Para além das polêmicas externas, filme não se sustenta
Falem bem ou falem mal, mas falem. O diretor Jacques Audiard parece ter levado essa máxima ao pé da letra enquanto trabalhava (trabalhava mesmo?) no enredo de Emilia Pérez. Isso porque ou filme seria muito comentado por sua ousada premissa ou ficaria mundialmente famoso por suas polêmicas além-tela. Infelizmente, foi a segunda opção que se destacou nos noticiários e veículos especializados em cinema.
É preciso entender que a premissa de Emilia Pérez é realmente interessante, mas não sai disso. A história gira em torno das personagens Rita (Zoe Saldana) e Emilia (Karla Sofía Gascón). A primeira é uma advogada brilhante, mas que não tem o talento reconhecido pelo escritório em que trabalha. A segunda é, inicialmente, Manitas, um chefe do narcotráfico mexicano.
Quando o filme começa, acompanhamos Rita num julgamento em que o réu é acusado de violência doméstica, entre outros crimes. Rita sabe que ele é culpado, mas o chefe, movido por muito dinheiro, consegue inocentá-lo. Durante o júri, é apresentado o primeiro número musical – e aí nos damos conta de que o filme é (ou deveria ser) um musical. E, sinceramente, é patético neste sentido.
Rita, então, recebe uma ligação e um encontro é marcado para uma banca de revista. Lá, Rita é sequestrada e levada à presença de Manitas, que pretende fazer a cirurgia de transição de sexo. Cabe à Rita conseguir o médico, os documentos, enfim, as vias legais para que o procedimento seja bem-feito.
De posse de um cartão de crédito sem limites, Rita se aventura na Europa à procura do melhor cirurgião. Neste momento, ela faz um tour por alguns países, gerando mais um número musical – talvez o de maior vergonha alheia de todo o filme, mas absurdamente, o mais engraçado de todos, com o médico e as enfermeiras cantando os nomes dos procedimentos cirúrgicos, enquanto a própria Rita pensa em se mimar um pouco com uma plástica…
E, embora ridiculamente engraçado, para que serve esse número musical? Para nada! Afinal, ela volta ao México, recebe um “puxão de orelha” de Manitas por ainda não ter achado uma solução adequada para ele e, por fim, volta à Europa, em outro país e com outro médico, para tratar do procedimento cirúrgico.
Essa sequência de vai e vem interminável facilmente poderia ter caído na sala de edição e ficado por lá. Ou, durante o número musical, ter incluído mais frames de diversos países mostrando que ela estava à procura do médico. Mas o diretor queria torturar seu público um pouco mais.
Finalmente, Manitas se decide por um dos vários médicos visitados por Rita. Mas é claro que há as complicações corriqueiras da situação: ele precisa providenciar documentos, despistar a polícia (lembre-se de que ele é um traficante internacional) e, claro, apresentar uma solução à família, já que é casado e pai de dois meninos.
Enquanto a esposa e as crianças são enviadas à Europa com documentos novos e a promessa de que Manitas irá encontrá-los em breve, este inicia suas cirurgias de ressignificação sexual. Para o desaparecimento do traficante, é criado um acidente, com um indigente sendo enterrado em seu lugar.
Feita a cirurgia, surge Emilia Pérez, que contempla Rita com uma quantia generosa de dinheiro. Seria um ótimo fim para o filme? Seria. Se isso fosse o fim. Mas ainda resta metade do longa (longuíssima metragem com mais de duas horas de projeção). Passam-se alguns anos e Emilia, saudosa de seus filhos e esposa, pede para que Rita os leve de volta ao México.
Neste ponto, Rita está trabalhando na Europa, aparentemente bem sucedida na carreira. Ela, então, volta a se inteirar da vida de Emilia, sua família, e seus negócios escusos.
O choque cultural na volta das crianças e de Jessi (Selena Gomez) é inevitável. Nesse meio tempo entre a fuga e o retorno, os meninos se acostumaram com o estilo de vida europeu e sofrem para se readaptar ao país-natal. Aqui, temos outro problema: os meninos aparentam ter a mesma idade de quando foram embora. Não há nenhum trabalho para tentar mostrar essa passagem de tempo nos personagens. Apenas um letreiro indicando que o tempo passou.
Jessi desconfia o tempo todo desta “prima desconhecida” de Manitas que os recebeu tão bem, a quem nunca parece faltar dinheiro e da qual ela nunca ouvira falar. Mas aceita a boa vida, entremeada por um ou outro número musical vergonhoso.
Como se a história não tivesse complicação o suficiente, surgem mais três pontos que serão “trabalhados” pelo diretor a partir daqui: durante um almoço no centro da cidade, uma mulher se aproxima de Emilia e Rita com a foto de um rapaz desaparecido anos antes. Munida de seu inesgotável dinheiro e conhecendo as pessoas certas desde a época em que se chamava Manitas, Emilia consegue cruzar as informações e achar a ossada do rapaz, dando um pouco de conforto à mãe. É o pontapé para a criação de uma ONG que tem como objetivo encontrar o máximo possível de desaparecidos.
Há uma dualidade interessante, porém desperdiçada, aqui. Como criminoso que era, certamente o narcotraficante teria sido o responsável por vários dos desaparecimentos e mortes daquelas pessoas. Seja em confrontos diretos ou indiretos. A tentativa de Emilia em encontrar pistas destes desaparecidos, poderia servir como expiação para seus crimes antes da redefinição sexual, mas isso não fica bem claro no já mirabolante enredo. O segundo ponto é que Emilia se apaixona por Epifanía, uma mulher que procura o marido desaparecido por meio da ONG. E o terceiro, Jessi reencontra um antigo amante.
Este é o estopim para abalar a “família perfeita” criada por Emilia na mansão. Com o relacionamento de Jessi fluindo, fica cada vez mais evidente de que ela vai embora com os meninos, para desespero de Emilia, que teme perder os filhos mais uma vez. Num arroubo, ela declara que os filhos são dela, deixando Jessi assustada e dando início, pasmem, a mais um número musical digno de programas de humor dos anos 1990.
E aí a coisa descamba de vez (se é que é possível piorar): Emilia corta toda a renda de Jessi, o que faz a “viúva” se perguntar o motivo pelo qual a “prima” tem acesso à sua conta bancária. Com Rita ao centro da tela, Jessi de um lado e Emilia do outro, há um embate constrangedor, em que Jessi exige retomar a posse de seu dinheiro, enquanto Emilia exige a guarda dos filhos. E Rita consegue apenas responder “tranquilo, tranquilo”, com um pseudo-sotaque mexicano de péssimo tom.
E vamos, então, para o ato final (ufa!). Emilia é sequestrada e Rita recebe um telefonema dando orientações para levar uma quantia de dinheiro a um determinado local. Há também uma carta com dois dedos de Emilia como forma a tornar a ameaça mais real.
Rita segue para o local e em meio à troca de tiros entre polícia e sequestradores, Emilia se revela a Jessi que, impactada pela revelação, se arrepende de ter sequestrado e torturado o ex-marido. Mas o amante de Jessi, que não sabe da história, segue com o plano, levando o trio a um desfecho tragicômico numa estrada deserta aleatória, num dos finais mais porcos e absurdos da história do cinema.
Mas é aquele ditado, né? A emenda pode sair pior que o soneto: Após a tragédia final, cabe a Rita a incumbência de criar os filhos de Jessi e Manitas/Emilia. E cabe a Epifanía, a tarefa de erguer uma imagem de Emilia como uma santa salvadora da comunidade carente (!) numa sequência capaz de desagradar cristãos e ateus mexicanos.
Bem, e se após isso tudo ainda resta alguma dúvida, vamos por partes saber porque Emilia Pérez não funciona:

É um filme sobre o México feito pela França
Em sua biografia, Stephen King diz que se sentiu incomodado quando, após escrever várias histórias situadas no Maine, alguns escritores se acharam no direito de fazer o mesmo. Em outras palavras, o autor disse que não havia problema em você escrever uma história específica sobre tal lugar, o problema era quando você não pertencia, às vezes nem tinha visitado o lugar e se via no direito de detalhar toda uma rotina e costume da região.
Pois bem, uma das primeiras polêmicas de Emilia Pérez se dá justamente por isso: o diretor é francês, o filme foi rodado em estúdios na França, parte do elenco é estadunidense, mas a história é “tipicamente mexicana”. Tipicamente pra quem?
Eles pegam um ou outro elemento que seria “a cara do México”, colocam uma história qualquer e vendem como se fosse uma grande produção mexicana.
Talvez o diretor poderia ter criado um enredo que abrangesse a “Máfia Francesa da Córsega” ou algum outro grupo criminoso europeu e situasse o filme por lá mesmo. Teria sido mais original, mais autoral.
Elenco
Como já dito, parte do elenco é estadunidense falando porcamente um espanhol – com expressões, segundo especialistas no idioma, que não são faladas no México – caramba! Todos sabemos que há mudanças nos idiomas entre países: há expressões inglesas que diferem de sentido entre EUA e Inglaterra; expressões portuguesas diferentes entre Brasil e Portugal; porque não haveria entre Espanha e México? Bastava estudar um pouco, gente!
Além do problema linguístico, o elenco não está entrosado como deveria. Zoe Saldana, que já teve bons momentos no cinema, aparece em cena com um “olhar de peixe morto” de dar dó. Sério, na maioria das cenas ela aparece apática, cansada, sem saber o porquê de estar ali. Fazendo uma comparação, faz lembrar a fala preconceituosa de Miranda no início de O Diabo Veste Prada: “Pedi clara, atlética e alegre e ele me mandou parda, cansada e gorda.” Preconceitos à parte, Zoe Saldana aparenta não estar à vontade no papel. A impressão é de estar realmente cansada de horas de gravação seguidas. Nem durante os musicais, a atriz se mostra empolgada (mas aí seria querer demais também).
Selena Gomez é outra que titubeia em sua interpretação. A Jessi é uma personagem fraca que apenas vai pra lá e pra cá de acordo com a necessidade do roteiro, sem uma motivação verdadeira para existir. Tivesse morrido numa das cenas iniciais ou não encontrada na Europa na segunda parte do filme, ninguém sentiria falta. E não faria diferença nenhuma para o desdobramento do roteiro.
Apesar das polêmicas (falaremos disso adiante), a atriz que realmente se entrega à personagem (apesar dos excessos) é, de fato, Karla Sofía Gascón. Ela tem uma presença forte em tela, transitando entre o drama e a comédia com precisão.
Gêneros cinematográficos:
O grande erro de Emilia Pérez é não se firmar em nenhum dos gêneros ao qual se propõe. Tanto que, na maioria dos veículos especializados em cinema, é comum vê-lo encaixado em, ao menos, três gêneros: comédia, musical e thriller. Pois bem, mas inicialmente, devido sua alta carga de emoções, Emilia Pérez é vendido como um drama. E poderia muito bem funcionar se abraçasse este gênero. Ou qualquer um dos outros três. No fim, parece mais um amontoado de peças. Uma colcha de retalhos cinematográfica mal costurada.
O longa se inicia como um drama, logo para o musical, o que nos faz perguntar se vale a pena seguir por aquele caminho. De thriller mesmo, tem pouco, tirando uma ou outra morte que o roteiro pede, ele não consegue se classificar num nicho de “filme de crime”. E, por fim, comédia: Não é engraçado ao ponto de ser classificado como um filme cômico. A não ser que esteja se referindo aos trágicos números musicais.
Por falar em musicais, vale a pena ressaltar este ponto: Nós podemos ter os musicais mais convencionais, em que a narrativa segue um bloco de 10 minutos mais ou menos, e é inserida uma música com todo o elenco cantando e dançando (Mamma Mia!, Grease, A Noviça Rebelde, entre outros, fazem isso com maestria) ou musicais em que a música não para em nenhum momento (caso de Os Guarda-Chuvas do Amor, por exemplo ou, em uma versão bem moderninha, Em Ritmo de Fuga que, embora os personagens não cantem, as músicas contam o filme). Não é o caso de Emilia Pérez. Não há uma “cronometragem” dos números musicais. Eles apenas existem. Ou seja, você está numa cena séria do filme (o julgamento no começo é um exemplo) e, do nada, começa uma cantoria sem sentido. Você já se esqueceu de que o filme “é um musical” quando, no meio de uma briga feroz, outra música começa. Enfim: você nunca sabe o que está assistindo de fato.
Polêmicas Além-Tela (e Além-Mar):
Dito tudo isso sobre o filme, chegou a inevitável hora de falar das polêmicas que povoaram os noticiários cinematográficos das últimas semanas. Quando eu comecei a escrever este texto, assim que o assisti na sessão destinada à imprensa, pensei em falar como alguns problemas poderiam até ajudar a atriz Karla Sofía Gascón em seu caminho rumo ao Oscar. Mas o infeliz mundo da internet com sua velocidade aviltante cria e destrói tudo em um microssegundo. Vamos lá:
Tudo começou com algumas postagens preconceituosas de que Karla não deveria concorrer à melhor atriz por ser uma mulher transexual. E aí veio a posse problemática de Donald Trump, com todo o seu discurso racista e misógino. Neste ponto, como uma forma de criticar o governo e os preconceituosos de plantão, a Academia poderia, facilmente, eleger Karla como Melhor Atriz.
Mas as coisas começaram a mudar rapidamente: Primeiro, um jornalista do Le Monde criticou durante a atriz Fernanda Torres, que já havia sido ovacionada em diversos festivais e premiações pelo mundo. O público brasileiro tomou a briga e atacou o veículo. “Tivemos que apagar mais de 120 mil comentários em nossas páginas”, disse a equipe do Le Monde.
Aí desenterraram vídeos antigos da Fernanda Torres, num programa de humor, fazendo blackface. Ela se desculpou em público e disse que, embora problemático, a prática não era tão debatida há cerca de 20 anos, data do programa. O público entendeu, mas algumas pessoas insistiram no “erro”. Foi o estopim para que desenterrassem vídeos similares de outras candidatas à estatueta. E Karla Sofía neste ponto? Bem, ela mesma começou a queimar seu filme. Primeiro, falando que a “equipe de Fernanda Torres” a estava atacando nas redes sociais, o que foi prontamente desmentido. E aí vieram mensagens antigas com teor racista e misógino da atriz… Ela tentou se defender, mas criou inimizades dentro da própria equipe do filme.
Fica ainda pior:
Dando uma mostra profunda de preconceito e de falta de coletividade, um dos estúdios produtores do filme resolveu minar a imagem de Karla Sofía Gascón nas campanhas de divulgação e lançamento do longa. A atriz espanhola até pode estar presente nos eventos, mas terá que ir por conta própria. É algo completamente surreal de se ver em pleno 2025. Pra piorar, o diretor Jacques Audiard ainda criticou a atriz publicamente – como se ela fosse apenas uma coadjuvante do filme, que fez algo errado, e não a atriz principal, que carrega o filme nas costas – e, por fim, Zoe Saldana, a Rita Olho de Peixe Morto do filme, disse estar desapontada com Karla. Ou seja: na hora de criar uma vergonha de filme, cheio de estereótipos, todos eram uma equipe. Na hora de segurar o rojão em meio às polêmicas, jogam a Karla Sofía na berlinda e é cada um por si.
E tem mais:
Polêmicas dentro e fora da tela aparecem a cada dia na trajetória de Emilia Pérez. Além das já citadas, informações deram conta de que foi usada Inteligência Artificial para “corrigir” problemas nos números musicais (eu pediria reembolso, já que não funcionou). Na prática, os atores não cantaram e precisou ser feito um arranjo bem artificial para contornar o caos (não teria sido melhor abolir a ideia de musical?).
Além disso, nos últimos dias, veio a público o fato de que a Netflix (um dos dedos por trás desta “maravilha cinematográfica”) havia adiado o máximo possível o lançamento na América Latina, prevendo os problemas que certamente o longa sofreria. Tal tática visava não impactar as indicações ao Oscar e deu certo: o longa conseguiu 13 indicações à maior premiação do cinema mundial.
Mas bastou estrear em “sua casa”, o México, para que os protestos e pedidos de cancelamento começassem. Os mexicanos, em grande parte, não se viram representados por Emilia Pérez. A comunidade trans não se viu representada. Os latinos não se viram representados. E, agora, sabemos que nem os atores estão mais dispostos a segurar essa bomba.
Enfim… Emilia Pérez é um produto do seu tempo: conturbado, polêmico, que muda de patamar à medida que mudam os comentários na internet. Se terá uma sobrevida após o período de premiações, ainda é uma aposta arriscada a se fazer. Pode ser que, daqui a alguns anos obtenha um status cult, pode ser que seja ainda mais massacrado.
A premissa é boa, como já foi dito. Mas, infelizmente, não se sustenta. Não fossem as polêmicas, que acabam atraindo o olhar curioso do público, passaria despercebido.
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Cotação por Ossos:
4,0

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Filme: Emilia Pérez
Título Original: Emilia Pérez
Ano de Lançamento: 2024 (França) 2025 no Brasil
Direção: Jacques Audiard
Roteiro: Jacques Audiard, inspirado num personagem do livro “Écoute”, de Boris Razon.
Demais roteiristas: Thomas Bidegain, Léa Mysius, Nicolas Livechi
Edição: Juliette Welfling
Trilha Sonora: Camille, Clément Ducol, Maxence Dussère, Pierre-Marie Dru
Outros cargos técnicos:
Paul Guilhaume (Direção de Fotografia)
Virginie Montel (Direção de Arte)
Carla Hool e Christel Baras (Direção de Elenco)
Emmanuelle Duplay (Designer de Produção)
Sandra Castello, Cécile Deleu e Sandrine Jarron (Cenografistas)
Damien Jalet (Coreografia)
Arthur Paux (Técnico de Correção de Som)
Elenco:
Karla Sofía Gascón – Emilia Pérez
Zoe Saldana – Rita Moro Castro
Selena Gomez – Jessi
Adriana Paz – Epifanía
Édgar Ramírez – Gustavo
Mark Ivanir – Vasserman
Eduardo Aladro – Berlinger
Emiliano Hasan Jalil – Gabriel Mendoza
Duração: 130min
Classificação Etária: 16 anos
País produtor: França
Estúdios produtores:
Pathé Films, France 2 Cinéma, Pimienta Films, Why not Productions, Page 114 (Produtores)
Paris Filmes (Distribuição no Brasil)
Sinopse: A advogada Rita (Zoë Saldaña) trabalha em um escritório que prefere encobrir crimes do que servir à justiça. Um dia, ela recebe uma proposta inesperada para ajudar um chefe de cartel que planeja se aposentar e desaparecer para que possa finalmente se tornar a mulher que sempre sonhou ser.
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Pôster do filme gentilmente cedido por Paris Filmes e Espaço/Z
Foto de cena gentilmente cedida por Paris Filmes, Telecine e Palavra!
