Rambo – Até o fim (Rambo – Last Blood)

Sylvester Stallone retorna mais uma vez a um dos personagens mais marcantes da cultura cinematográfica pop, John Rambo, em “Rambo – Até o fim”, a quinta parte da história do ex-boina Verde americano, que luta para superar seus traumas
Pérola Krissia

            John Rambo (Sylvester Stallone) vive em um rancho no Arizona herdado de seu pai. Recluso e discreto, Rambo só tem contato com o mundo para atuar como voluntário na busca por pessoas em situações de risco, já que é um exímio rastreador. Homem de poucas palavras, trabalha duro para manter o rancho funcionando. Suas paixões são treinar seus cavalos e cavalgar pelo campo com a jovem Gabrielle (Yvette Monreal),  neta de sua amiga (Adriana Barraza), a quem ajudou a criar como filha. Lutando contra seus traumas e convivendo com seu passado violento, ele está concentrado em sua mudança. Nas horas vagas dedica-se à construção de túneis pela extensão subterrânea do rancho, ali gasta suas energias e abstrai as terríveis lembranças e dores do passado. Tudo que ao longo de 10 anos, Rambo conquistou, emocionalmente e psicologicamente, pode se perder. Gabrielle decide ir à procura de seu pai biológico. Contrariando sua avó e ao próprio Rambo, que temem por sua segurança e bem estar, a garota parte em segredo para uma área pobre e violenta do México. Inexperiente e abalada com a rejeição de seu pai após encontrá-lo, Gabrielle cai em uma armadilha que lhe custará mais do que ela possa imaginar. Cabe a Rambo colocar suas resoluções de lado e partir em uma busca sangrenta por sua filha. Com a ajuda da jornalista Carmen Delgado (Paz Vega), Rambo travará uma guerra contra um cartel de tráfico de mulheres, Os Irmãos Martinez (Oscar Jaenada e Sergio Peris-Mencheta) e descobrirá que suas velhas habilidades deverão ser novamente usadas para salvar o resto que humanidade em seu coração.

            “Eu vivi em um mundo de morte. Eu assisti pessoas que amei morrerem. Alguns rápido, com uma bala, outros sem partes suficientes para enterrar.  Todos esses anos guardei meus segredos, mas chegou a hora de enfrentar meu passado.  E se eles vierem me procurar, eles receberão a morte.  Eu quero vingança.  Quero que eles saibam que a morte está chegando.  E não há nada que eles possam fazer para impedir isso.” John Rambo, narrativa em off.

            Ambientado 10 anos após os eventos de “Rambo (2008)”, o longa roteirizado por Stallone e Dan Gordon e dirigido por Adrian Grunberg, parte de uma premissa coerente com o que já vimos nos quatro antecessores. Rambo, é agora um tratador de cavalos que ultiliza suas habilidades militares para salvar pessoas, algo que em suas alucinações e lembranças, lhe é cobrado, sentindo-se totalmente responsável pelas mortes de seu passado. “Não consegui salva-los”. A eterna busca por redenção.

            Temos aqui um retrato humanizado, pela paternidade, da máquina de matar e é claro seu amor e dedicação, em tornar-se alguém melhor para cumprir-la. O relacionamento entre Gabrielle e Rambo é real, mas apresentado de forma rápida, por ela, ele luta para ser melhor e quando ela decide ir atras de seu pai biológico, ele a aconselha a esperar para um momento em que ela possa compreender melhor as maldades do mundo, dando a entender que a garota nunca havia saído de sua bolha de proteção. “Você não conhece a maldade” diz o homem. “Minha realidade é diferente da sua” insiste a garota. Outra relação estabelecida é de Rambo com Maria, avó de Gabrielle. Há cumplicidade e confiança entre os dois, e é a forma ultilizada para pontuar a mudança e crescimento do homem, mais uma vez, rapidamente. “Você me lembra seu pai sentado nessa cadeira.” Diz a mulher em dado momento, Rambo apenas balança a cabeça como quem diz: “Acho que estou conseguindo me tornar um homem bom”.

            Grunberg realiza um bom trabalho na direção e junto com Stallone, que conhece e respeita seu personagem, deixando claro suas limitações físicas e a utilização do conhecimento estratégico militar para a ação do filme. O embate final nos túneis é de arrepiar os cabelos. Tem ação, violência gore, frases de efeito. Ele coloca pra fora toda a fúria que tentou esconder. Além a inserção das armas mais famosas usadas na franquia, de sua inseparável faca a metralhadoras, passando por seu arco e o facão do último filme!

            Ainda que a violência chame a atenção, algo no roteiro ficou de lado, todas as questões sociais e políticas abordadas não são profundas o suficiente. E o desenvolver cai em uma sucessão de clichês. Paz Vega, está presente apenas para ser mais um nome conhecido do grande público, com uma pequena participação.

            Violento e em alguns momentos, emocionante, “Rambo – Até o fim” é uma carta de despedida à saga do sofrido ex-soldado. Um fim (se for mesmo, já que o próprio Stallone deu declarações que, dependendo do sucesso desse capítulo, voltaria a interpreta-lo) até poético para um grande soldado!

            “Bons soldados nunca morrem, eles apenas desaparecem.” – gen. MacArthur.

3/5

Direção: Adrian Grunberg

Elenco: Sylvester Stallone, Yvette Monreal, Paz Vaga, Sérgio Peris-Mencheta

Roteiro: Dan Gordon, Sylvester Stallone

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