vivências e vozes de mulheres negras historicamente afastadas do centro da representação em força poética. A noção de “escrevivência”, desenvolvida por ela, articula seu poder de invenção às experiências individuais e faz da escrita um gesto simultaneamente pessoal, estético e político. Ao projetar nacional e internacionalmente histórias enraizadas nas periferias de Belo Horizonte e nas trajetórias da população negra brasileira, Conceição tornou-se também uma referência fundamental da cultura mineira, vínculo reafirmado por sua eleição para a Academia Mineira de Letras em 2024.

FILME DE ABERTURA | PRÉ-ESTREIA NACIONAL

SE EU FOSSE VIVO… VIVIA

FICÇÃO, COR, DIGITAL, 101MIN, MG, BRASIL, 2026

Direção: André Novais Oliveira

Gilberto e Jacira prometeram envelhecer juntos, na riqueza e na pobreza,

na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte os separe.

*Entrada franca. Retirada de ingresso a partir das 19h, por ordem de chegada. Sujeita à lotação do espaço.

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Foto: Divulgação Universo Produção/Luz Comunicação

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