Por que devemos prestar atenção em quem privatizou a Copasa?

Experiências em outros lugares mostra que bem essencial, como a água, não deveria ser “propriedade privada”

Antônio Pedro de Souza

Do caos dos ônibus à conta alta de luz; da privatização da Copasa ao salário defasado dos professores; da segurança pública ao seu direito de escolha. Tudo é política! E é por isso que estreia hoje, no Projeto Lumi, esta coluna dedicada a tratar de temas de interesse público, visando apontar os problemas, mas também sugerindo melhoras. A ideia não é focar apenas no período eleitoral, mas frisar também a responsabilidade daqueles que serão eleitos em 4 de outubro. Afinal, estamos na época das belas promessas, sorrisos e afagos, mas passadas as eleições e iniciados os mandatos, é que saberemos, de fato, quem estará ao lado do povo.

Pra começar, precisamos falar da arbitrária privatização da Copasa, companhia de saneamento de Minas Gerais. O que os deputados que votaram a favor do plano nefasto do ex-governador Romeu Zema querem, de fato, com a venda da estatal? Experiências anteriores mostraram que nem sempre um serviço que é privatizado melhora. Mas, em todo caso, algumas privatizações acabaram se tornando imprescindíveis. Porém, o que causa espanto é quando essa onda de passar algo que é público para a iniciativa privada, transforma algo tão essencial como a água em uma simples mercadoria, passível de ser vendida a qualquer um.

No estado de São Paulo, o projeto mostrou-se um fiasco: recentemente, uma crise expôs os graves problemas que a empresa privada que detém o monopólio do saneamento tem em gerenciar o fornecimento de água e o cuidado com o esgoto.

Aqui perto da capital mineira, outro caso chama a atenção: em Ouro Preto, cujo fornecimento de água era controlado pela prefeitura, uma empresa privada tomou conta do negócio e o caos se instaurou. Caixas d’água comunitárias, que eram mantidas pela própria população de alguns bairros e comunidades mais distantes foram “sequestradas” pela empresa. Porém, a empresa não tem mantido a limpeza em dia e o resultado é uma água suja que chega para os clientes, que passaram a pagar caro pela conta.

Na região central do município, repúblicas de estudantes e famílias enfrentam os altos preços da conta de água. De acordo com o documentário “A Batalha Pela Água em Ouro Preto”, os preços podem chegar a R$2mil por mês e algumas famílias tiveram que recorrer a empréstimos para quitar uma conta que nunca será, de fato, quitada, já que a fatura desses serviços essenciais é mensal.

De nada adiantaram, porém, esses alertas; seja de outros estados, seja da própria vizinhança. Nosso ex-governador quis e levou adiante o plano de vender a estatal que não dava prejuízo e era a principal referência em distribuição de água e saneamento do estado de Minas Gerais.

Para que a venda desse certo, ele precisou contar com o apoio de deputados que, fingindo pensar no bem da população, com slogans bem ensaiados, cheios de palavras bonitas, mas vazias de sentido e de política real, votaram a favor da transação milionária, deixando Minas Gerais numa situação incômoda a partir de agora.

O processo de transferência da Copasa para a iniciativa privada ainda está em andamento, mas alguns problemas de desabastecimento e de baixa qualidade dos serviços já começam a ser sentidos.

Neste ponto, vale lembrar a lista com TODOS OS DEPUTADOS que votaram pela privatização medonha do nosso bem mais necessário. E, após relembrar cada um dos nomes e partidos, vale a reflexão: no dia 4 de outubro estas senhoras e estes senhores merecem o seu voto, nobre leitor? Eles estão mesmo preocupados em votar projetos de leis que atendam e beneficiem a população ou são apenas políticos oportunistas que visam o lucro próprio, mesmo que o povo (a quem eles dizem representar) pagam taxas altíssimas e recebem serviços porcos e sem garantias? Reflita.

Votaram a favor da privatização da Copasa:

  1. Adalclever Lopes (PSD)
  2. Adriano Alvarenga (PP)
  3. Amanda Teixeira Dias (PL)
  4. Antonio Carlos Arantes (PL)
  5. Arlen Santiago (Avante)
  6. Arnaldo Silva (União)
  7. Betinho Pinto Coelho (PV)
  8. Bim da Ambulância (Avante)
  9. Bosco (Cidadania)
  10. Bruno Engler (PL)
  11. Carlos Henrique (Republicanos)
  12. Carlos Pimenta (PDT)
  13. Carol Caram (Avante)
  14. Cássio Soares (PSD)
  15. Charles Santos (Republicanos)
  16. Chiara Biondini (PP)
  17. Coronel Henrique (PL)
  18. Delegada Sheila (PL)
  19. Delegado Christiano Xavier (PSD)
  20. Doorgal Andrada (PRD)
  21. Doutor Paulo (PRD)
  22. Doutor Wilson Batista (PSD)
  23. Dr. Maurício (Novo)
  24. Duarte Bechir (PSD)
  25. Enes Cândido (Republicanos)
  26. Eduardo Azevedo (PL)
  27. Gil Pereira (PSD)
  28. Grego da Fundação (PMN)
  29. Gustavo Santana (PL)
  30. Gustavo Valadares (PSD)
  31. Ione Pinheiro (União)
  32. João Magalhães (MDB)
  33. Leandro Genaro (PSD)
  34. Leonídio Bouças (PSDB)
  35. Lincoln Drumond (PL)
  36. Lud Falcão (Podemos)
  37. Maria Clara Marra (PSDB)
  38. Marli Ribeiro (PL)
  39. Mauro Tramonte (Republicanos)
  40. Nayara Rocha (PP)
  41. Neilando Pimenta (PSB)
  42. Noraldino Júnior (PSB)
  43. Oscar Teixeira (PP)
  44. Professor Wendel Mesquita (Solidariedade)
  45. Rafael Martins (PSD)
  46. Raul Belém (Cidadania)
  47. Roberto Andrade (PRD)
  48. Rodrigo Lopes (União)
  49. Thiago Cota (PDT)
  50. Tito Torres (PSD)
  51. Vitório Júnior (PP)
  52. Zé Guilherme (PP)

Zé Laviola (Novo)

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