Crítica: Agentes Muito Especiais

Comédia brasileira aposta em ação e química entre personagens

Antônio Pedro de Souza

Agentes Muito Especiais”, dirigido por Pedro Antônio (Evidências do Amor) parte de uma ideia original de Paulo Gustavo (Minha Mãe É Uma Peça) e Marcus Majella (Um Tio Quase Perfeito), sendo estrelado por este e por Pedroca Monteiro (Fora de Hora). A comédia, no melhor estilo do saudoso Paulo Gustavo, mescla ainda uma trama de ação, à la Tropa de Elite e mundo fashion, que remonta aos clássicos estadunidenses O Diabo Veste Prada e As Branquelas. Na prática, é um filme que brinca com estereótipos do cinema, criando novas possibilidades para os mais variados gêneros da sétima arte.

Jeff (Majella) é um policial incorruptível, mas que está saturado de resolver “casos comuns”. Ele, então, se alista no treinamento do COIP, uma nova divisão da polícia, que pretende caçar e prender os bandidos mais perigosos do Brasil. Por outro lado, Jhonny (Monteiro) é um guarda municipal assustado com a própria sombra e que sonha em sair do ramo policial, mas é inscrito no mesmo treinamento por sua mãe possessiva.

No quartel, eles terão que ser colegas de quarto e o ódio é o ponto de partida: Enquanto Jhonny tenta esconder sua homossexualidade, Jeff fará de tudo para que o novo companheiro “saia do armário”. Entre muitos percalços no treinamento, eles acabam se sobressaindo (algo que relembra algumas passagens do clássico Nascido Para Matar, dirigido por Stanley Kubrick) e são, então, enviados para uma primeira missão: se infiltrar na perigosa gangue da Onça, vivida magistralmente por Dira Paes.

Após descobrirem pistas importantes, Jeff e Jhonny se deparam com a burocrática logística de mandar as informações para fora do presídio e criam um mirabolante plano para levar, pessoalmente, as informações ao comandante (uma bela atuação de Chico Diaz).

Porém, como toda boa comédia de ação, eles recebem a notícia de que precisam colher mais detalhes sobre o caso e se veem, mais uma vez, envolvidos com os bandidos. À medida que o plano avança, novos sentimentos surgem, novas reviravoltas acontecem, mais dentes são arrancados e mais claro se torna o poder da Onça, levando nossos heróis ao clímax num desfile de moda.

Vale destacar as atuações de Bárbara Reis, como a policial Nanda; Dudu Azevedo como Davi e Saulo Arcoverde como o azarado Bola. Aliás, se o filme peca em algum momento, é em não dar um final totalmente redentor a este personagem, que sofre cena sim, cena também, nas mãos (e aparelhos de tortura) da Onça.

A trilha sonora é uma miscelânea de estilos, que vão do sertanejo universitário a hits do Jão, passando por clássicos de Ney Matogrosso.

Segundo Marcus Majella, a ideia do filme surgiu em uma conversa com Paulo Gustavo, que pretendia, após a famosa franquia Minha Mãe É Uma Peça, fazer uma comédia mostrando dois policiais gays, em meio ao ambiente hétero – e muitas vezes tóxico – de uma corporação policial. Após criarem o escopo original e iniciarem os trabalhos de pré-produção, veio a pandemia de COVID…

Um tempo depois, Dona Déa, mãe de Paulo Gustavo, perguntou para Majella sobre o filme e ele respondeu que não o faria mais, mas foi incentivado por ela a dar um prosseguimento na história, como uma forma de homenagear o artista falecido em 2021.

Com o aval de Dona Déa, Marcus Majella começou a reunir a equipe e o projeto ganhou forma.

Na prática, a produção é uma comédia que mostra o lado sentimental das pessoas – mesmo as mais duronas, sejam elas policiais ou bandidos – trazendo à tona discussões sobre aceitação, amizade e escolhas que podem ser feitas na vida.

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Cotação por Ossos:

9,5

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Sinopse:

Jeff e Johny têm um sonho: entrar para a polícia do Rio de Janeiro. Durante um treinamento, eles recebem do comandante a missão de se infiltrar numa penitenciária para desmantelar o terrível “Bando da Onça”, que aterroriza a cidade. Disfarçados de presidiários, eles se juntam aos bandidos e fogem com eles da cadeia, para tentar desvendar o mistério que envolve a líder da quadrilha. Depois de muita confusão, o destino junta criminosos e policiais no mesmo lugar: num grande evento de moda. Ali, Jeff e Johnny vão tentar provar que podem ser respeitados agentes da lei.

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Ficha Técnica:

Jeff – Marcus Majella

Jhonny – Pedroca Monteiro

Onça – Dira Paes

Marister – Malu Valle

Comandante Queiroz – Chico Diaz

Nanda – Bárbara Reis

Juninho – Demétrio Nascimento

Davi – Dudu Azevedo

Mona – Big Jaum

Bola – Saulo Arcoverde

Big – Saulo Segreto

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Ideia original: Paulo Gustavo e Marcus Majella

Argumento: Paulo Gustavo, Renato Fagundes, João Paulo Horta e Fil Braz

Roteiro: Fil Braz

Dirigido por: Pedro Antonio

Produzido por: Cecilia Grosso, Iafa Britz e Luiz Noronha

Diretor Assistente: Zaga Martelletto

Produtoras Executivas: Samanta Moraes, Katiuscha Mello, Clara Machado e Clarissa Lobo

Diretor de Fotografia: Pedro Faerstein

Diretora de Arte: Joana Mureb

Figurinista: Reka Koves

Caracterização: Mariah Freitas

Elenco por: Ciça Castello

Supervisão de Roteiro: Pedro Antonio

Música Original: Daniel Simitan

Som Direto: Frederico Massine

Produção: Migdal Filmes, A Fábrica e Na Paralela Filmes

Coprodução: Globo Filmes

Investimento: Fundo Setorial do Audiovisual, do Funcine Tim e Globo

Distribuição: Downtown Filmes

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Galeria de Fotos:

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LUMITV – 6ª Temporada – 3º Programa:

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