Hamnet – Shakespeare verdadeiramente apaixonado

Chloe Zhao teve anos turbulentos em sua carreira, após ganhar o Oscar de melhor diretora e de melhor filme por “Nomadland – Sobreviver na América” em plena pandemia, dirigiu logo em sequência um filme da Marvel, “Eternos” que até para os fãs mais fervorosos dos quadrinhos deixou a desejar, ela porém tem um retorno triunfal a seu autorismo com “Hamnet: A Vida antes de Hamlet”, onde se une a Steven Spielberg, que produz a obra, para entregar um filme profundamente tocante e repleto de atuações geniais sobre a história d’O Bardo, William Shakespeare, e o grande amor de sua vida, Anne Hathaway.

Ambos porém não são chamados por esses nomes, mais conhecidos, durante o filme, aqui temos Will (Paul Mescal), um jovem que para quitar as dívidas de seu pai começa a ensinar latim para uma os filhos mais jovens de uma família de fazendeiros do interior da Inglaterra, e Agnes (pronunciado “Ãnhes”), Filha mais velha da casa, porém do primeiro casamento de seu pai, viúvo, que também gerou seu irmão, Bartholomew (Joe Alwyn).

Will se vê imediatamente encantado por Agnes, e não demora muito para ambos se apaixonarem e se tornarem uma família, a contragosto dos pais de Will, devido a fama que a mãe, e a própria Agnes tem de serem bruxas.

Sinto que cada palavra a mais que dizer sobre a narrativa estragará a experiência, esse é um filme contemplativo em que se vive um momento de cada vez, um encontro de cada vez, e não possui um enfoque tão grande, ou tão aparente em uma narrativa linear, embora ela sim exista.

As atuações são a chave para o filme, que está repleto de atores e performances brilhantes, além dos mencionados previamente, Jessie Buckley, que interpreta Agnes, já ganhou um Globo de Ouro por sua performance, Emily Watson, que interpreta a mãe de Will, também entrega uma performance extremamente profunda, e a dupla de atores mirins Jacobi Jupe, e Olivia Lynes, são verdadeiros prodígios da atuação.

Chloe Zhao consegue criar uma sensibilidade enorme nos espaços, que por sinal são desenhos com um enorme esmero e precisão histórica, tanto as casas interioranas quanto a cidade de Londres, parecem mais lugares históricos preservados do que sets de filmagens, e as densas florestas, refúgio de Agnes, que são presentes durante todo o filme, conseguem transmitir o frio e toda a vibração de vida que existe nesses locais.

Hamnet já está disponível nos cinemas, e é parada obrigatória para os amantes da sétima arte, e um dos grandes filmes de 2025.

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