Experiências em outros lugares mostra que bem essencial, como a água, não deveria ser “propriedade privada”
Do caos dos ônibus à conta alta de luz; da privatização da Copasa ao salário defasado dos professores; da segurança pública ao seu direito de escolha. Tudo é política! E é por isso que estreia hoje, no Projeto Lumi, esta coluna dedicada a tratar de temas de interesse público, visando apontar os problemas, mas também sugerindo melhoras. A ideia não é focar apenas no período eleitoral, mas frisar também a responsabilidade daqueles que serão eleitos em 4 de outubro. Afinal, estamos na época das belas promessas, sorrisos e afagos, mas passadas as eleições e iniciados os mandatos, é que saberemos, de fato, quem estará ao lado do povo.
Pra começar, precisamos falar da arbitrária privatização da Copasa, companhia de saneamento de Minas Gerais. O que os deputados que votaram a favor do plano nefasto do ex-governador Romeu Zema querem, de fato, com a venda da estatal? Experiências anteriores mostraram que nem sempre um serviço que é privatizado melhora. Mas, em todo caso, algumas privatizações acabaram se tornando imprescindíveis. Porém, o que causa espanto é quando essa onda de passar algo que é público para a iniciativa privada, transforma algo tão essencial como a água em uma simples mercadoria, passível de ser vendida a qualquer um.
No estado de São Paulo, o projeto mostrou-se um fiasco: recentemente, uma crise expôs os graves problemas que a empresa privada que detém o monopólio do saneamento tem em gerenciar o fornecimento de água e o cuidado com o esgoto.
Aqui perto da capital mineira, outro caso chama a atenção: em Ouro Preto, cujo fornecimento de água era controlado pela prefeitura, uma empresa privada tomou conta do negócio e o caos se instaurou. Caixas d’água comunitárias, que eram mantidas pela própria população de alguns bairros e comunidades mais distantes foram “sequestradas” pela empresa. Porém, a empresa não tem mantido a limpeza em dia e o resultado é uma água suja que chega para os clientes, que passaram a pagar caro pela conta.
Na região central do município, repúblicas de estudantes e famílias enfrentam os altos preços da conta de água. De acordo com o documentário “A Batalha Pela Água em Ouro Preto”, os preços podem chegar a R$2mil por mês e algumas famílias tiveram que recorrer a empréstimos para quitar uma conta que nunca será, de fato, quitada, já que a fatura desses serviços essenciais é mensal.
De nada adiantaram, porém, esses alertas; seja de outros estados, seja da própria vizinhança. Nosso ex-governador quis e levou adiante o plano de vender a estatal que não dava prejuízo e era a principal referência em distribuição de água e saneamento do estado de Minas Gerais.
Para que a venda desse certo, ele precisou contar com o apoio de deputados que, fingindo pensar no bem da população, com slogans bem ensaiados, cheios de palavras bonitas, mas vazias de sentido e de política real, votaram a favor da transação milionária, deixando Minas Gerais numa situação incômoda a partir de agora.
O processo de transferência da Copasa para a iniciativa privada ainda está em andamento, mas alguns problemas de desabastecimento e de baixa qualidade dos serviços já começam a ser sentidos.
Neste ponto, vale lembrar a lista com TODOS OS DEPUTADOS que votaram pela privatização medonha do nosso bem mais necessário. E, após relembrar cada um dos nomes e partidos, vale a reflexão: no dia 4 de outubro estas senhoras e estes senhores merecem o seu voto, nobre leitor? Eles estão mesmo preocupados em votar projetos de leis que atendam e beneficiem a população ou são apenas políticos oportunistas que visam o lucro próprio, mesmo que o povo (a quem eles dizem representar) pagam taxas altíssimas e recebem serviços porcos e sem garantias? Reflita.
Votaram a favor da privatização da Copasa:
- Adalclever Lopes (PSD)
- Adriano Alvarenga (PP)
- Amanda Teixeira Dias (PL)
- Antonio Carlos Arantes (PL)
- Arlen Santiago (Avante)
- Arnaldo Silva (União)
- Betinho Pinto Coelho (PV)
- Bim da Ambulância (Avante)
- Bosco (Cidadania)
- Bruno Engler (PL)
- Carlos Henrique (Republicanos)
- Carlos Pimenta (PDT)
- Carol Caram (Avante)
- Cássio Soares (PSD)
- Charles Santos (Republicanos)
- Chiara Biondini (PP)
- Coronel Henrique (PL)
- Delegada Sheila (PL)
- Delegado Christiano Xavier (PSD)
- Doorgal Andrada (PRD)
- Doutor Paulo (PRD)
- Doutor Wilson Batista (PSD)
- Dr. Maurício (Novo)
- Duarte Bechir (PSD)
- Enes Cândido (Republicanos)
- Eduardo Azevedo (PL)
- Gil Pereira (PSD)
- Grego da Fundação (PMN)
- Gustavo Santana (PL)
- Gustavo Valadares (PSD)
- Ione Pinheiro (União)
- João Magalhães (MDB)
- Leandro Genaro (PSD)
- Leonídio Bouças (PSDB)
- Lincoln Drumond (PL)
- Lud Falcão (Podemos)
- Maria Clara Marra (PSDB)
- Marli Ribeiro (PL)
- Mauro Tramonte (Republicanos)
- Nayara Rocha (PP)
- Neilando Pimenta (PSB)
- Noraldino Júnior (PSB)
- Oscar Teixeira (PP)
- Professor Wendel Mesquita (Solidariedade)
- Rafael Martins (PSD)
- Raul Belém (Cidadania)
- Roberto Andrade (PRD)
- Rodrigo Lopes (União)
- Thiago Cota (PDT)
- Tito Torres (PSD)
- Vitório Júnior (PP)
- Zé Guilherme (PP)
Zé Laviola (Novo)
