Crítica – Imaginário: O Brinquedo Diabólico

Confira a análise da jornalista Tatiane Barroso

Tatiane Barroso

A Blumhouse Productions é uma produtora de cinema e televisão norte americana que se consagrou produzindo filmes de terror de baixo orçamento, mas com grande sucesso de bilheteria, crítica e público. Seu catálogo cinematográfico conta com os excelentes filmes A Entidade (2012), Corra! (2017), Nós (2019), bem como as franquias Atividade Paranormal, Sobrenatural e a trilogia Fragmentado.
E para se juntar a essa lista, chega às salas de cinema Imaginário – O Brinquedo Diabólico. A premissa do filme é boa e nos soa familiar: A escritora e ilustradora de livros infantis Jessica (DeWanda Wise) decide retornar com sua família para a casa onde cresceu e criou boas memórias. Logo quando chegam ao local, sua filha mais jovem Alice (Pyper Braun) fica apegada a Chauncey, um ursinho de pelúcia que ela encontra no porão. Apesar da interação parecer divertida no início, não demora muito para as coisas ficaram sinistras, descobrindo que o amigo imaginário que Jessica deixou para trás é muito real e está infeliz por ter sido abandonado.
Entre as atuações, a interpretação de Jessica por Wise é vibrante e positiva, mesmo que que às vezes pareça fora de sintonia com as reviravoltas mais sombrias do filme. Taegen Burns brilha como a enteada mais velha e taciturna. Já a personagem Gloria vivida por Betty Buckley oferece uma atuação memorável como a vizinha intrometida. Assim como em Fragmentado a personagem de Buckley tem o papel de nos explicar e contextualizar certos fenômenos do filme.
O diretor Jeff Wadlow citou o filme Poltergeist: O Fenômeno (1982) como uma das obras que o influenciou durante o processo de produção. “Ele atinge perfeitamente o equilíbrio entre os sustos e essa sensação benigna de admiração, excitação e emoção que você sente quando tem uma família da qual se importa” disse ele em entrevista. Wadlow não é um estreante no gênero de horror, seu currículo conta com os filmes Cry Wolf: O Jogo da Mentira (2005), Verdade ou Desafio (2018), Ilha da Fantasia (2020) e A Maldição de Bridge Hollow (2020).
Mesmo com essa bagagem, o diretor não conseguiu inovar no gênero já esgotado dos amigos imaginários, brinquedos e relíquias amaldiçoados infantis. Wadlow não consegue nos encantar e assustar com o estranho familiar da maternidade e ambiente doméstico muito presente na literatura de Shirley Jackson. Imaginário em alguns momentos lembra o filme de animação Coraline e O Mundo Secreto de Coraline de 2009, porém é desbotado e sem charme.
Apesar de flertar com alguns dos clichês do terror Imaginário – Brinquedo Diabólico é um filme que consegue criar seu próprio nicho e ao agradar fãs do gênero imaginários, brinquedos e relíquias amaldiçoados infantis ao abraçar o absurdo.

***

Cotação por Ossos:

3,5

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