Diário de um Cinéfilo – 01

Dos filmes que vi em 2020 e um pouco mais…

Antônio Pedro de Souza

            Sou cinéfilo! Ah, tá… Grande novidade. Pelo menos pra quem me conhece, sabe que eu sou viciado em filmes desde a primeira infância. Minhas primeiras lembranças são aqueles clássicos trash que passavam tranquilamente no Cinema em Casa, do SBT, às duas da tarde nos agora distantes anos 1990: O Homem Cobra, O Ataque das Aranhas Gigantes e A Coisa (esse último eu apaguei completamente da memória até encontrar um DVD nas Lojas Americanas em 2006 e ganhar de presente de Natal da minha mãe!). Havia também os filmes mais “sofisticados”, como Brinquedo Assassino, que vi aos quatro anos de idade, na Tela Quente, da Globo e, claro, os filmes recomendados para crianças. Entre esses, destaco: A Princesa Xuxa e os Trapalhões, Os Trapalhões e a Árvore da Juventude, Super Xuxa Contra o Baixo Astral e Lua de Cristal que vi incontáveis vezes na Sessão da Tarde dos já citados anos 1990. Ah! E os filmes de heróis! O meu preferido sempre foi o Super-Homem. Hoje, a Warner padronizou para que em todos os cantos ele seja chamado de Superman, mas na minha infância era só Super-Homem mesmo e como eu amava aquele herói!

            E, em meio a isso tudo, outra paixão que divido com o cinema: a TV. Novelas, séries, minisséries, etc. Convido você, prezado leitor, a mergulhar comigo nas histórias que contarei aqui e, se for do eu agrado, compartilhar também as suas histórias comigo.

BRINQUEDO ASSASSINO

            A produção de 1988 fez sua grande estreia na Tela Quente da Rede Globo numa segunda-feira de 1993, e eu tinha à época quatro anos de idade. Na minha casa nunca houve uma censura por parte dos meus pais sobre o que eu poderia ver ou não. É claro que como só tínhamos acesso à TV aberta, o controle era razoalvente fácil. Em Vespasiano, cidade para a qual eu me mudei aos dois anos de idade (e resido até hoje, diga-se de passagem) o sinal oscilava constantemente e os canais que tinham uma melhor sintonia eram a Globo e o SBT. Com certa dificuldade, conseguíamos ver a Record, Manchete, Bandeirantes e Rede Minas – que retransmitia boa parte da programação da TV Cultura. Assim, minha infância televisiva foi resumida, basicamente, a manhãs ao lado do Pica-Pau, Tom e Jerry, Popeye, Pernalonga no SBT e Xou da Xuxa – posteriormente TV Colosso – na Globo. Passei batido pelas primeiras exibições de Cavaleiros do Zodíaco e não me prendi ao Castelo Rá-Tim-Bum quando era programa inédito… À tarde, minha mãe assistia às novelas do Vale a Pena Ver de Novo e, muitas vezes, aos filmes da Sessão da Tarde ou do Cinema em Casa. Às segundas-feiras, desde pequeno, gostava de acompanhar a Tela Quente e às quartas-feiras, ficava vidrado em As Aventuras do Superman.                 Pois bem, Brinquedo Assassino foi exibido e eu o assisti ao lado da minha mãe e confesso não ter sentido medo na hora. O problema é que passados alguns dias, uma vizinha – bem ligada em superstições – fez uma ligação do Chucky com o Fofão e citou algumas mortes horrendas que teriam acontecido por causa do popular boneco que integrou a Turma do Balão Mágico! Segundo ela, algumas pessoas olhavam para o boneco e morriam. Outras estavam de olhos fechados, abriam os olhos, davam de cara com o boneco as espionando e… Morriam! Algumas ainda contraíam câncer (!!!) por causa do boneco! Enfim, as “lendas” da minha vizinha iam bem além da simples faca que o boneco supostamente trazia em seu interior e que povoou a imaginação das pessoas naqueles anos. É claro que minha mãe não acreditava em nada daquilo e eu também não queria acreditar, mas a tal história de acordar e dar de cara com o boneco e morrer se tornou pavorosa demais para um garoto de quatro anos como eu. Pra piorar, eu tinha um palhacinho de pano, presente do meu saudoso avô.

O boneco era todo de pano (estilo Emília do Sítio do Picapau Amareclo) e com o rosto feito de plástico. É fácil imaginar que o pirralho do Antônio Pedro associou a cara sorridente do palhaço ao rosto bochechudo do Fofão e, obviamente, à face satânica do Chucky… Pronto! Estava armada a confusão. Se antes eu dormia com o palhaço, agora o medo era de que, ao acordar, desse de cara com ele e ele me matasse! Pior foi dar um jeito de tomar banho e lavar a cabeça com os olhos abertos, afinal, se eu fechasse os olhos, o boneco poderia se materializar na minha frente no banheiro e, obviamente, me matar!

            Rapidamente, porém, o medo passou e, ainda na infância, Chucky se tornou um de meus personagens preferidos. Até hoje sinto um imenso carinho por ele, bem como pelo Fofão e, obviamente, pelo boneco de pano que deve estar guardado em alguma caixa sobre o meu bagunçado guarda-roupa.

BINGO – O REI DAS MANHÃS

            Falando em palhaços, Bingo – O Rei das Manhãs foi o primeiro filme que vi em 2020. Há três anos, tento manter uma tradição: a de assistir um filme nacional para “abrir meu ano de cinéfilo”. Em 2018 foi As Cinco Mulheres de Adão, clássico da pornochanchada, embora naquele ano eu tenha aberto a temporada em dezembro – assunto para outra postagem. Em 2019 foi Feliz Ano Velho e em 2020 Bingo – O Rei das Manhãs. Eu já havia assistido ao filme uma vez no cinema – nas famosas cabines cinematográficas em que jornalistas são convidados. Na época, eu escrevia para o site Feira Cultural, mas fui como convidado do site Entrando Numa Fria e acabei entrando numa fria porque não entreguei o texto a tempo. Isto é: assinamos um contrato de sigilo com o estúdio de que o texto só poderia ser publicado na véspera do lançamento. Cheguei em casa e comecei a pensar no texto. A editora do site que me convidou me liga e pede o material. Eu falo que só poderia publicar na véspera e ela me responde que eu deveria mandar cerca de uma semana antes! No fim, o texto não foi publicado no Entrando Numa Fria, mas saiu no Feira Cultural e eu passei a ir regularmente nas cabines…

            A trama versa sobre o lendário Bozo – rebatizado de Bingo por conta dos direitos autorais. Arlindo – o verdadeiro Bozo – é rebatizado de Augusto, ator de pornochanchada que vê suas oportunidades na TV se desfacelarem rapidamente. Quando se prepara pra fazer um teste para uma novela, é atraído para o programa do Bingo, popular palhaço estadunidense que a TVP comprou os direitos. Augusto luta e consegue seu lugar ao sol, mas a fama tem um preço: ele precisa ser anônimo. Ninguém pode saber a verdadeira identidade do Bingo. Abatido, Augusto se entrega às bebidas e às drogas, entrando num espiral de loucura e melancolia que culminam num forte ferimento que quase lhe tira a vida. O final, porém, é redentor: Augusto encontra apoio na diretora do programa e se converte ao cristianismo, terminando por dar depoimentos em igrejas país afora – sempre vestido de Bingo.

            Comecei a ver o filme por volta do meio-dia do dia 1º de janeiro de 2020, depois de ter virado a noite comemorando o ano-novo. Fui dormir às seis horas, acordei às nove e antes do almoço, enquanto vizinhos chegavam para mais uma tarde de confraternização, isolei-me na sala de TV para apreciar a fita – digo fita por hábito. Na verdade, vi o DVD que comprei na black-friday das Lojas Americanas no dia 29 de novembro, hahahá.

            Enfim, enquanto revia o Bingo, almocei e tomei vinho – sim, ver “Bingo” tomando álcool aumenta e muito a experiência. Terminada a sessão, passei pro filme seguinte da lista: o icônico Titanic, de James Cameron. Mas isso é assunto para uma outra coluna!

Antônio Pedro de Souza é formado em Letras e Jornalismo pela Faculdade Pitágoras de Belo Horizonte. Leciona Língua Portuguesa para alunos do Ensino Fundamental em Vespasiano, tem uma videolocadora e trabalha como assessor de imprensa freelancer. Edita o blog Projeto Lumi, fundado em 28/12/2018 e o programa “Bom Dia, Mundo!” no YouTube.

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