“Terror em Silent Hill’: Filme oscila entre terror e drama e se perde no meio do caminho

História é interessante, mas se perde com tantas idas e vindas

Antônio Pedro de Souza

“Terror em Silent Hill: Regresso Para o Inferno” chegou aos cinemas, mas deve deixar os espectadores frustados ao não se definir nem como terror, nem como drama. O filme, calmamente, poderia ter optado por um dos caminhos e se tornar inesquecível, mas acaba se deixando levar pela escolha mais fácil e, por isso mesmo, mais “dormível”.

Embora derivado de uma franquia consolidada de jogos e de uma já conhecida franquia cinematográfica, o novo longa não se decide sobre que rumo quer tomar ou que assunto quer abordar. Até mesmo a dinâmica do jogo se perde com referências muitas vezes vagas e apenas para “cumprir tabela”.

Adaptação do segundo jogo da franquia, o novo filme acompanha o pintor James, em busca de sua falecida esposa Mary. Nós os conhecemos na cena de abertura, onde um quase acidente une o improvável casa. Aparentemente, Mary está tentando deixar Silent Hill, mas acaba voltando para o lar, sendo acompanhada por James.

A partir daí, a história se fragmenta, sendo contada em vários tempos, com recursos de flashback e realidades paralelas. E é aí que uma história que tinha tudo pra dar certo, desanda. Acompanhamos o drama pessoal de James – alcoólatra, atormentado pelo remorso e pelo falecimento da esposa – em busca de respostas para sua vida, ao mesmo tempo que enfrenta as maldições, demônios e monstros de Silent Hill.

Só que nem o drama, nem o horror são desenvolvidos de maneira satisfatória. Monstros saltam da tela a cada intervalo de tempo para perseguir James. Ele, ou os derrota, ou foge, e, então, entra numa nova espiral de loucura, em que revive seus dias – de dor e glória – ao lado de Mary. Enquanto descobrimos – a cada flashback – um pouco mais sobre o casamento dos protagonistas, James volta à realidade sombria de Silent Hill, para encontrar uma nova aliada ou enfrentar mais um monstro. Assim, com vários “vai-véns”, a história vai se perdendo e ficando enfadonha.

Nem mesmo a tentativa de um olhar psicológico sobre a trama funciona. O papel da psquiatra/psicóloga que acompanha James, só destoa ainda mais a proposta do filme. Os efeitos e maquiagens também não ajudam muito a melhorar ou amenizar a longa duração de 1h50 minutos. Tivessem cortado um dos eixos e deixado a produção com 1h20 seria um perfeito exemplar de drama – ou de terror. Só não funcionou juntarem os dois gêneros num filme gigante, mas vazio.

O final, curiosamente, é interessante e satisfatório, já que, como uma premissa de video-game, dá a oportunidade do personagem “reiniciar a partida”. Mas falar sobre isso, seria entregar muitos spoilers. É uma pena que um gênero tão popular quanto o terror, possa entregar um filminho bobo, que desperdiça o potencial de bons atores, bons cenários e uma boa história.

***

Cotação por Ossos:

6,0

***

CRÍTICA EM ATUALIZAÇÃO

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