Crítica: Barbie

Divertido, afrontoso e feminista: Barbie faz jus à história da boneca

Antônio Pedro de Souza

Uma história com ares infantis baseada na boneca mais vendida do mundo. Uma história com ar feminista que joga luz na discussão sobre a mulher ser o que quiser. Uma história sobre a frágil masculinidade – e seu desejo de sempre querer dominar. Escolha seu viés: Barbie, filme da diretora Greta Gerwig, vai preencher as lacunas de qualquer uma dessas opções.

 O filme começa com uma baita referência à obra “2001: Uma Odisseia no Espaço” (vide teaser divulgado ainda em 2022), a partir daí, a narradora (Helen Mirren), apresenta um panorama histórico da boneca mais famosa do mundo e de como todas as Barbies vivem na Barbielândia e acreditam piamente que mudaram o mundo real – para melhor.

Porém, uma interferência externa faz com que a Barbie Estereotipada (basicamente a Barbie original, ou seja: padrão de beleza inalcançável, consumista e fútil) passe a questionar certos comportamentos neste mundo ideal. Ela parte em uma missão acompanhada por um dos Ken – são vários Ken e várias Barbies, mas apenas um Allan, preste atenção nisso – ao mundo real, a fim de encontrar a criança que brinca com ela para consertar esse lapso temporal – eita! A febre do multiverso atingiu a Mattel. No mundo real, Barbie e Ken têm choques de realidade diferentes: enquanto ela percebe que, infelizmente, as mulheres não estão tão empoderadas quanto ela julgava, Ken descobre que os homens não são meros coadjuvantes como ele acreditava… O que cada personagem fará com essa informação, poderá ditar os rumos tanto da Barbielândia quanto do mundo real.

Em suma, “Barbie” exalta a história da boneca e de sua criadora, Ruth Handler, fundadora da Mattel, sem abrir mão de uma autocrítica: de fato, Barbie foi um produto pensado para mostrar às meninas que elas poderiam ser o que quisessem, mas esse ideal acabou soterrado sob um manto de consumismo e padrão de beleza duvidoso, algo que, apenas nos últimos anos, passou a ser reconsiderado, retomando a ênfase da ideia original. Esse duplo ponto de vista está presente no filme.

O longa também abraça o humor e, claro, o apelo infanto-juvenil, em cenas bem pensadas com piadas, efeitos visuais dignos de desenhos animados e diversas reviravoltas, mas sempre passando uma mensagem atual, como as diversas formas de  importunação sexual, o sexismo corporativo e as frágeis relações de poder e submissão – amor e ódio – entre os gêneros.

O filme proporciona, ainda, uma viagem à linha do tempo da Mattel, fazendo com que o espectador conheça – ou relembre – produtos icônicos da empresa. Um festival de criatividade e nostalgia.

A trilha sonora encaixa bem nas cenas e, claro, “Barbie Girl”, hit do Acqua – que tanto enaltece quanto critica o jeito Barbie de ser – está presente, ajudando a aprofundar a história.

Enfim, Barbie é um divertido passeio por histórias da infância sem deixar de falar de coisa séria. Um bom casamento que merece ser visto por meninas, meninos… e adultos!  

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COTAÇÃO POR OSSOS:

10 OSSOS

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Foto: Cena de “Barbie” – Divulgação: Warner Bros.

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