COLUNA DO APS

Desde o começo da minha coleção de mídia física – VHS, DVD, Blu-Ray… – tenho um apreço especial por história seriadas: minisséries, novelas, séries, etc. O mercado minou demais o lançamento desses produtos, mas guardo em casa verdadeiros tesouros: as dez temporadas de Friends, as seis de Lost, as oito 24 Horas, uma edição especial de Pássaros Feridos, além dos lançamentos editados, mas benquistos das novelas Vale Tudo, A Favorita e da minissérie JK, só para citar alguns.
Pois bem. E como arrumar tempo para assistir a tudo? Desde 2016, mais ou menos, passei a fazer uma verdadeira maratona desses programas aos domingos. O jeito como eu os assisto mudou um pouco, mas em suma, é um episódio (ou capítulo) por semana, escolhendo um dos títulos para me acompanhar durante os dias úteis…
Assim, tenho conseguido ver (e rever, e rever, e rever) muita coisa nesse tempo. Com a chegada de várias novelas no serviço de streaming Globoplay, meu desafio aumentou: além das tramas editadas em DVD, eu tinha a oportunidade de conferir a íntegra de vários títulos. Assim, em janeiro deste ano, após um pente-fino em obras que eu nunca havia visto e outras que eu já havia saturado, resolvi mesclar vários nomes, intercalando o streaming com meu baú de mídia física e o resultado foi interessante. A primeira obra a ser revista foi a série animada “Superman”, produzida pelos estúdios Fleischer em 1941. Os dezessete episódios foram lançados em DVD no Brasil pela Classicline e são um verdadeiro achado. Assisti aos desenhos e, agora, estou escrevendo sobre cada um deles aqui no Projeto Lumi.
Depois, seguindo uma linha mais adulta, optei por selecionar uma novela de cada período, seguindo a organização do Globoplay: Da aba “Anos 70”, a eleita foi “O Bem-Amado”, clássico de Dias Gomes estrelada por Paulo Gracindo. Nunca havia visto a novela e estou apaixonado. Cheguei ao quarto capítulo dando altas risadas. Pulando para os “Anos 80”, estou indo de “Baila Comigo”, a primeira novela de Helena do Manoel Carlos, estrelada por Lílian Lemmertz e Tony Ramos em 1981. Um novelão de primeira, que eu também estou conhecendo agora, já que não era nascido quando ela passou e não peguei a reprise no Canal Viva.
“Coração… Diz pra mim”, a escolhida dos “Anos 90” foi “Barriga de Aluguel”, novelão de Glória Perez exibida em 1990. Eu tinha um ano de idade quando ela passou e lembro de flashes das reprises. A trama é boa e, curiosamente, tem uma boa dose de nudez, a despeito do horário original de exibição: 18 horas. As nádegas do Victor Fasano já apareceram diversas vezes em quatro capítulos.
Dez anos separam as produções da trama estrelada por Cássia Kis e Cláudia Abreu da novela de Carlos Lombardi protagonizada por Cláudio Heinrich e Humberto Martins. Trata-se da divertida “Uga Uga”, exibida em 2000 (portanto, presente na aba “Anos 2000” do Globoplay). Dessa, eu lembro bem: era um adolescente de 11 anos que não perdia um capítulo da novela. Aliás, foi ali que minha coleção de CDs com trilhas sonoras se fortaleceu, já que antes eu comprava esporadicamente. A novela também tem doses de nudez bem mais provocativas que as de hoje, mas ao longo da exibição, sofreu entraves na justiça (isso vai ser assunto para uma outra coluna).
Pulando para a aba seguinte, chegamos aos “Anos 2010”, com a divertida, mas com problemas de audiência, “Tempos Modernos”, de Bosco Brasil. A novela estrelada por Antônio Fagundes apresentava, mais uma vez, Thiago Rodrigues e Fernanda Vasconcellos como um casal. Eu assisti pouquíssimo da trama na exibição original, pois estava em meu último ano da faculdade de Letras, tinha acabado de abrir a Cine Souza – Vídeo Locadora e ainda trabalhava fora – Lojas Eskala e A&C – EITA!
Na próxima aba, “Anos 2015” (Sim, o Globoplay dividiu a década de 2010 em duas), temos a curtinha “Sete Vidas”. Também vi pouco de sua exibição original por causa da segunda Faculdade – Jornalismo, e já dava aulas, além de fazer estágio… EITA PARTE 2! A trama é bem gostosinha de acompanhar e tem uma trilha sonora envolvente.
Finalizando as abas, chegamos aos “Anos 2020” com “Salve-se Quem Puder!” Essa também eu lembro bem, embora nem todas as lembranças sejam agradáveis: a trama estreou em janeiro de 2020 e, em março, foi interrompida por causa da COVID, voltando ao ar somente em maio de 2021. Nesse meio tempo eu perdi meu pai e vi meu mundo desabar quase que por completo. A novela conseguiu voltar com um novo gás, ao contrário de sua contemporânea das 21h, “Amor de Mãe”… E teve um desfecho positivo.
Passando para as novelas estrangeiras, resolvi dar uma chance para um clássico sempre exibido pelo SBT e que eu nunca havia parado para assistir: “Marimar”, a mexicana de 1994, tem uma trama um tanto nonsense, mas entretém.
Saindo das novelas e indo para a icônica franquia “Malhação”, comecei a ver a primeira temporada, exibida em 1995. Não vi nada da série em sua exibição original e perdi vários capítulos em sua reprise no Canal Viva. O começo é meio mambembe, mas os autores souberam criar histórias que prenderam o público na frente da telinha por cerca de 25 anos…
Ainda no streamig, comecei e terminei a minissérie “10 Segundos Para Vencer”, inspirada na vida do boxeador Éder Jofre dos Santos, vivido na tela por Daniel Oliveira. Uma baita produção, com um roteiro irrepreensível. Antes da TV, a minissérie havia sido filme…
Finalizando a aventura no streaming, assisti aos pesadíssimos documentários “Não Saia Hoje” e “Extermínio”. O primeiro, fala sobre as mães das vítimas do massacre ocorrido em maio de 2006 em diversas cidades de São Paulo. Pesada a cena em que um pai mostra o local exato em que encontrou o corpo do filho, que havia saído de casa para ir para a escola. O segundo, parte do assassinato de uma transexual no Rio Grande do Sul, entrevistando diversas pessoas trans e garotas de programa para mostrar como a violência desenfreada impacta a vida de todos.
Voltando para a mídia física, comecei a celebrar os trinta anos de Friends e os vinte de Lost. As duas fazem aniversário no mesmo dia: 22 de setembro. Os primeiros episódios de Friends trazem uma nostalgia maravilhosa, com um humor simples e certeiro. Lembrei do primeiro contato que tive com a série, em 2000, pela redeTV! Enquanto aguardava a exibição de um filme de terror na extinta TV Terror. O episódio em questão era “Aquele do Mocolate”. Na época, não gostei. Hoje, amo a série.
Em relação a Lost, ela me prendeu desde o primeiro episódio, que assisti no Domingo Maior, da Globo, em 2006. De lá pra cá, foi só amor pela produção.
Ainda em clima de nostalgia, resolvi rever “Os Pássaros Feridos”, minissérie estadunidense que conquistou a minha mãe quando foi exibida em 1985 pelo SBT (a produção é de 1983). Só fui assisti-la mesmo em 2016, quando comprei o DVD e… Dei início a essa longa jornada das histórias seriadas aos domingos. Vida longa aos domingos em série!
Segunda-Feira, 29/01/2024
