[CINE BH] 102 produções compõem a mostra de cinema entre os dias 22 e 27 de setembro

Serão 18 estados brasileiros representados, além de filmes da Argentina, Chile, Colômbia, Cuba, México, Paraguai e Venezuela

Antônio Pedro de Souza

Começa nesta terça-feira, 22/9, a 20ª edição do CINE BH que, em 2026, traz 102 filmes divididos em 69 sessões presenciais, além de uma programação online. As produções contemplam, entre curtas e longas-metragens, realizações de 18 estados brasileiros e também de outros países. Todas as sessões serão gratuitas.

Confira, abaixo, o panorama da mostra:

Em 2026, serão exibidos 102 filmes, sendo 49 longas e 53 curtas-metragens, distribuídos em 69 sessões. A seleção reúne produções brasileiras de 18 estados  – Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo —, além de filmes e coproduções de oito países – Argentina, Chile, Colômbia, Cuba, México, Paraguai e Venezuela. Os títulos integram as mostras Horizonte, Território, Vertentes, Praça, CineMundi, Homenagem e Diálogos Históricos, A Cidade em Movimento, Curtas Contemporâneos, Retrospectiva 20 Anos, Olhares das Argentinas, Mostrinha e Cine-Expressão – A Escola vai ao Cinema, além das sessões de abertura, Clássica e Família, do Cine-Concerto Central do Brasil  e da programação online. As atividades ocupam oito espaços da capital mineira.

Abertura:

A abertura da 20ª CineBH será realizada no dia 22 de setembro, terça-feira, às 20 horas, no Grande Teatro do Cine Theatro Brasil, com a pré-estreia nacional de “Se Eu Fosse Vivo… Vivia”, novo longa-metragem do cineasta mineiro André Novais Oliveira, produzido pela Filmes de Plástico. A cerimônia também prestará homenagens à cineasta paraguaia Paz Encina e à escritora e atriz Conceição Evaristo, que estarão em Belo Horizonte para receber o Troféu Horizonte. 

Tema e Mostras Horizonte e Território:

A pergunta “Cinema Latino-Americano: O que será?” orienta as reflexões da 20ª CineBH, sendo este ano a temática central. As mostras Horizonte e Território, que formam os dois recortes competitivos latino-americanos da edição, estão integradas à essa temática. Novidade este ano, a Horizonte é dedicada exclusivamente a primeiros longas-metragens ou estreias de realizadores na direção de longas e coloca em discussão as condições enfrentadas por quem inicia uma filmografia no continente. A seleção reúne seis títulos: “Si Vas Para Chile” (Chile), de Amilcar Infante e Sebastián González Méndez; “Cuba y la Noche” (Cuba/Espanha), de Sergio Fernandez Borrás; “El Sonido Es el Cuerpo” (Colômbia), de Diego Andrés Murillo; “Jankee” (México/Argentina), de Yamel Thompson; “Sabes de Mim, Agora Esqueça” (Brasil), de Denise Vieira; e “Los Nadadores” (Argentina/México/Estados Unidos), de Sol Iglesias SK. Segundo a curadoria, esse conjunto mostra a variedade de formas cinematográficas e os deslocamentos geográficos de uma geração de realizadores, incluindo cineastas que trabalham fora de seus países de origem.

Já a Mostra Território, seção competitiva na CineBH desde 2023, passa por reformulação: deixa de limitar a participação a cineastas com até três longas e passa a receber realizadores em diferentes momentos de suas trajetórias. O princípio territorial permanece compreendido em dimensões geográficas, culturais e subjetivas. Os seis filmes selecionados são “Pukem Swa” (Colômbia), de Samuel Moreno Alvarez; “Nuestro Cuerpo Es una Estrella que se Expande” (México), de Semillites Hernández Velasco e Tania Hernández Velasco; “La Vida que Vendrá” (Chile), de Karin Cuyul; “Telúrica, a Íntima Utopia” (Brasil), de Mariana Lacerda; “Deserto Vértigo” (Argentina), de Rocío Barbenza; e “Calle Cuba” (Cuba), de Vanessa Batista. Desertos, espaços rurais, bairros, corpos, arquivos e diferentes formas de pertencimento atravessam a seleção, com procedimentos documentais, ensaísticos e performáticos. A curadoria das mostras Horizonte e Território ficou a cargo de Cléber Eduardo, Ester Marçal Fér, Leonardo Amaral, Mariana Queen Nwabasili e Gustavo Maan.

Mostra Vertentes:

Na Mostra Vertentes, filmes brasileiros contemporâneos de grande repercussão terão pré-estreia nacional e bate-papos após cada sessão. Entre eles, títulos que vêm chamando atenção em circuitos e premiações, como “Pele de Rinoceronte”, de Marcelo Maia; “Virtuosas”, de Cíntia Domit Bittar; “Leite em Pó”, de Carlos Segundo; “Yellow Cake”, de Tiago Melo; “Entre o Sucesso e a Lama”, de Cristiano Burlan; “O Filho da Puta”, de Otto Guerra, Tanya Anaya, Sávio Leite e Érica Maradona; “Reparação”, de Marcus Curvelo; “Adulto/Homem”, de Pedro Diógenes; e “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha”, de Janaína Marques. A curadoria da Mostra Vertentes foi feita por Marcelo Miranda e Rubens Anzolin.

Olhares da Argentina:

Este ano, um recorte especial “Olhares da Argentina” exibe “El Príncipe de Nanawa”(Argentina/Paraguai), de Clarisa Navas, e “Caigan las Rosas Blancas” (Argentina/Espanha), de Albertina Carri  e inclui ainda “Nuestra Tierra” (Argentina), de Lucrecia Martel. A curadoria é de Cléber Eduardo.

Curta no Almoço/Curtas Contemporâneos:

Os filmes selecionados estabelecem relações com territórios, questões de gênero e identidade, vínculos familiares e afetivos, conflitos sociais e ambientais e exploram diferentes possibilidades de imaginário. A seleção também evidencia uma ampla diversidade regional, com produções de Amazonas, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e São Paulo, sendo total de 11 estados em todas as cinco regiões do país. A seleção de curtas foi feita por Rubens Fabricio Anzolin e Marcelo Miranda. 

Retrospectiva Comemorativa:

Dentre os destaques estão “A Via Láctea” (2007), de Lina Chamie; “Lóki: Arnaldo Baptista” (2008), de Paulo Henrique Fontenelle; “Mate-me Por Favor” (2015), de Anita Rocha da Silveira; “Corpo Elétrico” (2017), de Marcelo Caetano; e  “Sol Alegria” (2018), de Tavinho Teixeira e Mariah Teixeira.

Mostra Praça:

“Querido Mundo”, de Miguel Falabella, codirigido por Hsu Chien; e “Sexa”, de Glória Pires. A animação mineira “Ana, En Passant”, de Fernanda Salgado, e a aventura “Folclórica”, de Rodrigo Aragão, todo feito com bonecos e marionetes, são os outros títulos que estarão na Praça da Liberdade, em programas para toda a família. 

Cidade em Movimento:

Com curadoria de Bruna Piantino, segue seu percurso de exibir a produção independente de Belo Horizonte e região metropolitana. Sob o título, este ano, de “Abecedário da Existência”, a edição está organizada em cinco programas (15 curtas e 2 longas-metragens) que partem da cidade-território para investigar dimensões da experiência humana, das relações com o espaço e o corpo às questões ambientais, à linguagem e às formas de existência coletiva. Entre os trabalhos programados estão “Como Atravessar Paredes: a História do Centro Cultural Galpão Cine Horto”, de Chico Pelúcio, Henrique Vertchenko, Marcos Coletta e Rodolfo Magalhães; “Ouro de Tolo Remix”, de Gabriel Afonso; “Todas as Cores que Eu Já Senti na Vida”, de Bernardo Franco; “Queremos Praia – Anunciação…”, de Chico Pelúcio, Marcelo Braga e Rodolfo Magalhães; e “Um Mar”, de Duna Dias e Leonardo Augusto.

Brasil Cine Mundi:

Integrado à CineBH, o Brasil CineMundi – Encontro Internacional de Coprodução chega à 17ª edição consolidado como espaço de encontro entre projetos brasileiros e a indústria audiovisual internacional. Em 2026, foram selecionados 37 projetos, distribuídos em cinco categorias: 10 na Horizonte, dedicada a longas de ficção em desenvolvimento; seis na DocBrasil, de documentários; seis na Foco Minas, exclusiva para projetos mineiros; cinco no Work in Progress (WIP), para filmes em finalização; e dez na Paradiso Multiplica. A seleção veio de um recorde de 375 inscrições e contempla projetos de 11 estados brasileiros. Minas Gerais lidera a presença, com 10 trabalhos, seguido por São Paulo, com nove, e Pernambuco, com cinco.

Mais de 50 convidados de 15 países participam das atividades do Brasil CineMundi, entre representantes de Alemanha, Argentina, Áustria, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Cuba, Espanha, França, Itália, México, República Dominicana, Senegal e Uruguai. Uma das novidades é a realização de sessões de pitching para 22 projetos das categorias Horizonte, DocBrasil e Foco Minas. Esses trabalhos participam também do Lab de Desenvolvimento e, juntamente com os cinco filmes do WIP, integram rodadas de negócios com representantes da indústria internacional. O programa oferece ainda atividades de preparação, consultorias e formação voltadas ao desenvolvimento dos projetos e à aproximação com potenciais parceiros.

A seleção desse cinema brasileirio do futuro apresenta diversidade regional e temática, com trabalhos de realizadores afro-brasileiros e LGBTQIA+, estreias de atrizes na direção e cineastas presentes em diferentes etapas de desenvolvimento de seus trabalhos.

Homenagens:

PAZ ENCINA – CINEASTA PARAGUAIA

A relação entre memória, história, território e permanência que atravessa a temática encontra um ponto de convergência na obra de Paz Encina, homenageada desta edição da CineBH. Nascida em Assunção e formada em direção cinematográfica pela Universidad del Cine de Buenos Aires, a realizadora construiu nas últimas duas décadas uma filmografia ligada à história e às memórias do Paraguai. Reconhecida internacionalmente desde 2006, Encina se consolidou como uma das cineastas centrais da produção latino-americana contemporânea, ao lado da argentina Lucrecia Martel, e desenvolveu um trabalho em que imagem, som, ausência e memória estabelecem relações particulares com os processos históricos de seu país.

Seu primeiro longa, “Hamaca Paraguaya”, completa 20 anos em 2026. O filme estreou na seção Un Certain Regard do Festival de Cannes e recebeu o prêmio da FIPRESCI. Falado em guarani e centrado num casal de camponeses idosos à espera do retorno do filho da Guerra do Chaco, tornou-se também um marco para o cinema paraguaio ao ser o primeiro longa realizado no país desde 1978. A CineBH exibirá o filme na Mostra Diálogos Históricos, junto a “Ejercicios de Memoria” (2016), construído a partir das lembranças dos filhos do opositor da ditadura de Alfredo Stroessner Agustín Goiburú, e “Carta a un Viejo Master”(2024), coprodução com o Brasil na qual Encina estabelece uma carta cinematográfica endereçada a Eduardo Coutinho. As três sessões terão bate-papos com a diretora.

CONCEIÇÃO EVARISTO – ESCRITORA E ATRIZ 

A 20ª CineBH também homenageia Conceição Evaristo, uma das mais importantes escritoras brasileiras contemporâneas, cuja obra é marcada pela escrevivência e pela presença das experiências de mulheres negras na literatura. Mineira de Belo Horizonte, autora de livros como “Ponciá Vicêncio”, “Becos da Memória” e “Olhos d’Água”, Conceição faz sua estreia como atriz de cinema em “Se Eu Fosse Vivo… Vivia”, filme de abertura dirigido por André Novais Oliveira. A homenagem reconhece sua trajetória e a força de uma obra que atravessa a literatura, a educação e a cultura brasileira, e celebra sua chegada às telas na edição de 20 anos da Mostra.

___

Foto: frame do filme “Se eu fosse vivo… vivia” – Divulgação: ATTI Comunicação

Deixe um comentário