Visceral, filme mescla clichês de vários gêneros e entrega entretenimento de qualidade
Imagine juntar elementos de filmes sobre múmias, O Exorcista, Invocação do Mal e investigações criminais em um único filme. Foi exatamente isso que o cineasta irlandês Lee Cronin fez e entregou o excelente “Maldição da Múmia”. Coproduzido pela New Line Cinema (da Warner Bros.) e as badaladas novas produtoras de terror Atomic Monster e Blumhouse Productions, que entregaram verdadeiras pérolas do gênero na última década, o longa-metragem não traz nada tão original, mas é convincente o bastante para nos prender na cadeira pelas suas duas horas e quatorze minutos de projeção.
A história começa no Egito, onde acompanhamos uma família que irá se deparar com algo trágico. Em seguida, acompanhamos outra família, desta vez estadunidense, cujos pais trabalham no país africano. A mãe está grávida e os filhos Seb e Katie vivem os encantos e descobertas da infância.
Até que Katie some e o drama se instala no, até então, lar feliz. Até aqui, o longa entregou algumas passagens de filmes de aventura/suspense e drama. Então, entram as investigações policiais. Oito anos se passam e voltamos a ver essa família nos Estados Unidos. Seb é um jovem de 16 anos, Mould é uma adorável criança de 8 anos e os pais ainda aguardam notícias de Katie. Não tarda muito e essas notícias chegam: Katie foi encontrada viva!
O que era para ser um momento de felicidade, transforma-se lentamente num pesadelo com as melhores nuances de “O Exorcista” e “Invocação do Mal”. Katie está de volta, mas está deformada, muda, repleta de problemas físicos e mentais. A mãe e a avó materna estão dispostas a cuidar da moça até seus limites. O pai não desiste de tentar entender o que houve com ela e os irmãos tentam compreender a nova dinâmica familiar.
Na pista do misterioso sumiço de oito anos, está uma policial egípcia que começa a juntar as peças de um intrincado quebra-cabeças que, ao se revelar, mostrará uma terrível verdade que ultrapassa os limites dos séculos, evocando uma maldição milenar. Mas será que a família de Katie está pronta para encarar a verdade e conseguir superá-la? A fé da avó materna será capaz de destruir este mal ancestral? Aos poucos, essas e outras perguntas vão sendo respondidas em meio a um show brutal de imagens viscerais que envolvem unhas apodrecidas, coiotes sanguinários, pele lacerada, sangue, vômito e outras nojeiras que somente um cinema de qualidade e sem medo de julgamento é capaz de proporcionar.
Como dito antes, Lee Cronin não entrega uma obra 100% original, dadas as diversas referências vistas ao longo do filme. Mas consegue usar essas referências com tanta delicadeza e destreza, que nos convence e nos prende à cadeira do cinema até o fim dos créditos.
O final do filme é redentor, podendo ser dividido em duas partes: a primeira, mostrando um sacrifício por amor e fidelidade à família. A segunda, dando aquele gostinho de vingança que a gente, enquanto espectador, tanto gosta. Vale a pena esperar pela última cena.
Enfim, “Maldição da Múmia” é coeso com sua proposta, sabendo usar bem os clichês dos mais variados gêneros cinematográficos e dando uma lufada que o cinema tanto precisava.
Dica do Projeto Lumi: Muito cuidado ao cortar as unhas.

***
Cotação por Ossos:
10,0
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Ficha Técnica:
Título: Maldição da Múmia
Título original: Lee Cronin’s The Mummy
Duração: 2h14min
Gêneros: Suspense, Terror
Direção: Lee Cronin
Roteiro: Lee Cronin
Diretor de fotografia: Dave Garbett
Diretores de Arte: Shane McEnroe, Gary McGinty
Diretores de Elenco: Terri Taylor, Sarah Domeier
Figurinista: Joanna Eatwell
Montador chefe: Bryan Shaw
Designer de produção: Nick Bassett
Trilha Sonora: Stephen McKeon
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Elenco:
Jack Reynor – Charlie Cannon
Laia Costa – Larissa Cannon
May Calamawy – Detetive Dalia Zaki
Natalie Grace (II) – Katie Cannon
Shylo Molina – Sebastián Cannon
Veronica Falcón – Carmen Santiago
Hayat Kamille – A Mágica
May Elghety – Layla
Emily Mitchell – Katie (criança) Tim Seyfi – Dr. El-Sayed
