“O Massacre da Serra Elétrica”, “Sexta-Feira 13” e “Pânico na Floresta” são revisitados no longa, que também explora o filão dos “filmes de bonecas”
Um terror que começa despretensioso, mas que termina nos fazendo agarrar aos braços da poltrona. Assim pode ser descrito, facilmente, “Dolly: A Boneca Maldita”, longa-metragem dirigido por Rod Blackhurst, com roteiro dele e de Brandon Weavil. A equipe de produção é composta, entre outros, por Fabianne Therese (Teenage Cocktail) e Sean William Scott (Premonição e franquia American Pie), que também estrelam o filme como o casal Macy e Chase. Como Dolly, temos a estreante Max the Impaler (Max, o Empalador; nome artístico da lutadora Max Lindsey).
“Na floresta, uma mãe chorou e desejou um amor que lhe foi negado. Surgiu, então, uma filha de luz. Até que o mal a envolveu em seu abraço. Agora a menina se esconde por trás de uma máscara. Para criar os seus, depois de tanto esperar.”
Com este letreiro, o filme começa e nos leva a um pesadelo bem ao estilo dos road movies clássicos de terror. Logo conhecemos o casal Macy e Chase. Ele irá pedir a mão dela em casamento e ela está oscilante, pois ele tem uma filha e ela não tem inclinações maternais.
A viagem segue tranquila até o mirante no meio de uma floresta, local onde será feito o pedido. Então, eles ouvem uma música e Chase resolve verificar o que é. Aquela boa e velha ideia de todo personagem de filme de terror. É claro que Chase se depara com algo horrível e, para os espetadores, há uma dose de violência gráfica gratuita para se apreciar.
Então, Macy resolve ir atrás do amado e também se depara com algo horrível, passando a ser refém de Dolly, uma criatura monstruosa que se esconde por trás de uma máscara de boneca de porcelana.
Dividido em capítulos (A Mãe, A Filha, A Casa, O Pai, A Reunião, A Luta e O Adeus), o filme cria uma atmosfera tensa ao explorar os medos da protagonista e, por consequência, do espectador. A produção lança mão, ainda, de referências a clássicos do slasher, como “Pânico na Floresta” (velha história do casal que resolve dar um tempo no meio do mato e se depara com assassinos insanos); “Sexta-Feira 13” (culto à mãe morta, instinto maternal deturpado e qualquer outra insanidade envolvendo mães e filhos criminosos) e até mesmo ao brasileiro “O Estranho Mundo do Zé do Caixão”, com o segmento em que um homem usa partes humanas para produzir bonecas. Mas, talvez, o filme mais homenageado seja, realmente, “O Massacre da Serra Elétrica”, de 1973, dirigido por Tobe Hooper.
Além da premissa do assassino mascarado (um clichê em qualquer bom slasher que se preze), nossa assassina aqui emite grunhidos e usa roupas que remetem a atividades domésticas, tal qual o Leatherface eternizado por Gunnar Hansen na década de 1970. Há vários frames que remetem à produção estrelada por Marylin Burns, como um ângulo em que a câmera foca o corredor (por onde a personagem pode fugir) tendo a porta principal à frente e a escada à esquerda (referência também à “Psiscose”, 1960, de Alfred Hitchcock). O segundo andar da casa, em que cada quarto guarda um segredo, o salto pela janela em que a protagonista pode, finalmente, escapar, além da cena final, onde uma espécie de histeria toma conta da mocinha. Sim, tudo remete ao Massacre.
Há, ainda, a “força policial”, que nos slashers só aparece para aumentar a contagem de corpos. Essa regra não falha em “Dolly”. E como em um bom filme de terror, o medo só acaba quando os créditos começam, vale a pena ficar até o fim da projeção e conferir uma narração ao fim da trilha sonora dos créditos finais, além de uma tímida, mas eficiente cena pós-créditos. Pois é…
Sem muito espaço para piadas, “Dolly: A Boneca Maldita” não economiza em sangue, ossos partidos e vômitos, além de facadas e pás atingindo e decepando várias partes dos corpos das infelizes vítimas. O filme é um excelente exemplar de um gênero que teve seu auge na década de 1980, entrou em declínio, mas parece ter ressurgido nos últimos anos, depois que alguns “especialistas” tiveram a pachorra de dizer que só havia espaço para o chamado “pós-terror” ou “terror elevado”. Classificação essas que nem existem de verdade. Ainda bem.
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Cotação por ossos:
10,0
