Crítica: O Fim da Rua

Filme estrelado por Anne Hathaway é um excelente entretenimento que mescla os anos 80, cachorro e dinossauros

Antônio Pedro de Souza

Anne Hathaway tem muito a comemorar em 2026: afinal, a atriz querida do público e da crítica estrela, ao menos, três filmes aguardados ansiosamente pelos fãs. O ano começou com “O Diabo Veste Prada 2”, em que Anne revisita o seu passado como a personagem Andrea Sachs. Continuação da obra de 2006, o longa foi coestrelado por Meryl Streep e Emily Blunt, arrancando elogios e criando um clima nostálgico entre os amantes do primeiro filme. Meses depois, Anne voltou aos holofotes ao interpretar a imponente Penélope, em “A Odisseia”. Aqui, a atriz pôde viver um passado mais longínquo: já que a trama se passa na Antiguidade Clássica, séculos antes de Cristo. Falando em passado, Hathaway, agora, vive uma curiosa linha do tempo: Em “O Fim da Rua”, sua personagem Denise começa a história em 1982, mas é transportada para cerca 200 milhões de anos atrás. Convenhamos, uma baita volta ao passado, não só para a personagem, mas para o Planeta Terra.

O longa-metragem dirigido por David Robert Mitchell (Corrente do Mal) e produzido por J.J. Abrams (Lost) começa na década de 1980, numa tarde bucólica em um tranquilo bairro residencial. Denise Platt (Anne Hathaway), seu marido Greg (Ewan McGregor) e seus filhos Bryan (Christian Convery) e Audrey (Maisy Stella) participam de uma confraternização entre vizinhos. Embora o clima seja amistoso, Denise tem dúvidas sobre seu casamento, o que é percebido pelos filhos do casal.

Ao conversar com uma simpática vizinha, que lê e edita o livro que Denise escreve secretamente, as duas se deparam com uma misteriosa planta nascida no quintal da editora. Denise fotografa o espécime e inicia uma pesquisa na biblioteca da cidade, onde recebe a ajuda da bibliotecária que afirma que tal planta se parece muito com uma extinta há cerca de 200 milhões de anos.

Na mesma noite, o cachorrinho da família e Bryan veem misteriosas luzes no céu. Na manhã seguinte, os Platt são confrontados por um vizinho que afirma que Bryan colocou vários quilos de cocô em seu jardim. À noite, durante uma estranha tempestade, novas luzes são avistadas por todos e, então, uma mudança súbita de pressão faz com que a energia seja cortada e a tempestade cesse imediatamente. Gritos são ouvidos ao longe, mas nada de anormal é visto de imediato.

Na manhã seguinte, algumas pessoas saem para o trabalho e, então, o tumulto tem início, embora a família Platt leve um tempinho a mais para descobrir o que aconteceu. Aqui, o filme opta por não mostrar tudo de uma única vez e isso é um grande acerto. Seguindo o caminho trilhado por “Tubarão”, os jurássicos oponentes dos protagonistas são revelados aos poucos: alguns grunhidos, alguns olhos misteriosos entre as folhagens, estranhas pegadas sujas de sangue na casa da editora de Denise… Então, à medida que a trilha sonora aumenta de volume e de intensidade, Greg corre por um lado de uma cerca, enquanto algo o persegue pelo outro lado levantando mesas e roupas. Finalmente, os bichos são mostrados em toda a sua grandiosidade e perigo.

Com uma duração padrão (1h40), O Fim da Rua consegue dosar suspense, ação e aventura familiar sem precisar ser longo demais, o que evita a famosa “encheção de linguiça”. Todas as cenas do filme têm um propósito e vão se interligar em algum momento. No começo, Audrey revela a uma amiga que gostaria de estudar na universidade em que Carl Sagan leciona. Ela cita a famosa série Cosmos, apresentada pelo cientista. Quando a família descobre que o bairro em que reside foi transportado para o passado, é Audrey quem explica os conceitos básicos dos “buracos de minhoca” e possíveis viagens no tempo.

Ainda os dramas pessoais e familiares dos Platt: Prevendo o divórcio dos pais, Bryan tem se tornado um adolescente rebelde, que se envolve em uma briga, ocasionando a fratura do braço de um colega de escola. A rixa é resolvida depois (ou seria antes, já que toda a vizinhança viaja ao passado?) numa cena que remete aos clássicos embates adolescentes dos filmes da década de 1980.

Se Denise escreve escondida de Greg, o marido também tem um segredo, que envolve a fonte de renda da família. A verdade será revelada num dos momentos mais tensos do filme. Além disso, há Starbuck, o cachorrinho da família e, de certo modo, o responsável por tirar os Platt da zona de conforto (se é que exista tal zona na era dos dinos) e fazê-los encarar seus piores medos.

Uma vez fora de casa, pais, filhos, cachorro e outros sobreviventes que cruzam os caminhos dos Platt terão que unir forças para sobreviver aos obstáculos que nenhum deles jamais sonhou existir, além de tentar descobrir se será possível voltar para a sua linha do tempo.

A ambientação na década de 1980 é primorosa, com cenários remetendo aos estilos de construção daquela época, bem como os programas de TV, aparelhos que quase todas as casas tinham e as roupas. Destaque para os shorts curtos que homens e adolescentes usavam no conforto de suas casas ou nos piqueniques dos fins de semana. A produção caprichou na pesquisa. Quando o bairro é jogado na viagem temporal e a paisagem muda, o cuidado com espécies vegetais e animais também se mostra interessante. E mesmo que nem todas as espécies de dinossauros tenham vivido no mesmo período histórico, é divertido vê-los conviver no filme, mesmo que nem sempre harmoniosos e SEMPRE tentando devorar um integrante da família Platt.

Além do trauma da viagem no tempo, vários são os sobreviventes que sucumbem às forças ancestrais da natureza, em cenas que variam entre engraçadas e trágicas, com direito a muito sangue e mutilação na tela. Vale destacar, ao menos, três cenas: o sexo entre dois dinos – um dos alívios cômicos do filme, antes de uma grande tragédia; a invasão de uma cobra gigante à casa dos Platt; e a primeira tentativa (fracassada, diga-se de passagem) de Bryan usar um portal temporal.

Para as demais cenas (incluindo a cena trágica mencionada acima), o espectador realmente precisa ver o filme, já que uma revelação aqui diminuiria o impacto do momento.

Enfim, vale ressaltar que a junção do roteirista/diretor David Robert Mitchell, com o produtor J.J. Abrams, somados aos talentos de Ewan McGregor e, especialmente, a onipresente Anne Hathaway, fazem de “O Fim da Rua”, um excelente entretenimento para se assistir no cinema. Um filme que mescla diversão e tensão, resgata a nostalgia dos anos 1980 e nos transporta para o período jurássico de maneira convincente. Um novo clássico está surgindo. E mais um blockbuster na conta de Anne Hathaway.

***

Cotação por ossos: 10,0

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Ficha Técnica:

O Fim da Rua

Título original: The End Of Oak Street

Direção/Roteiro: David Robert Mitchell

Produção: J.J. Abrams

Duração: 1h 40min

Lançamento (Brasil): 13/8/2026

Gêneros: Aventura, Ação, Ficção Científica

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Elenco:

Anne Hathaway – Denise Platt

Ewan McGregor – Greg Platt

Maisy Stella – Audrey Platt

Christian Convery – Brian Platt

Jordan Alexa Davis – Jeannette Christiansen

P.J. Byrne – Mel Jacobs

Hudson Meek – Kaden Tucker

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Empresas:

Warner Bros.

Bad Robot

Good Fear

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Foto: Warner Bros. – Divulgação: Espaço/Z

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