Longa-metragem de Sean S. Cunningham será exibido no Cine Humberto Mauro
O ano de 2026 possui a curiosa ocorrência de três sextas-feiras 13. A primeira, em fevereiro, coincidiu com os festejos de Carnaval. A última, será apenas em novembro. Mas esta semana, a segunda data entrará para a memória afetiva dos fãs do cinema de terror: é que a Sessão da Meia-Noite, no Cine Humberto Mauro (Avenida Afonso Pena, 1537, Centro – BH), reservou para a ocasião uma exibição do filme “Sexta-Feira 13”, de 1980. A entrada é gratuita, com ingressos sendo retirados pelo Sympla, a partir das 18h da própria sexta-feira.
Marco do cinema slasher oitentista, Sexta-Feira 13 é dirigido por Sean S. Cunningham e inicia o legado de Jason Voohrees, notório serial killer do cinema. Pegando carona no sucesso de Halloween (1978), a Paramount produziu o filme em 1979 e o lançou no ano seguinte, dando origem a uma das mais famosas franquias de terror da história, e elevando o nome de Jason ao panteão dos grandes vilões cinematográficos, ao lado de Michael Myers, Leatherface e, posteriormente, Freddy Krueger, Chucky e Ghostface.
Engana-se, porém, quem acha que Jason já surgiu no primeiro filme munido de facão e máscara de hockey. Na verdade, o personagem é apenas citado no primeiro filme, com uma aparição simbólica nos minutos finais. A história gira em torno de um trágico afogamento ocorrido em 1957 e de um duplo assassinato em 1958. Nos anos seguintes, conforme informações citadas ao longo do filme, alguns problemas operacionais mantiveram o, até então bucólico acampamento do Lago Cristal, fechado.
Em 1979, porém, Steve Christie resolve reformar e reabrir o lugar e contrata alguns jovens para o trabalho. Um a um, eles vão sendo assassinados de maneira brutal, até que uma sobrevivente precisará enfrentar a causa de toda aquela violência.
Para Rodrigo Azevedo, da gerência de cinema do Cine Humberto Mauro, “a Sessão da Meia-Noite do Cine Humberto Mauro é dedicada aos filmes que ganham outra força quando atravessam a madrugada. Obras que não pedem apenas atenção, mas entrega — títulos que circulam fora do conforto, entre o popular e o excessivo, entre o culto e o visceral. Filmes que, nas margens do prestígio, moldaram imaginários inteiros.
Em março, a data quase escreve a programação sozinha: sexta-feira 13.
Ambientado no acampamento Crystal Lake, o filme selecionado para este dia parte de uma situação simples: jovens reunidos para reabrir um espaço marcado por uma tragédia. À medida que a noite avança, o isolamento se torna ameaça e o passado retorna como força incontornável.
Sim, a escolha da noite é Sexta-Feira 13 (Friday the 13th, Sean S. Cunningham, EUA, 1980). Lançado no início dos anos 1980, o filme rapidamente ultrapassou sua condição de produção modesta para se tornar um marco da cultura popular. Seu poder não está apenas na narrativa, mas na experiência coletiva que produz: o susto compartilhado, o riso nervoso, a tensão que percorre a sala escura.
Há filmes que pertencem à madrugada.
E este filme pertence a esta madrugada.”
Quem é fã de slasher, reconhece de cara as características do gênero em Sexta-Feira 13: trilha sonora marcante (e palpitante), cenas sangrentas, assassino misterioso, lugar ermo, além das punições óbvias para quem comete “pecados” ou “delitos” como fazer sexo e/ou usar drogas. Embora tenha sido desenvolvido após o sucesso de Halloween e até tenha sido acusado por alguns de plagiar a obra-prima de John Carpenter, o fato é que Sexta-Feira 13 construiu sua própria fama e ajudou a difundir ainda mais as chamadas “regras do slasher”. E vale uma curiosidade: Se analisarmos algumas cenas e reviravoltas da trama, veremos que Sexta-Feira 13 bebe muito mais da fonte de Banho de Sangue, um clássico do giallo, do que propriamente de Halloween.
Para os insones que forem encarar a Sessão da Meia-Noite, vale lembrar que a entrada é gratuita, com os ingressos retirados exclusivamente pelo Sympla, a partir das 18h do próprio dia 13 (um ingresso por pessoa). A sessão ocorre na virada de sexta-feira para sábado.
HISTÓRICO:
Esta não será a primeira vez que o título será exibido no Cine Humberto Mauro. Nos últimos dez anos, ele ganhou algumas sessões, sempre com tom especial: Em 2015, integrou a programação do extinto “Terror no Parque”, ao lado de A Hora do Pesadelo, exibido no gramado no Parque Municipal.
Em 2024, no dia 6 de julho, foi exibido dentro da mostra “Estruturas do Medo: Giallo e Slasher” numa tarde de sábado que contemplou quatro filmes, sendo dois de cada gênero: Seis Mulheres para o Assassino, às 15h, Banho de Sangue, às 16h45, Sexta-Feira 13, às 18h15, e Sexta-Feira 13 – Parte 2, às 20h.
Esta, no entanto, será a primeira vez que o filme será exibido na programação da “Sessão da Meia-Noite”.
LINHA DO TEMPO DE SEXTA-FEIRA 13
Sexta-Feira 13 (1980)
Primeiro filme da franquia. Ainda sem instituir Jason como “o grande vilão”. Ele aparece nos minutos finais, como uma última virada na trama. Pamela Voohrees (Betsy Palmer) e Alice (Adrienne King) são os grandes destaques do longa-metragem. A história também se utiliza dos falsos protagonistas, o que passaria a ser recorrente em toda a franquia: Nos minutos iniciais, vemos um jovem casal fazendo sexo – e sendo mortos em seguida. Entram os créditos iniciais e logo conheceremos Annie. Mas não por muito tempo.
Sexta-Feira 13 – Parte 2 (1981)
Primeira produção com a personificação de Jason como assassino. Revemos (não por muito tempo) Alice e somos informados de que cinco anos se passaram desde os eventos do filme anterior. Um novo acampamento surge ao lado do antigo Cristal Lake. Ao longo do filme, descobrimos uma cabana onde Jason vive, além de um rastro de sangue ligando os acampamentos.
Sexta-Feira 13 – Parte 3 (1982)
Finalmente a máscara de hockey surge na franquia. Bem como uma gangue de motoqueiros que serve apenas para ser o mais novo cardápio de Jason. Originalmente, foi lançado em 3D nos cinemas e, depois, em versão 2D em homevideo. Com o advento dos DVDs e Blu-Rays nas duas primeiras décadas do século XXI, o efeito 3D foi reincorporado em algumas edições. A história se passa no dia seguinte aos acontecimentos da parte 2, em uma bucólica fazenda na região de Cristal Lake.
Sexta-Feira 13 – Parte 4: O Capítulo Final (1984)
Introdução do personagem Tommy Jarvis (Corey Feldman) à franquia. O adolescente enfrentará Jason Voohrees, enquanto seus incautos vizinhos são massacrados. O filme também se passa um dia após os eventos da parte 3 e é um dos primeiros a mostrar Jason como um assassino sobrenatural: afinal, ele é dado como morto no fim do filme 3 e levado para o necrotério no começo da parte 4.
Sexta-Feira 13 – Parte 5: Um Novo Começo (1985)
Anos depois de matar Jason, Tommy Jarvis (John William Shepherd) ainda tem problemas para dormir e se socializar. Ele é enviado para uma clínica psiquiátrica “alternativa” nos arredores do Lago Cristal. Então, misteriosos assassinatos começam a ocorrer, todos ao estilo de Jason Voohrees, e Tommy passa a questionar sua sanidade, bem como se Jason está mesmo morto. No final, descobrimos que outra pessoa buscando vingança resolvera usar a lenda de Jason para cometer seus crimes.
Sexta-Feira 13 – Parte 6: Jason Vive (1986)
Após os acontecimentos traumáticos da parte 5, Tommy Jarvis (Thomas Mathews) resolve voltar ao cemitério de Crystal Lake para se certificar que Jason está mesmo morto e enterrado. A paranoia tomou conta da cidade, que resolveu mudar seu nome para “Forrest Green”. Jason está mesmo morto, mas numa virada, à la Frankenstein, volta a vida, mata o parceiro de Tommy e passa a perseguir seu antigo algoz. Na cidade, o xerife não acredita em Tommy e, nos arredores, um novo grupo de monitores se prepara para reabrir o acampamento. Prato cheio para um Jason recém-ressuscitado e sedento por sangue.
Sexta-Feira 13 – Parte 7: A Matança Continua (1988)
Primeira tentativa de unir Jason e Freddy em um único filme, o projeto não foi adiante porque os estúdios não entraram em um acordo sobre os direitos dos seus personagens. A solução foi criar Alice em “A Hora do Pesadelo 4” e Tina em “Sexta-Feira 13 – Parte 7”. Ambas com poderes sobrenaturais, dispostas a enfrentar os anfitriões das respectivas franquias de terror. Tina se sente culpada pela morte do pai, ocorrida quando ela ainda era criança, nos arredores do Lago Cristal. Durante uma crise, ela tenta trazer o pai de volta, mas acaba ressuscitando Jason, que logo começa a espalhar seu rastro mortal pela região.
Sexta-Feira 13 – Parte 8: Jason Ataca Nova York (1989)
Tida durante um tempo como uma “propaganda enganosa cinematográfica”, a parte 8 foi conquistando fãs ao longo dos anos. Um barco de passeio rompe um cabo de energia submerso, fazendo com que Jason retorne à vida. Após matar os ocupantes do barco, Jason embarca no navio Lazarus, que está levando formandos da região do Lago Cristal para uma viagem até Nova York. O problema do subtítulo é que, de Nova York, o filme mostra pouco e mal: a “big apple” aparece apenas nos minutos finais e as sequências são reduzidas a perseguições em túneis de metrô, topos de prédios pouco conhecidos e sistema de esgoto (!). Mesmo assim, piadas visuais são lembradas com carinhos pelos fãs, como Jason “posando” em frente a um anúncio de jogo de hockey, Jason chutando o aparelho de som de um grupo de punks e um cachorrinho sobrevivendo todo o filme… O longa-metragem acabou homenageado em vários outros filmes de terror, incluindo “Pânico 6”.
Jason Vai Para o Inferno – A Última Sexta-Feira (1993)
Primeira incursão de Jason na New Line Cinema (que entre o fim dos anos 1980 e começo dos anos 1990, conseguiu unir em seu estúdio nomes como Freddy, Jason e Leatherface). Aqui, uma tentativa de voltar ao início da lenda dos Voohrees, revelando detalhes do passado de Pamela e informando que ela teve outra filha, além de Jason. Homenagens a vários cineastas são feitas ao longo do filme, e Jason, “destruído” na cena inicial, passa a habitar corpos masculinos enquanto se prepara para encarnar em um descendente da linhagem Voohrees e voltar à sua forma clássica. No fim, uma modesta interação com Freddy, servindo como prólogo para o tão aguardado “Freddy x Jason”.
Jason X (2002)
O filme foi produzido “apenas” para manter o nome de Jason em voga, enquanto roteiristas e produtores ainda quebravam a cabeça numa história que finalmente unisse Jason e Freddy. Cronologicamente, a história se passa após o embate dos dois vilões. A história começa no início dos anos 2000, em um laboratório científico construído nos arredores de Crystal Lake apenas para estudar Jason Voohrees. Quando um ambicioso cientista resolve que lucrar com Jason seria melhor que congelá-lo criogenicamente, a vida de todos é colocada em risco. Tentando salvar a si mesma, uma pesquisadora consegue atrair o assassino para uma armadilha, mas se vê presa e congelada também. Quatro séculos depois, os dois são resgatados por uma nave que busca artefatos na Terra 1, totalmente destruída pela poluição, e enquanto se encaminham para a Terra 2 (nosso novo planeta), Jason acorda sedento por vingança e transformará a viagem num verdadeiro inferno.
Uma curiosidade que merece ser lembrada: o título “X” tem duplo sentido: esse é o décimo filme da franquia e Jason, perto do fim, passa por uma transformação se transformando numa espécie de “super Jason”.
Freddy x Jason (2003)
Freddy Krueger foi derrotado quando medicamentos inibiram os pesadelos dos adolescentes. Ele, então, entra nos sonhos de Jason Voohrees, como se fosse a única pessoa a quem Jason obedece: Pamela Voohrees. Utilizando esse artifício, Freddy convence Jason a sair de Cristal Lake e se encaminhar para Elm Street e cometer alguns assassinatos. Logo, a paranoia volta a tomar conta da cidade e o nome de Freddy volta a ecoar. Só que tem um problema: Jason não quer parar de matar. E logo descobre que não foi sua mãe mas, sim, Freddy, quem o induzira a cometer aqueles crimes. Pronto! Está formado o embate do século entre os dois grandes vilões do cinema slasher.
Sexta-Feira 13 (2009)
Refilmagem da franquia, o filme engloba (e altera) elementos dos três primeiros filmes da série. A história começa em 1980 e segue até os dias atuais (2009), mostrando o jovem Jason “evoluindo”, conseguindo sua máscara, e espalhando sangue pelo caminho.
