A exposição é organizada como um percurso contínuo por quatro núcleos interligados – “A Origem”, “A Matéria”, “O Outro” e “A Voz” –, que conduzem o visitante por diferentes configurações espaciais e intensidades sensoriais
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) recebe até o dia 23 de outubro a exposição “Polifonia da Presença”, do diretor, roteirista e produtor Leonardo Barcelos. Com entrada gratuita, o projeto ocupa as galerias do Centro Cultural UFMG e propõe uma nova forma de experimentar o cinema documental, transformando imagens, sons, gestos e atmosferas cinematográficas em um convite para que o público não apenas assista aos trabalhos, mas entre nas obras. A mostra marca também a pré-estreia mundial de “Cartografias do Corpo”, série documental criada e dirigida por Leonardo Barcelos que reúne artistas como Zé Celso Martinez, Marina Abramović, ORLAN, Ayrson Heráclito, Paulo Nazareth, Natacha Voliakovsky, Carlos Martiel, além dos especialistas Suely Rolnik e Ailton Krenak.
O ineditismo do projeto está justamente na passagem do cinema para o espaço expositivo. Pela primeira vez, uma trilogia cinematográfica completa é transposta integralmente para uma linguagem imersiva e instalativa. Não se trata de simplesmente exibir filmes em um espaço cultural, mas de fazer com que suas imagens e sons ocupem fisicamente o ambiente e sejam atravessados pelo próprio corpo do visitante. “O objetivo é transformar essa pesquisa audiovisual em uma experiência corporal e sensorial. Mais do que transmitir conteúdos ou oferecer respostas fechadas, a exposição quer criar condições para que o público experimente essas questões por meio das imagens, dos sons, da luz, da fumaça, dos reflexos e dos diferentes materiais presentes nas instalações”, afirma Leonardo.
Em “A Origem”, uma grande projeção com imagens de “Corpo Presente” funciona como um portal visual. Raízes atravessam paredes e chão e conduzem o público até um espelho d’água, onde projeções, luz e fumaça criam um ambiente de passagem entre corpo, matéria e energia. O núcleo aborda a ancestralidade, a transformação e os ciclos da matéria.
“A Matéria” aproxima o corpo das ideias de gestação, criação, cuidado e transformação. Módulos circulares de tecido recebem projeções e iluminação cênica, enquanto uma cúpula de vidro, imagens e areia branca compõem um ambiente que pode remeter simultaneamente a um útero, um organismo, um planeta ou ao próprio universo. O núcleo também estabelece um diálogo direto com a performance de Ludmilla Ramalho, que encerra a programação da exposição no dia 23 de outubro.
Já “O Outro” propõe uma experiência de encontro e alteridade. Em um percurso labiríntico formado por espelhos, vidros, superfícies reflexivas, materiais translúcidos e projeções, o visitante vê seu próprio corpo misturado às imagens de outras pessoas. A experiência desloca a percepção de identidade e convida à reflexão sobre reconhecimento, diferença e pertencimento.
No núcleo “A Voz”, o corpo deixa de ser apenas imagem e passa a se afirmar também como discurso, memória e posição no mundo. Quatro telas apresentam diferentes eixos temáticos construídos a partir de trechos da série inédita Cartografias do Corpo, reunindo depoimentos, performances e fragmentos audiovisuais de artistas, pensadores, ativistas e personagens de diferentes gerações e contextos. As vozes abordam questões como identidade, gênero, raça, ancestralidade, território, tecnologia, opressão e emancipação, formando um campo de escuta em que experiências individuais se cruzam e ganham dimensão coletiva.
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SERVIÇO
Polifonia da Presença
Data: 18 de setembro a 25 de outubro de 2026
Grande Galeria do Centro Cultural UFMG (salas 1 a 5)
Horários: terça à sexta, das 12h às 20h. Sábado, domingo e feriados, das 9h às 17h
Entrada: gratuita
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Foto: Divulgação Cristina Sanches Comunicação e Arte
