Crítica: Morando com o Crush

Comédia romântica adolescente tem alguns tropeços, mas é uma boa pedida para o público jovem

Antônio Pedro de Souza

A eterna Mônica dos filmes Laços e Lições e da série do Globoplay, mostra que tem versatilidade para além da personagem dos quadrinhos: Giulia Benite atuou na série dramática Segunda Chamada (Globo/Globoplay), no divertido e emocionante Chama a Bebel e, agora, dá vida à Luana em Morando com o Crush, longa-metragem coestrelado por Vitor Figueiredo, Marcos Pasquim e Carina Sacchelli.

Subvertendo a lógica dos filmes que mostram duas pessoas criadas como irmãos, morando juntos e que, de repente, se veem apaixonadas, o longa de Hsu Chen mostra duas pessoas apaixonadas que, de repente, se veem morando juntas como irmãos…

Explica-se: Luana vive com o pai, Fábio; Hugo vive com a mãe, Antônia. Os adolescentes estudam juntos e sentem uma atração um pelo outro, mas Luana não tem coragem de se aproximar de Hugo. Numa festa, após um pequeno incidente, os dois se aproximam e Hugo convida a jovem para o cinema no dia seguinte. Só que Fábio chamou sua nova namorada para um jantar e, para surpresa de Luana, a mulher é mãe de Hugo. Mas as surpresas não param por aí: Fábio e Antônia trabalham juntos, estão namorando e a empresa abriu uma filial numa cidadezinha do interior, enviando os dois para administrarem o lugar. Por ser um lugar longe e modesto, há poucas casas vagas, o que obrigou Fábio e Antônia a dividirem o mesmo teto. Assim, eles resolvem assumir o relacionamento para os filhos e criar uma “grande família”.

O desespero de Luana e Hugo não poderia ser maior: A partir de agora, eles serão criados como irmãos, numa família idealizada por seus pais, e terão que fugir às tentações para evitar um colapso do “lar, doce lar” que está se formando. Pior! Para sobreviverem na cidade nova, eles terão que assumir esse lado fraternal, já que uma divertida tradição do local valoriza famílias como muitos filhos, dando certos bônus em toda a rotina do lugar: escola, clube, concursos culturais, etc.

Entre o amor que sentem um pelo outro e os benefícios de serem vistos como irmãos, Luana e Hugo passarão por grandes perrengues, que poderá fazer fortalecer a amizade e o carinho ou, simplesmente, explodir em uma rivalidade além do que eles poderiam imaginar.

A premissa do longa é ótima e a direção é conduzida com maestria. Vítor Figueiredo está em seu primeiro longa-metragem e mostra muita segurança na interpretação, ainda mais ao lado de nomes fortes da atuação. Giulia Benite mostra sua maturidade perante às câmeras, sabendo dosar cenas de pura comédia adolescente, com momentos mais sérios, que a personagem pede. Ela mostra que realmente cresceu e está apta a interpretar papéis mais adultos. Destaques para a cena em que ela observa Hugo na beira da piscina e quando cuida do rapaz doente.

Marcos Pasquim e Carina Sacchelli são um show à parte, vivendo dois pais, muitas vezes neuróticos, que só querem o melhor para seus respectivos filhos. Ainda Juliana Alves, num papel pequeno, mas de grande importância na trama.

O filme derrapa em algumas situações: No momento da revelação de que os jovens não são irmãos, temos o surgimento de uma vilã bem caricata, típica de clichês narrativos. Ótimo! Só que isso não é construído ao longo do filme. O que temos é uma adolescente com ciúmes do jovem casal que está se conhecendo melhor… Ao descobrir a grande verdade, a moça, simplesmente, ataca os protagonistas, expondo-os a uma situação vexatória, mas sem complicações mais fortes. Tivesse sido por volta da metade do filme, teríamos algo a mais no enredo para ser trabalhado.

Segunda derrapada: Ainda na cena da revelação, a reação da cidade é totalmente apática! Não que alguém devesse ter algo contra, até porque foi por culpa da cidade que a mentira fora inventada, mas, ainda assim, todo mundo aceita rápido demais o acontecimento. Não tem uma rusga, um olhar enviesado, nada! Mesmo voltado para o público adolescente, esse desfecho é fácil demais. Claro, queremos uma história com final feliz, mas esse foi pouco convincente. É como se os moradores da cidade falassem: “Certo, fomos enganados. Que bom! Sejam felizes!” Não há uma carga dramática plausível nesta cena.

Do mais, o filme é visualmente bonito, a trilha combina com as cenas e a história é boa. Um entretenimento de qualidade para o público adolescente. E toda a família. Seja de irmãos de sangue ou não!

***

Cotação por Ossos:

8,0

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Confira a galeria de fotos do filme:

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