COLUNA DO APS

Está chegando a hora de tirar a fantasia do armário e ir pra folia. Oficialmente, a festa do Rei Momo em Belo Horizonte já começou, mas eu prefiro deixar para curtir aqueles quatro dias típicos do ano. Já tenho o meu bloco de estimação, claro: Unidos da Estrela da Morte, no bairro Floresta. Desde o primeiro ano, acompanho os foliões. Já fiz reportagem, fotografei, filmei e me diverti muito.
Isso me fez recordar o começo desta retomada da folia belo-horizontina, que será inclusive, tema de um especial televisivo no próximo fim de semana. Tudo começou em 2009, quando um decreto da prefeitura impedia pessoas de se divertirem na Praça da Estação, palco preferido de foliões, shows e protestos em geral.
Cabem aí, duas observações relativamente paradoxais: a primeira é que naqueles anos, a recém-reformada Praça Raul Soares ganhou, junto ao seu chafariz, um sistema de som que tocava música clássica. Uma moradora da região achou que não faria mal nenhum tomar um banho de sol no local. Houve protestos de diversas pessoas, alegando falta de bom senso e respeito.
Pouco depois, o movimento Praia da Estação teve início na já citada Praça da Estação, em que a população era convidada a… Tomar banho de sol com trajes de banho e aproveitar as fontes do local! Enfim, qual a diferença? A meu ver, nenhuma, já que tanto a moradora na Praça Raul Soares, quanto a população na Praça da Estação estavam exercendo seu pleno direito de usufruir os espaços públicos.
O que “pegou”, porém, foi o tal decreto da prefeitura que proibia essas aglomerações públicas, causando muita revolta. Assim, em 2009, teve início, ainda de modo tímido, o carnaval belo-horizontino.
É importante ressaltar, porém, que o carnaval na capital mineira nunca chegou a ser extinto. Ele foi adormecido, transferido para locais privados e para o desfile das escolas de samba que migrou para diversos pontos da cidade. Neste começo de retomada, o desfile saiu da Via240 e foi para a Andradas, próximo à Praça da Estação. Em 2011, eu fui ver o desfile e fiquei deslumbrado. Era engraçado que, na época, a cidade ainda estava relativamente deserta nos dias de folia. Basicamente, os eventos contavam com o Minas ao Luar Especial de Carnaval – geralmente na Praça Duque de Caxias, no bairro Santa Tereza, o desfile das escolas, e as festas particulares.
Grandes empresários do entretenimento levavam para as cidades do interior uma estrutura colossal para fazer a festa. E os jovens endinheirados viajam para esses locais.
Cidades com tradição festiva como Ouro Preto, Sabará e Diamantina também pegavam para si parte do público da capital. Era um momento de grande movimentação na Rodoviária de Belo Horizonte: o maior fluxo, no entanto, era de saída.
Assim, BH ficava vazia, parada, esperando calmamente pela folia passar para retomar sua rotina pacata…
Como eu falei, em 2010, assisti aos desfiles das escolas de samba na Andradas. E comento mais sobre isso na próxima coluna. Até lá.
Terça-Feira, 30/01/2024

Um comentário em “Sobre o Carnaval em Belo Horizonte – parte 1”