Éramos Seis – Uma Experiência Estendida: Introdução

Nova adaptação da obra de Maria José Dupré estreia em 30 de setembro
Antônio Pedro de Souza*

            Há cerca de três anos, quando foi anunciado que a Rede Globo havia comprado os direitos sobre o livro “Éramos Seis”, de Maria José Dupré, muito se divagou sobre as possibilidades de uma refilmagem da novela e sob qual formato – novela, minissérie ou supersérie – isso se daria. Importante: na mesma ocasião, Sílvio de Abreu também havia readquirido seus direitos sobre o texto que serviu de base para duas produções televisivas inspiradas no mesmo livro. O tempo passou e a emissora carioca finalmente anunciou para 2020 a produção de sua versão de Éramos Seis. Em princípios deste ano, porém, o projeto foi antecipado e, agora, a novela tem estreia prevista para 30 de setembro. Ao longo das próximas semanas – e esperamos que ao longo de toda a novela – faremos análises e apresentaremos curiosidades sobre esta obra tão icônica da literatura brasileira e que soube cativar também o público televisivo. Essa é a nossa premissa: que o nosso leitor tenha uma experiência estendida sobre este clássico laçado há quase oitenta anos!

MARIA JOSÉ DUPRÉ

            Nascida em Botucatu-SP, em 1º de maio de 1898, mudou-se para São Paulo e se casou com o engenheiro Leandro Dupré, que a incentivou a seguir carreira na literatura. Publicou o conto Meninas Tristes em 1939 e seu primeiro romance em 1941: O Romance de Teresa Bernard. Em 1943, publicou o que viria a ser sua obra mais famosa: Éramos Seis. Depois, voltou-se ao público infanto-juvenil, para o qual escreveu livros como A Ilha Perdida e a série O Cachorrinho Samba. A escritora faleceu em 15 de maio de 1984, no Guarujá.

AS NOVELAS

            Esta não é a primeira e, a julgar pela qualidade literária da obra, não será a última vez que Éramos Seis é adaptada para a TV. A primeira aparição de Lola e sua família se deu em 1958 na Record, ainda na fase da TV ao vivo. Nesta versão, Lola foi interpretada por Gessy Fonseca e Júlio por Gilberto Chagas. A obra teve 22 capítulos que eram exibidos duas vezes por semana e ficou no ar entre 3 de fevereiro a 24 de abril. A adaptação e direção ficou a cargo de Ciro Bassini.

            A segunda versão foi produzida pela Tupi em 1967. Com texto de Pola Civelli e direção de Hélio Souto, a trama ficou no ar entre 1º de maio e 2 de junho, totalizando 29 capítulos. Na ocasião, Cleyde Yáconis interpretou Lola e Sílvio Rocha interpretou Júlio.

A Era Sílvio de Abreu e Rubens Ewald Filho

            Entre 6 de junho e 31 de dezembro de 1977 foi ao ar a terceira adaptação televisiva de Éramos Seis. Com 165 capítulos, inaugurou a “Era Sílvio de Abreu e Rubens Ewald Filho” em adaptações do título. Os dois, que vinham do cinema, fizeram sua estreia em roteiros para TV em uma tentativa de melhorar a audiência da Tupi perante o sucesso de Locomotivas, da Globo. Tanto que, aproveitando o começo da segunda fase, a Tupi alterou o horário de exibição de Éramos Seis, das 19h para às 19h30. Essa é uma das versões mais clássicas, sendo lembrada por muitos fãs saudosistas. Dirigida por Atílio Riccó e Plínio Paulo Fernandes, trouxe Nicette Bruno como Lola e Gianfrancesco Guarnieri como Júlio.

            Dezessete anos depois, o SBT adquiriu os direitos sobre a história e fez sua versão – na verdade, uma refilmagem do texto de Sílvio e Rubens. Como Sílvio já era contratado pela Globo, vendeu seus direitos sobre a obra e coube a Rubens adaptar o material para esta nova versão. Poucas foram as alterações e a novela se tornou um estrondoso sucesso, durando 180 capítulos, que foram exibidos entre 9 de maio e 5 de dezembro de 1994. A direção ficou a cargo de Del Rangel, Henrique Martins e Nilton Travesso. Lola foi interpretada por Irene Ravache e Júlio por Othon Bastos. Esta versão ia ao ar duas vezes ao dia: Por volta das 19h45 (logo após a novela A Viagem, da Globo) e reprisada após o término do capítulo de Fera Ferida, então novela das oito, da emissora carioca. A estratégia de Sílvio Santos era a de deixar que o público assistisse às novelas da Globo e do SBT sequencialmente, sem tentar forçar uma guerra de audiência. A tática – já utilizada com a minissérie Pássaros Feridos e a novela Roque Santeiro em 1985 – deu certo!

            Por fim, a Globo adquiriu os direitos sobre a obra e Sílvio de Abreu retomou sua parte. Assim, em 30 de setembro de 2019, estreará a 5ª versão – 3ª com texto de Sílvio e Rubens, recentemente falecido – desta obra imortal. Desta vez, a adaptação ficará a cargo de Ângela Chaves e direção de Pedro Peregrino, Carla Bohler, Oscar Francisco e Carlos Araújo. Glória Pires interpretará Lola e Antônio Calloni dará vida a Júlio.

* Com informações do site Teledramaturgia, do pesquisador Nilson Xavier.

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