Estrelado por Giulia Benite, longa fala de meio-ambiente, fake news e convivência em sociedade
Quando pensamos em filmes para o público adolescente, geralmente nos vêm à mente histórias sobre romances não correspondidos, rebeldia e, claro, muita curtição. De uns anos pra cá, no entanto, os cineastas brasileiros têm criado tramas sobre superação, respeito às diferenças e mostrando que os jovens podem ensinar muito à sociedade. Títulos como “Hoje eu quero voltar sozinho” (Daniel Ribeiro, 2014) e “As Melhores Coisas do Mundo” (Laís Bodanzky, 2010) são ótimos exemplos de longas-metragens que contam boas histórias, dão boas lições e não precisam abrir mão da jovialidade de uma fase tão emblemática da vida. Junta-se a eles, agora, “Chama a Bebel”, produção escrita e dirigida por Paulo Nascimento, e estrelada por Giulia Benite (“Turma da Mônica”).
A trama tem início quando Bebel precisa se mudar de cidade para continuar seus estudos. A jovem de 15 anos é cadeirante, mas não deixa que sua deficiência a afaste de uma vida normal e praticamente independente. Na casa da tia Marieta (Flávia Garrafa), embora se sinta acolhida, a adolescente não deixa de sentir uma hostilidade velada vinda por parte da irmã de sua mãe.
No novo colégio, Bebel conhece Zico (Gustavo Coelho) e consegue se aproximar de Beto (Antônio Zeni), primo da jovem. Um rapaz promissor, inteligente, mas que vive em atrito com a família e a direção da escola, pois é apaixonado por grafite, que a mãe vê como um tipo de marginalidade, e não de arte. Por conta de sua “rebeldia”, Beto já foi reprovado duas vezes.
Ainda na turma escolar, estão Rox (Sofia Cordeiro, a “patricinha” de plantão), Guga (Pedro Mota), Paulinho (Arthur Sendel), Gabi (Luisa Saturi), Aninha (Flor Gil) e Marcinha (Bela Rezziadori). Rox, filha do poderoso Dr. Jorge (Marcos Breda), sente seu poderio ameaçado com a chegada de Bebel e logo trata de criar uma rivalidade entre as duas. Tentando aplacar a animosidade, entra em cena o professor Denis (Rafa Muller), também cadeirante e que passa a ser visto como um porto-seguro pela protagonista.
Enquanto Bebel se aproxima de Zico e Beto, criando laços verdadeiros de amizade, e tenta escapar das artimanhas de Rox, uma subtrama começa a ser desenvolvida, ganhando destaque à medida que o filme avança: trata-se de uma mescla de conscientização social. Com linguagem simples e voltada para jovens, a história aborda de maneira bem natural os desafios ambientais pelos quais o planeta passa e discute, por exemplo, o consumismo, o aquecimento global, a reciclagem e os testes que algumas empresas de cosméticos ainda insistem em fazer nos animais. Aliás, este último tópico foi inspirado em um caso real, ocorrido em São Paulo em 2013 e, recentemente, relembrado na novela “Elas por Elas”, da TV Globo.

Os adolescentes iniciam uma investigação para desmascarar a empresa responsável pelo sequestro de cães, causando desdobramentos que afetarão a vida de cada um deles, expondo o que há de melhor e pior em cada pessoa.
Ainda são explorados os projetos de biodigestores, criados por estudantes do Rio Grande do Sul em 2022, a questão da acessibilidade para pessoas com deficiência e locomoção reduzida e moda sustentável.
A direção do filme é ágil e acompanha o roteiro, muito bem escrito, os diálogos fogem das bobagens geralmente atribuídas aos adolescentes, dando maior veracidade às discussões a que o filme se propõe. O elenco jovem interage de maneira natural com o elenco mais experiente e vale a pena ver em cena grandes nomes como Marcos Breda, Larissa Maciel e José Rubens Chachá.
Em suma, “Chama a Bebel” é um filme de ideais contemporâneos, mostrando que os jovens, ao se conscientizarem de seu papel no mundo, têm muito a ensinar para todos ao seu redor. Um agradável achado do cinema nacional.
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Cotação por ossos: 10,0

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Ficha técnica:
Elenco:
Bebel – Giulia Benite
Beto – Antônio Zeni
Zico – Gustavo Coelho
Rox – Sofia Cordeiro
Guga – Pedro Mota
Paulinho – Arthur Sendel
Professor Denis – Rafa Muller
Dr. Jorge – Marcos Breda
Gabi – Luisa Saturi
Aninha – Flor Gil
Marcinha – Bele Rezziadori
Seu Juca – José Rubens Chachá
Mariana – Larissa Maciel
Eurico – Evandro Soldatelli
Marieta – Flávia Garrafa
Diretora da escola – Margarida Peixoto
Escrito e Dirigido por:
Paulo Nascimento
Estúdios:
Paris Filmes
Accorde Filmes
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Pôster do filme: Paris Filmes/Divulgação
Slide: Frame do filme
Revisão do texto: Franklins Torres
