Crítica: A Médium

Falso documentário apresenta terror convincente

Antônio Pedro de Souza

Lançado no Brasil pela Paris Filmes, o longa-metragem tailandês “A Médium” explora a crença em torno de uma divindade e sua influência em uma aldeia, dividida entre essa fé e o cristianismo.

Em tom documental, o filme apresenta a personagem central, uma afamada médium, e sua relação com familiares, especialmente sua sobrinha, que passa a receber os “dons mediúnicos” no auge da juventude. Porém ,o que parecia ser uma bênção, mostra-se, na verdade, uma maldição: a jovem é possuída por uma legião de demônios que a fazem ter comportamentos deploráveis.

Disposta a ajudar a sobrinha, a médium acaba descobrindo mais sobre o seu passado e o relacionamento com a irmã, mãe da jovem possuída, o que acarreta em desdobramentos nada amistosos.

Com uma sacada inteligente, o filme explora bastante o lado documental, o que nos faz acreditar em vários momentos que se trata mesmo de uma história real e não apenas de uma obra ficcionalizada. É claro que em alguns momentos, as filmagens soam artificiais, afinal, a tal “equipe jornalística” segue os personagens por todos os lugares: ônibus, escritórios em que eles trabalham etc. Porém, ainda soa mais verdadeiro que o famigerado found-footage, tão em voga na década passada.

Quando precisam saber o que a jovem possuída faz à noite, a equipe espalha câmeras pela casa, dando um ar de “Atividade Paranormal” ao filme. As cenas, porém, revelam acontecimentos chocantes, como o que acontece a adorável poodle. É ver para crer.

Com claras referências a “O Exorcista” e outros filmes sobre possessão demoníaca, A Médium convence e entrega um entretenimento de qualidade, não soando cansativo mesmo com suas duas horas e onze minutos de duração (que passam incrivelmente rápido, graças à qualidade do roteiro). Aliás, o roteiro é simples, direto e, por isso, eficaz. Não há histórias mirabolantes e confusas, que prejudicariam o entendimento do espectador, ao mesmo tempo que não é uma história boba, tola. Tem profundidade na medida certa.

O terror não é jogado de uma vez na tela, mas vai se instalando aos poucos, prendendo nossa atenção, agarrando nossa pele vagarosamente, de modo que quando percebemos, já estamos enredados pela história e fica difícil se livrar dela.

Obra altamente recomendada para noites frias, escuras e chuvosas.

Cotação por Ossos:

10

***

Imagens gentilmente cedidas pela Paris Filmes e Espaço/Z.

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